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	<title>Blog do Rogério Lessa &#187; juros BC Brasil</title>
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	<description>Liberdade, igualdade e fraternidade.</description>
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		<title>Nakano: &#8220;Finalmente a independência do BC&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 18:31:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rogério Lessa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[juros BC Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[O Banco Central (BC) tomou a decisão de reduzir em 0,5 ponto percentual a sua taxa de juros, o que surpreendeu o mercado financeiro. Os seus &#8220;porta vozes&#8221;, por meio da imprensa, falaram em quebra de &#8220;protocolo&#8221;, da &#8220;liturgia&#8221; e &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2011/09/13/nakano-finalmente-independencia-bc/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">O Banco Central (BC) tomou a decisão de reduzir em 0,5 ponto percentual a sua taxa de juros, o que surpreendeu o mercado financeiro. Os seus &#8220;porta vozes&#8221;, por meio da imprensa, falaram em quebra de &#8220;protocolo&#8221;, da &#8220;liturgia&#8221; e na subversão aos &#8220;princípios mais valiosos&#8221; do sistema de metas de inflação. Isso teria deixado o mercado &#8220;perplexo&#8221; segundo a imprensa. Mas, afinal, qual era esse protocolo ou liturgia a que o mercado estava acostumado? Quais eram esses &#8220;princípios mais valiosos do sistema de metas de inflação&#8221; que o BC teria abandonado?<span id="more-250"></span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">De fato, o BC, que não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores, surpreendeu os tesoureiros e economistas dos bancos privados, que estavam acostumados a uma relação, no mínimo, promíscua. Nessa relação, o Banco Central reagia às expectativas de inflação dos economistas dos bancos privados, materializadas na pesquisa Focus e nas taxas de juros futuras das operações efetuadas pelas tesourarias.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Na véspera das reuniões do Copom, a imprensa fazia a pesquisa informando o Banco Central, qual o aumento ou redução em que a maioria dos bancos e empresas de consultoria apostavam. Lógico que a maioria sempre acertava. Esse era o protocolo ou a liturgia seguidos pelas diretorias anteriores do Banco Central sempre ocupados por funcionários do sistema bancário. Na última reunião de agosto, esse protocolo foi de fato abandonado. Daí a grande surpresa e perplexidade do mercado financeiro. A rigor, o BC finalmente tornou-se independente do mercado.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Banco não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Nesse protocolo ou liturgia prevaleciam, evidentemente, os interesses dos mercados financeiros. Se as expectativas de inflação e de taxas de juros futuras do próprio mercado financeiro guiavam as decisões do Banco Central, os riscos de erros nas projeções eram minimizados e as possibilidades de ganho maximizadas. Vale lembrar que, no Brasil, o Banco Central fixa a taxa Selic, que é a mesma dos títulos públicos de longo prazo e, que serve de base (CDI) para a fixação das demais taxas de juros ativas e passivas. Assim, a indexação dos ativos financeiros à taxa diária Selic/DI elimina o risco da variação da taxa de juros e, tal &#8220;protocolo&#8221; entre o mercado e o Banco Central reduzia o risco de erros de expectativas. A dita &#8220;perplexidade&#8221; do mercado é compreensível, pois agora aumentam os riscos de serem surpreendidos se errarem nas as suas projeções.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Outro aspecto que merece atenção é que muitos economistas de bancos ou de consultorias ligadas ao mercado financeiro imputam a última decisão do Banco Central como subversão das regras (&#8220;princípios mais valiosos&#8221;) da política monetária baseada em metas de inflação. Nada mais longe da verdade. A rigor, o sistema de metas que tínhamos no Brasil, era um arremedo do verdadeiro. Como a variação da taxa de juros tem uma defasagem longa, de seis a 12 meses, para ter efeitos mais relevantes sobre o lado real da economia (demanda agregada) e sobre a inflação, a taxa de inflação relevante, que tem que ser monitorada, é a taxa estimada para os próximos seis a 12 meses. Portanto, o sistema de metas pressupõe um bom sistema de previsão de inflação futura para compará-la com a meta e daí tomar a decisão de mudar a taxa de juros. No Brasil, além de considerarmos a inflação medida e acumulada de doze meses, portanto, referente ao passado, estamos presos à inflação calendário.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Além da inflação passada de 12 meses dificilmente ser uma projeção correta da inflação futura, a não ser por acaso, não consideramos nem mesmo a inflação contemporânea. Se esta for mais relevante para extrapolarmos para o futuro, a taxa de juros deverá ter um comportamento completamente diferente do nosso caso.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Por exemplo, a taxa de inflação de agosto foi de 0,37%, portanto, anualizando temos como taxa de inflação referência 4,5%, coincidindo com a meta. A taxa de juros deveria ser muito menor. Ao utilizarmos a inflação passada de 12 meses como referência, temos que manter a taxa de juros em níveis elevados mesmo que as pressões inflacionárias efetivas tenham desaparecido e a inflação contemporânea esteja dentro da meta. É compreensível que aqueles que ganham com juros elevados defendam os &#8220;princípios mais valiosos&#8221; da atual regra.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">Outro aspecto que chamou a atenção dos &#8220;porta-vozes&#8221; do sistema financeiro é que o BC não está considerando só a taxa de inflação, mas o crescimento da economia, como se isso fosse um pecado mortal praticado pelo banco. Novamente, isso representa uma ignorância sobre o sistema de metas de inflação ou a defesa de interesses setoriais. O sistema de metas pressupõe que a taxa de juros afeta a inflação por diversos canais, entre eles o da demanda agregada ou o hiato do produto. A taxa de juros não afeta diretamente a inflação. Assim, ao elevar a taxa de juros, o Banco Central pretende eliminar o excesso de demanda ou atingir o hiato zero para assim controlar a inflação.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Times New Roman">O Banco Central do Brasil agiu de forma correta se seus estudos técnicos e as projeções de seus modelos indicam tanto a desaceleração do nível de atividade econômica, como a queda nas pressões inflacionárias nos próximos 12 meses. Se isso for verdade, estamos mais próximos de um verdadeiro sistema de metas. Se acrescentarmos que o ministro da Fazenda anunciou um aperto fiscal maior para poder afrouxar a política monetária, estamos iniciando uma nova era e podemos caminhar para um novo regime de política macroeconômica compatível com crescimento acelerado e sustentado.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman;color: #000000">Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas &#8211; FGV/EESP</span></p>
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