Rodoviários cariocas iniciam paralisação de 48 horas

13 de maio de 2014 at 14:51

Rodoviários reunidos ontem (12) na Cinelândia, no final da tarde (Fanpage Rodoviários do Rio de Janeiro/Reprodução)

Por Rennan Martins

O Rio de Janeiro amanheceu presenciando nova paralisação dos rodoviários cariocas. Esta, que tem previsão de vigor de 48 horas, iniciou à 00:00 de hoje e foi motivada pela falta de acordo na reunião de ontem entre as partes no Tribunal Regional do Trabalho do estado. Uma paralisação prévia foi realizada na última quinta, dia 8.

Ainda ontem, após a reunião citada, os rodoviários interditaram a Avenida Rio Branco no fim da tarde, o que também foi observado na sexta (9).

A paralisação modificou toda a rotina da cidade, o efeito pode ser assistido tanto no aumento do uso de outros tipos de coletivos como metrô e barcas, como no abuso de preço praticado pelas vans, que chegam a cobrar R$ 10,00 na tarifa.

A prefeitura mobilizou um plano de contingência a fim de amenizar os efeitos negativos da greve que mantêm 10% dos ônibus em circulação. O metrô, as barcas e o BRT estão operando excepcionalmente. Demonstrando assim que somente com paralisação é possível fazer Eduardo Paes se mover no sentido de melhorar o atendimento do transporte público.

Na madrugada de ontem, durante protesto pacífico em que os grevistas interditaram a passagem de um ônibus, uma viatura da polícia militar os abordou de forma agressiva. Chegaram ao local jogando o veículo acintosamente contra os manifestantes. Após isso, um dos policiais desceu do carro aos gritos fazendo uso de spray de pimenta primeiramente contra os rodoviários, e após notar que estava sendo filmado, se lançou contra o câmera dizendo “Vai filmar é o caralho!”, e também o agrediu com o spray, deixando óbvio o abuso de autoridade e o atentado a livre imprensa.

O vídeo, do Jornal A Nova Democracia, pode ser visto abaixo:

A motivação da greve nos remonta a março, dia 11, quando foi acordado o aumento de 10% nos salários e de 40% na cesta básica. Este acordo foi negociado entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus (Sintraturb-Rio) e a Rio Ônibus, o sindicato que reúne as empresas operadoras.

A Rio Ônibus e a direção do Sintraturb não apoiam a greve e ainda questionam a legitimidade de sua representação. Os grevistas, por sua vez, afirmam que o acordo foi realizado sem a consulta da categoria e alegam irregularidades na assembleia que o aprovou. A reivindicação destes é de 40% de aumento salarial e cesta básica de R$ 400,00, além de fim da função dupla, que é quando o motorista realiza também o cargo de cobrador.

Na reunião ocorrida ontem no TRT, os grevistas tiveram cinco representantes na condição de ouvintes.

Quanto ao trâmite legal, os rodoviários possuem 5 dias para apresentação da defesa, após isso, mais cinco dias são dados aos empresários para apresentação da parte, e só então o Ministério Público do Trabalho dará um parecer para marcação do julgamento.

Aqueles que nos acompanham já possuem alguma ideia do modus operandi das empresas de ônibus e do conluio destas com a prefeitura de suas cidades. Analisando todo o contexto, a probabilidade deste acordo de março ser irregular é grande. Necessário é que a população tenha solidariedade às reivindicações dos trabalhadores visando a construção coletiva da justiça social. Permaneçamos atentos aos acontecimentos.