Em Goiânia, prisões políticas dão o tom da atuação da polícia na Copa

27 de maio de 2014 at 15:12

Por Rennan Martins

No último dia 23, sexta-feira, foi deflagrada a Operação 2,80 em Goiânia. Esta consistiu em mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra estudantes envolvidos nas manifestações por melhorias no transporte público. Realizada há 20 dias do início da Copa do Mundo, a operação foi emblemática no sentido de dar amostra do que será a atuação policial durante o evento.

Quanto aos mandatos, os de prisão preventiva foram emitidos contra os estudantes: Heitor Aquino Vilela, Ian Caetano de Oliveira, Tiago Madureira de Araújo e João Marcos Aguiar Almeida. Dos citados, todos estão presos com exceção de Tiago Madureira Araújo, que se encontra foragido. Todos possuem entre 18 e 20 anos de idade.

Os mandados de busca e apreensão realizaram-se contra os mesmos e também contra Marllos Souza Duarte. Foram apreendidos objetos de alta periculosidade, tais como panfletos, cartazes e um estilingue.

Objetos apreendidos na operação. Estamos salvos, ufa! (Foto: John William/ TV Anhanguera)

Os delegados que comandam a operação, Alexandre Lourenço e Thiago Torres, pretendem finalizar a investigação até o dia 2, quando finda os 10 dias de prisão preventiva, e processar os detidos por dano ao patrimônio público, associação criminosa e incitação à violência.

A página do facebook do movimento Frente De Luta GO disponibilizou a decisão da 7ª Vara Criminal da Comarca de Goiânia que decretou a prisão preventiva e o que se lê nele não passam de acusações sem embasamento material.

A advogada dos acusados, Natália Oliveira, declarou ao portal A Redação que “Temos três pessoas presas e cumprindo pena diante de uma investigação sem provas concretas”, e que o inquérito possui somente imagens colhidas nos perfis dos usuários, definindo o caso como “uma questão política”. Além disso, ainda segundo ela, um carro com duas pessoas no seu interior ficou parado por duas horas na frente de sua casa, o que pode ter sido uma tentativa de intimidação.

O Movimento Contra a Criminalização da Luta Popular publicou no mesmo dia um documento assinado por diversos coletivos, movimentos, entidades, ativistas e professores acadêmicos no qual condenam de forma veemente esta atuação, alegando que “O Estado não cobra as leis que os donos de empresas deveriam seguir, mas, a serviço deles, atua ilegalmente, inventando falsas acusações, criminalizando pessoas que lutam por uma sociedade mais justa”.

Analisando num contexto amplo, notamos que as empresas de transporte coletivo usurpam de longa data o poder público, utilizando-o em benefício próprio, seja por meio de sonegações, contratos irregulares ou conluios com prefeituras que as dão respaldo, de olho no financiamento de campanha.

Soma-se a isso a instrumentalização do Estado brasileiro que a FIFA promove com a Copa do Mundo. As exigências desta entidade materializam-se numa verdadeira exceção que suspende e viola direitos.

Há, por conseguinte, uma condenável sinergia neste momento, na qual criminaliza-se os movimentos sociais visando tanto defender a posição oligárquica das empresas de ônibus quanto impôr a ordem de forma autocrática para que a Copa do Mundo corra da maneira que a FIFA deseja.

 

 

Rodoviários cariocas iniciam paralisação de 48 horas

13 de maio de 2014 at 14:51

Rodoviários reunidos ontem (12) na Cinelândia, no final da tarde (Fanpage Rodoviários do Rio de Janeiro/Reprodução)

Por Rennan Martins

O Rio de Janeiro amanheceu presenciando nova paralisação dos rodoviários cariocas. Esta, que tem previsão de vigor de 48 horas, iniciou à 00:00 de hoje e foi motivada pela falta de acordo na reunião de ontem entre as partes no Tribunal Regional do Trabalho do estado. Uma paralisação prévia foi realizada na última quinta, dia 8.

Ainda ontem, após a reunião citada, os rodoviários interditaram a Avenida Rio Branco no fim da tarde, o que também foi observado na sexta (9).

A paralisação modificou toda a rotina da cidade, o efeito pode ser assistido tanto no aumento do uso de outros tipos de coletivos como metrô e barcas, como no abuso de preço praticado pelas vans, que chegam a cobrar R$ 10,00 na tarifa.

A prefeitura mobilizou um plano de contingência a fim de amenizar os efeitos negativos da greve que mantêm 10% dos ônibus em circulação. O metrô, as barcas e o BRT estão operando excepcionalmente. Demonstrando assim que somente com paralisação é possível fazer Eduardo Paes se mover no sentido de melhorar o atendimento do transporte público.

Na madrugada de ontem, durante protesto pacífico em que os grevistas interditaram a passagem de um ônibus, uma viatura da polícia militar os abordou de forma agressiva. Chegaram ao local jogando o veículo acintosamente contra os manifestantes. Após isso, um dos policiais desceu do carro aos gritos fazendo uso de spray de pimenta primeiramente contra os rodoviários, e após notar que estava sendo filmado, se lançou contra o câmera dizendo “Vai filmar é o caralho!”, e também o agrediu com o spray, deixando óbvio o abuso de autoridade e o atentado a livre imprensa.

O vídeo, do Jornal A Nova Democracia, pode ser visto abaixo:

A motivação da greve nos remonta a março, dia 11, quando foi acordado o aumento de 10% nos salários e de 40% na cesta básica. Este acordo foi negociado entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus (Sintraturb-Rio) e a Rio Ônibus, o sindicato que reúne as empresas operadoras.

A Rio Ônibus e a direção do Sintraturb não apoiam a greve e ainda questionam a legitimidade de sua representação. Os grevistas, por sua vez, afirmam que o acordo foi realizado sem a consulta da categoria e alegam irregularidades na assembleia que o aprovou. A reivindicação destes é de 40% de aumento salarial e cesta básica de R$ 400,00, além de fim da função dupla, que é quando o motorista realiza também o cargo de cobrador.

Na reunião ocorrida ontem no TRT, os grevistas tiveram cinco representantes na condição de ouvintes.

Quanto ao trâmite legal, os rodoviários possuem 5 dias para apresentação da defesa, após isso, mais cinco dias são dados aos empresários para apresentação da parte, e só então o Ministério Público do Trabalho dará um parecer para marcação do julgamento.

Aqueles que nos acompanham já possuem alguma ideia do modus operandi das empresas de ônibus e do conluio destas com a prefeitura de suas cidades. Analisando todo o contexto, a probabilidade deste acordo de março ser irregular é grande. Necessário é que a população tenha solidariedade às reivindicações dos trabalhadores visando a construção coletiva da justiça social. Permaneçamos atentos aos acontecimentos.

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