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	<title>Blog do Rogério Lessa</title>
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	<description>Liberdade, igualdade e fraternidade.</description>
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	<language>pt-BR</language>
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		<title>Prof. Antonio Cândido, aos 93 anos, diz que o socialismo é uma doutrina triunfante.</title>
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		<pubDate>Tue, 07 May 2013 17:41:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[socialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O socialismo é o Cavalo de Tróia do capitalismo&#8221; &#8220;O socialismo só não deu certo na Rússia&#8221; Para colocar ainda mais lenha no aceso debate político-ideológico que se trava no Blog da Tribuna, vamos publicar os principais trechos de uma instigante &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2013/05/07/prof-antonio-candido-aos-93-anos-diz-que-o-socialismo-e-uma-doutrina-triunfante/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O socialismo é o Cavalo de Tróia do capitalismo&#8221;</p>
<p>&#8220;O socialismo só não deu certo na Rússia&#8221;</p>
<p>Para colocar ainda mais lenha no aceso debate político-ideológico que se trava no<strong> Blog da Tribuna</strong>, vamos publicar os principais trechos de uma instigante entrevista concedida à jornalista Joana Tavares, do <strong>Brasil de Fato</strong>, pelo crítico literário, professor, sociólogo, militante Antonio Candido. Com extraordinária lucidez e precisão, ele explica a sua concepção de socialismo, que diz ser uma doutrina trunfante, partindo para uma tese surpreendente e inovadora. A entrevista nos foi enviada por Sergio Caldieri, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.</p>
<p><img title="candido4" alt="" src="http://espacoacademico.files.wordpress.com/2011/08/candido4.jpg?w=560" /></p>
<p><strong>Leia mais</strong>&gt;&gt; <a href="http://heliofernandes.com.br/?p=42288">http://heliofernandes.com.br/?p=42288</a></p>
<p><strong>Brasil de Fato –</strong> <em>O que o senhor lê hoje em dia?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.</p>
<p><strong>Brasil de Fato – </strong><em>O senhor é socialista?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.<span id="more-1353"></span></p>
<p><strong>Brasil de Fato –</strong> <em>Por quê?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.</p>
<p><strong>Brasil de Fato –</strong> <em>O socialismo, como luta dos trabalhadores?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto, ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.</p>
<p><strong>Brasil de Fato</strong> –<em> Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.</p>
<p><strong>Brasil de Fato –</strong> <em>O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?</em></p>
<p><strong>Antonio Candido –</strong> O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para os que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo.</p>
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		<title>Foguete palestino pode ter matado bebê de Gaza em novembro, indica ONU</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 19:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>

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		<description><![CDATA[Filho de jornalista da BBC, criança de 11 meses se tornou poderoso símbolo de confronto entre Israel e Hamas; antes se acreditava que ataque israelense havia causado sua morte NYT &#124; 25/03/2013 05:00:31 Um relatório da ONU sugeriu que um bebê palestino &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2013/03/25/foguete-palestino-pode-ter-matado-bebe-de-gaza-em-novembro-indica-onu/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>
<h1 id="noticia-titulo" itemprop="name">Filho de jornalista da BBC, criança de 11 meses se tornou poderoso símbolo de confronto entre Israel e Hamas; antes se acreditava que ataque israelense havia causado sua morte</h1>
<div id="barra-superior">
<p><strong itemprop="name">NYT</strong> | <time itemprop="datePublished">25/03/2013 05:00:31</time></p>
</div>
</div>
<div id="noticia" itemprop="articleBody">
<p><img alt="NYT" src="http://i0.statig.com.br/selos-agencias/nyt.png" /></p>
<p>Um relatório da ONU sugeriu que um bebê palestino que morreu durante <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/noticias/ataquesagaza" target="_self">combates em Gaza em novembro</a> pode ter sido vítima de um foguete palestino em vez de um ataque aéreo israelense, como se acreditava na época. A morte da criança tornou-se rapidamente um símbolo poderoso do conflito.</p>
<p><strong>Editor da BBC em Gaza:  <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/2012-11-15/por-que-meu-filho-teve-de-morrer-assim-diz-editor-da-bbc-em-gaza.html" target="_self">&#8216;Por que meu filho teve de morrer assim?&#8217;</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure><img alt="" src="http://i0.statig.com.br/bancodeimagens/ar/60/e7/ar60e77c69vx2w0m6h3mbe5gv.jpg" /><br />
<figcaption><cite>BBC</cite></p>
<div>Jornalista da BBC Jehad Mashhrawi chora durante entrevista sobre ataque que matou seu filho em Gaza (nov/ 2013)</div>
<div></div>
<div>Leia mais:<a href=" http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2013-03-25/foguete-palestino-pode-ter-matado-bebe-de-gaza-em-novembro-indica-onu.html"> http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2013-03-25/foguete-palestino-pode-ter-matado-bebe-de-gaza-em-novembro-indica-onu.html</a></div>
</figcaption>
</figure>
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		<title>Países se reúnem para negociação final sobre tratado de armas da ONU</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Mar 2013 17:01:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[humanismo]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>

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		<description><![CDATA[Acordo poderá ser o primeiro tratado global a regulamentar o comércio de armas convencionais no mundo Fonte: Reuters &#124; 18/03/2013 09:33:55 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-03-18/paises-se-reunem-para-negociacao-final-sobre-tratado-de-armas-da-onu.html Negociadores de cerca de 150 países se reúnem nesta segunda-feira (18) em Nova York para uma última tentativa &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2013/03/18/paises-se-reunem-para-negociacao-final-sobre-tratado-de-armas-da-onu/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Acordo poderá ser o primeiro tratado global a regulamentar o comércio de armas convencionais no mundo</p>
<p><strong>Fonte</strong>: Reuters | 18/03/2013 09:33:55<br />
<a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-03-18/paises-se-reunem-para-negociacao-final-sobre-tratado-de-armas-da-onu.html">http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-03-18/paises-se-reunem-para-negociacao-final-sobre-tratado-de-armas-da-onu.html</a></p>
<p>Negociadores de cerca de 150 países se reúnem nesta segunda-feira (18) em Nova York para uma última tentativa de concluir um tratado internacional contra o tráfico de armas convencionais, que enfrenta resistência de um poderoso lobby pró-armas dos EUA.</p>
<p>Ativistas do controle de armas e dos direitos humanos dizem que uma pessoa morre por minuto no mundo em decorrência de armas de fogo, e que o tratado seria útil para conter o fluxo descontrolado de armas e munições que alimentam guerras, atrocidades e abusos.</p>
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		<title>Estado palestino, prioridade sionista</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2013/01/20/estado-palestino-prioridade-sionista/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Jan 2013 15:13:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: http://www.conexaoisrael.org/estado-palestino-prioridade-sionista2/2013-01-20/claudiodaylac Paremos de falar sobre paz. Falemos sobre o fim da ocupação. A ocupação dos territórios já passa de 45 anos. Mais do que um punhado de terras, ocupamos a vida de quase quatro milhões de palestinos há quatro décadas &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2013/01/20/estado-palestino-prioridade-sionista/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Fonte: <a href="http://www.conexaoisrael.org/estado-palestino-prioridade-sionista2/2013-01-20/claudiodaylac">http://www.conexaoisrael.org/estado-palestino-prioridade-sionista2/2013-01-20/claudiodaylac </a></p>
<p>Paremos de falar sobre paz. Falemos sobre o fim da ocupação.</p>
<p>A ocupação dos territórios já passa de 45 anos. Mais do que um punhado de terras, ocupamos a vida de quase quatro milhões de palestinos há quatro décadas e meia.</p>
<p>Na Guerra dos Seis Dias, que ocupa no imaginário nostálgico nacionalista israelense o lugar do qual a Copa do Mundo de 1970 dispõe na memória coletiva brasileira, o pequeno Estado de Israel triplicou sua área. Das mãos egípcias, tomamos a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, consideradas duas entidades distintas para ambos os lados. O Sinai, desocupamos e devolvemos aos nossos vizinhos na virada das décadas de 1970 para 1980. Gaza, recusada pelos egípcios por sua população palestina, desocupamos em 2005, ainda que não a tenhamos devolvido a ninguém especificamente. O Golã, sob domínio sírio anteriormente, anexamos e à sua população concedemos status de residentes permanentes com direito à cidadania, caso queiram. O mesmo foi feito com Jerusalém Oriental: o antigo município jordaniano e uma série de vilarejos à sua volta, foram anexados à Jerusalém israelense. Os palestinos que ali viviam ganharam a “residência” e o direito à cidadania, ainda que poucos a tenham solicitado.</p>
<p>De certa maneira, Israel teve a coragem de tomar decisões difíceis quanto a quatro dos cincos “espólios” da guerra. Ainda que Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã não tenham a soberania israelense reconhecida internacionalmente, o país estabeleceu sua posição através de legislação. A Cisjordânia não teve a mesma sorte. Se, de início, o estabelecimento de população israelense era comum aos cinco “territórios”, a indefinição legal sobre o Sinai e Gaza levou ao desmantelamento de suas respectivas colônias. No Golã e em Jerusalém Oriental, ao menos, a presença judaica se justifica através do reconhecimento de que se trata de territórios israelenses – mesmo que de uma flexibilização destas posições dependam acordos futuros. A Cisjordânia não goza de status tão claro. Construímos colônias em um territórios que nem admitimos fazer parte do país. Embriagamo-nos a ponto de que, hoje, vivem cerca de 350 mil israelenses em territórios palestinos. E esse número sequer inclui os novos bairros de Jerusalém Oriental.</p>
<p>A ocupação se dá através da mescla entre assentamentos israelenses e palestinos, de forma a inviabilizar uma indolor re-divisão da terra. Mais do que a simples (se é que pode-se chama-la da “simples”) colonização de terra estrangeira, a ocupação é um vírus que está matando o sionismo por dentro. É tolo todo aquele que não quer entender que, acima de educação, saúde, estabilização da inflação ou cuidados com os idosos, a criação do Estado palestino é a prioridade mais urgente do Estado de Israel na atualidade. E isso afeta qualquer aspecto a ser analisado:</p>
<p>Consciência moral: Não faz parte de nenhum valor judaico a opressão de um povo inteiro. Mesmo que os cerca de 1,5 milhão de habitantes de Gaza não estejam sob ocupação militar israelense, o bloqueio terrestre, naval e aéreo limita sua real independência e os soma aos 2,5 milhões na Cisjordânia, cujos destinos afetamos diariamente. Não há mecanismo de dissimulação capaz de encontrar justificativas para esse fato, nem para o mal que ele exerce sobre o próprio caráter da população israelense.</p>
<p>Relações Internacionais: Cada passo que tomamos para nos distanciar da solução de “dois Estados para dois povos” é um passo em direção ao isolamento internacional. Se antes de 1967, éramos vistos como um país heroico, de existência quase-milagrosa diante das dificuldades econômicas e militares impostas por nossos vizinhos, hoje somos encarados como potência ocupadora e repressora de quase 4 milhões de vítimas. Durante a maior parte da história do sionismo, enchemos o peito para afirmar que sempre estivemos do lado de uma solução que dividisse a terra entre os dois povos mas nossos vizinhos árabes e palestinos sempre a recusaram. Desde novembro último, como brilhantemente explica meu amigo Michel Gherman em seu blog, oficialmente optamos por trocar de papéis.</p>
<p>Israel deve se apressar em retornar às negociações se tem interesse que estas sejam feitas sob os seus termos, por exemplo: apresentar-se disposta a negociar um divisão de Jerusalém Oriental nos levará a um acerto muitos mais benéfico do que ignorar que haja uma questão a ser definida e, futuramente, caia sobre nossas cabeças um modelo consensual internacional, segundo o qual poderemos perder o livre acesso que temos a áreas além das fronteiras de 1949-1967, como o Muro das Lamentações e a Universidade Hebraica. O mundo desistirá em breve de sua insistência na criação do Estado palestino e passará a exigir que tenhamos a dignidade de assumir que anexamos a Cisjordânia. Se isso acontecer, por mais que muitos finjam ser possível outro caminho, nos será imposto o dilema entre conceder cidadania aos palestinos ou viver em um Estado de apartheid. Em ambos os casos – ainda que no segundo isso possa levar alguns anos – daremos adeus ao sonho do Estado Judeu. Qualquer governo que se recuse a admitir este simples fato não é um governo sionista de verdade</p>
<p>Economia: No mundo globalizado em que vivemos, os países organizam-se em blocos regionais para enfrentar a concorrência econômica internacional. Apenas um acordo definitivo com os palestinos nos permitirá o reconhecimento mútuo e completo com nossos vizinhos e nossa inserção no crescente mercado consumidor do Oriente Médio. Poderíamos sonhar, inclusive, com um mercado comum, que derrubasse barreiras alfandegárias e nos permitisse aproveitar o crescimento econômico dos países petrolíferos do Golfo Pérsico. A paz duradoura representaria também uma redução no custo de vida, através da compra de mercadorias que nossos vizinhos podem nos oferecer a preços inferiores aos que pagamos atualmente a exportadores mais distantes. Inclusive água e petróleo. Laços comerciais gerariam uma interdependência bastante saudável para a criação da consciência de que partilhamos de um futuro comum. Contribuiriam para a criação de laços pessoais.</p>
<p>Turismo: Ainda no âmbito dos ganhos financeiros, a indústria do turismo poderia passar por uma revolução. Milhões de cidadãos dos países árabes poderiam se livrar dos tabus sociais e visitar Israel. O velho hábito de conhecer diversos países em uma única viagem poderia também ser aplicado à nossa região, que se livraria dos boicotes a determinados passaportes, carimbos e vistos. O cidadão israelense também usufruiria, logicamente, de uma série de destinos a nossa volta, onde poderia desfrutar de férias sem ter que encarar vôos mais longos. Sem mencionar o fato de que o vôos de Israel para diversas partes do mundo seriam encurtados (em até 90 minutos), se os países árabes e muçulmanos à nossa volta concedessem às aeronaves israelenses autorização para sobrevoar seus espaços aéreos.</p>
<p>Trabalhadores estrangeiros: Assunto na moda entre a direita racista, o crescimento do número de trabalhadores africanos presentes no mercado de trabalho israelense poderia ser facilmente revertido à situação anterior, em que as fronteiras eram abertas para os palestinos que queriam vir trabalhar em Israel. Morando aqui do lado, os trabalhadores palestinos não precisariam mudar-se para Israel e ainda contribuiríamos para a redução da alta taxa de desemprego nos territórios. Poderíamos seguir acolhendo refugiados das guerras civis locais, mas sem a necessidade de atração proposital de uma mão-de-obra que já foi europeia-oriental e hoje é asiática e africana.</p>
<p>Orçamento e investimento: O fim da ocupação representaria o fim imediato de todo um custoso aparato militar dentro dos territórios. Posteriormente, a normalização das relações entre Israel e os demais países da região poderia contribuir para mais cortes no orçamento da defesa. Um país cheio de desigualdades sociais (as maiores do mundo desenvolvido) não pode seguir gastando mais de 6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) – e 16% de todos os gastos governamentais – no orçamento de defesa. Adicionalmente, cada centavo gasto em infraestrutura nos territórios é um centavo investido em terras que, provavelmente não ficarão sob autoridade israelense em um acordo futuro e, consequentemente, é um centavo a menos investido no futuro de Israel. Todo esse dinheiro, tanto do orçamento militar quanto dos investimentos em infraestrutura nos territórios, poderia estar sendo gasto dentro de Israel, não apenas em infraestrutura – ainda que esta também seja uma necessidade – mas também em saúde, serviços para a população e educação de nossa próxima geração, além de poder ser parcialmente revertido em cortes nos impostos que pressionam nossa cada vez mais empobrecida classe média.</p>
<p>Estes são apenas alguns exemplos de como usufruiríamos do estabelecimento de um Estado palestino independente, ao nosso lado. Sequer falamos de assuntos menos urgentes, como intercâmbios culturais e esportivos, ou da maior boa vontade que o resto do mundo teria para conosco em termos de comércio e cooperação. Tampouco pode ser ignorada a triste realidade da juventude israelense, automaticamente convocada ao serviço militar após o Ensino Médio. Dezenas de milhares de rapazes e moças que anualmente interrompem suas vidas por, respectivamente, três e dois anos e submetem-se a uma experiência que sem dúvida molda sua personalidade. São incontáveis as áreas a serem beneficiadas por um acerto definitivo com os palestinos, e a consequente estabilidade regional que ele nos traria. A normalização da vida em Israel só ocorrerá com o fim da ocupação, que deveria ser a nossa prioridade nacional.</p>
<p>Naturalmente, não venho exigir de ninguém um comportamento ingênuo. O Estado deve seguir capaz de defender-se, e muito bem. Mas parte deste esforço de defesa também passa por não criar razões de inimizade regionais. Como afirmei no início, não devemos almejar a paz a curto prazo, mas sim o fim da ocupação, dos desafios morais que ela nos impõe e do mal que nos causa. São inúmeros os casos de povos vizinhos que, por séculos, muitos mais tempo do que o conflito aqui já dura, se odiaram e se enfrentaram. Mas suas lideranças foram corajosas o suficiente para emergir em meio ao ódio e à desconfiança e estabelecer acordos. A paz, que só é verdadeira se entre os povos, vem com o tempo, após algumas gerações. Devemos desocupar a Cisjordânia por que os palestinos e os judeus merecem ser um povo livre em sua terra e atualmente não o somos. Ambos os povos somos reféns da ocupação.</p>
<p>Só não enxerga quem não quer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>—</p>
<p>Fonte dos dados sobre o orçamento e os gastos militares:</p>
<p>http://www.tradingeconomics.com/israel/military-expenditure-percent-of-gdp-wb-data.html</p>
<p>Foto de destaque:</p>
<p>http://media.cmgdigital.com/shared/lt/lt_cache/thumbnail/960/img/photos/2013/01/07/39/1a/e0abf0d98e764041bcd222c21cbc83cf-27dd86811c9e429aabfa45fda9011577-0.jpg</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tags:árabe, árabes, cisjordânia, conflito, futuro, gaza, Golã, Israel, Jerusalém, judeus, negociações, ocupação, palestina, palestinos, paz, slider, territórios</p>
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		<title>ONU dá status de &#8216;Estado observador&#8217; a palestinos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 22:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
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		<description><![CDATA[A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) modificou nesta quinta-feira (29) o status dos territórios palestinos, de “entidade observadora” para “estado observador não-membro” na organização, no que significa um reconhecimento implícito da existência do Estado Palestino. O pedido palestino &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/29/onu-da-status-de-estado-observador-a-palestinos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1336" class="wp-caption aligncenter" style="width: 326px"><a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/files/2012/11/ABBAS.jpg"><img class="size-full wp-image-1336" title="ABBAS" src="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/files/2012/11/ABBAS.jpg" alt="" width="316" height="236" /></a><p class="wp-caption-text">Abbas: &#8220;Última chance para a solução de dois Estados&#8221;</p></div>
<p>A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) modificou nesta quinta-feira (29) o status dos territórios palestinos, de “entidade observadora” para “estado observador não-membro” na organização, no que significa um reconhecimento implícito da existência do Estado Palestino.</p>
<p>O pedido palestino foi aprovado por vasta maioria, de 138 votos a 9.</p>
<p>Abstiveram-se da votação 41 países.</p>
<p>Leia mais: <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/11/assembleia-geral-da-onu-da-status-de-estado-observador-palestinos.html">http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/11/assembleia-geral-da-onu-da-status-de-estado-observador-palestinos.html</a></p>
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		<title>FSM Palestina Livre divulga atividades</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 16:58:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Organização divulga mensagem de boas-vindas, programa de conferências e eventos auto-gestionados. http://www.ciranda.net/article6684.html O Documento de Referência faz uma análise básica da situação na Palestina, identifica claramente as principais demandas e indica estratégias de solidariedade para uma paz justa, baseada em direitos humanos e no &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/29/fsm-palestina-livre-divulga-atividades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Organização divulga mensagem de boas-vindas, programa de conferências e eventos auto-gestionados. http://www.ciranda.net/article6684.html</p>
<p>O Documento de Referência faz uma análise básica da situação na Palestina, identifica claramente as principais demandas e indica estratégias de solidariedade para uma paz justa, baseada em direitos humanos e no direito internacional.</p>
<p>Chegou a hora e, depois de dois anos de debates e trabalho coletivo, milhares de ativistas e organizações de 36 países estão se reunindo em Porto Alegre para fazer deste Fórum Social Mundial Palestina Livre um evento histórico.<span id="more-1332"></span></p>
<p>Quando decidimos a data para esta convergência em solidariedade ao povo palestino – exatamente 65 anos depois que a ONU aprovou o Plano de Divisão da Palestina – sabíamos que seria realizado em um momento-chave da história. Os recentes ataques a Gaza, que em apenas uma semana deixaram mais de 150 palestinos mortos e quase 1000 feridos, tornaram este evento urgente. Queremos que o mundo escute nosso grito de solidariedade a Gaza e que saiba que apoiamos a luta da Palestina!</p>
<p>Quando as organizações palestinas e brasileiras concordaram no local, Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, ficamos orgulhosos de trazer o FSM Palestina Livre para esta cidade tão intimamente ligada à história do processo do Fórum Social Mundial. Nos últimos dois anos, o processo de preparação, organização e mobilização para o FSM Palestina Livre aumentou a consciência e solidificou compromissos com o movimento global de solidariedade à Palestina em Porto Alegre, na região e no Brasil em geral, e já criou um impacto duradouro.</p>
<p>O fórum está baseado em um forte processo que construiu um consenso entre os comitês palestino, brasileiro e internacional, fundamentado no Documento de Referência desenvolvido na Palestina no início de 2012. O Documento de Referência faz uma análise básica da situação na Palestina, identifica claramente as principais demandas e indica estratégias de solidariedade para uma paz justa, baseada em direitos humanos e no direito internacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O programa de eventos autogestionados e as sessões principais vão expandir</p>
<p>e desenvolver ainda mais este consenso através de propostas de discussões</p>
<p>e planos de ação, campanhas e iniciativas. As principais conferências</p>
<p>estão programadas de forma a apresentar em seqüência os objetivos básicos</p>
<p>da luta palestina, os marcos legais das nossas demandas, campanhas de</p>
<p>solidariedade ao redor do mundo, formas de construir a solidariedade à</p>
<p>Palestina dentro dos movimentos sociais e, finalmente, situar a luta</p>
<p>palestina entre as lutas dos movimentos globais e locais por liberação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esperamos que o FSM Palestina Livre possa efetivamente contribuir para</p>
<p>construir um apoio concreto à causa palestina e reforçar nossa luta comum</p>
<p>por um mundo sem os muros da opressão. Confira o programa em</p>
<p>http://www.ciranda.net/article6684.html</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O conflito não começou com foguetes lançados contra Israel</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 16:54:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[18/11/2012, Phyllis Bennis , The Real News Network, TRNN “The Roots of Israeli Attack on Gaza ” Vídeo-entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu JESSICA DESVARIEUX, produtora, TRNN: Bem-vindos à The Real News Network. Sou Jessica Desvarieux, em Baltimore. Dia &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/29/o-conflito-nao-comecou-com-foguetes-lancados-contra-israel/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>18/11/2012, Phyllis Bennis , The Real News Network, TRNN</p>
<p>“The Roots of Israeli Attack on Gaza ”</p>
<p>Vídeo-entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu</p>
<p>JESSICA DESVARIEUX, produtora, TRNN: Bem-vindos à The Real News Network. Sou Jessica Desvarieux, em Baltimore.</p>
<p>Dia 14/11, o governo de Israel atacou Gaza, matando um dos comandantes militares do Hamás. Para falar sobre isso, temos conosco Phyllis Bennis. Phyllis é diretora do Novo Projeto Internacionalismo, do Instituto para Estudos Políticos em Washington, D.C. É autora de Before and After: U.S. Foreign Policy and the September 11th Crisis, de Ending the U.S. War in Afghanistan: A Primer,Understanding the U.S.-Iran Crisis: A Primer e de Understanding the Palestinian-Israeli Conflict: A Primer. Obrigada por nos receber, Phyllis.</p>
<p>PHYLLIS BENNIS: Ótimo. Obrigada pelo convite, Jessica.</p>
<p>DESVARIEUX: Por favor, Phyllis, qual sua opinião sobre o que acaba de acontecer em Gaza?</p>
<p>BENNIS: Acho que estamos assistindo a uma grande escalada de Israel contra Gaza, em tudo semelhante à Operação Chumbo Derretido, de 2008-9, que também começou imediatamente depois – então, foi a primeira eleição – do presidente Obama, e antes de o presidente eleito tomar posse, nos dois casos.<span id="more-1330"></span></p>
<p>Agora, vimos essa escalada gigante logo depois, dois dias depois de um cessar-fogo negociado pelo Egito e que parecia aceito pelos dois lados. Mas Israel respondeu ao cessar-fogo com o assassinato de um líder em Gaza, Ahmed al-Jaabar i, o qual, dentre outras coisas era, sim, comandante do braço militar do Hamás, mas também, nos últimos anos, trabalhara como principal negociador com Israel e negociou, dentre outras coisas, a libertação do soldado israelense Gilad Shalit , que o Hamás capturara, em troca da libertação de mais de 1.000 palestinos que eram prisioneiros em Israel.</p>
<p>Nesse contexto, Jaabari negociava com vários intermediários, do movimento de pacifistas israelenses e de grupos egípcios, e tentava construir um cessar-fogo de longo prazo entre o Hamás e Israel. Jaabari estava nessa posição e – como já aconteceu outras vezes, quando havia negociações em andamento entre israelenses e palestinos, o governo de Israel respondeu à tentativa de acordo, assassinando palestinos que trabalhavam para o acordo de paz.</p>
<p>Aconteceu exatamente assim há vários anos, quando outro líder do Hamás foi assassinado em Gaza enquanto analisava o texto de uma proposta de acordo de paz. Isso aconteceu em 1996. Quero dizer: não há novidade.</p>
<p>É preciso entender tudo isso no contexto da guerra de drones dos EUA e da prática, já estabelecida no EUA, dos “assassinatos predefinidos”, assassinatos de alvos predefinidos, “targeted assassination”. Torna-se ainda muito mais difícil, para todos que trabalhamos para modificar essa política de assassinatos na qual os EUA já se engajaram, agora, exigir que os EUA pressionem Israel para que interrompam a prática desses assassinatos com alvo predefinido, se se sabe, como sabemos, que essa prática, precisamente, é a principal política dos EUA no Afeganistão, no Paquistão, no Iêmen, na Somália e, talvez, em outros pontos. Esse é um dos aspectos do que está acontecendo em Israel.</p>
<p>Outra questão é saber quem responde a quem. A história, como você sabe, é sempre predeterminada, desde os primeiros passos. Nesse caso, ouve-se falar muito – toda a imprensa-empresa nos EUA diz a mesma coisa –, que Israel estaria reagindo a foguetes disparados pelos palestinos: os palestinos lançaram foguetes, os foguetes dos palestinos, sempre a mesma conversa; e que Israel estaria respondendo. Só muito raramente há notícias sobre mortes entre os palestinos; a imprensa só tem olhos e ouvidos para os foguetes palestinos e o dano que causam em Israel; e o que fazem os palestinos.</p>
<p>No caso atual, é verdade que, antes do assassinato de Jaabari, houve fogo antitanque disparado por uma das facções de palestinos armados, contra um grupo de soldados israelenses e vários deles foram feridos. A pergunta, nesse caso, passa a ser: “Mas por que os palestinos atiraram contra o tanque israelense?”.</p>
<p>Na segunda-feira passada, por exemplo, forças israelenses mataram um adolescente , em Gaza, que se aproximou da cerca de fronteira. A família do menino e outras testemunhas disseram que se tratava de deficiente mental, que não sabia onde estava. Os israelenses alegam que lhe ordenaram que se afastasse da cerca. O menino ou não ouviu ou não entendeu ou não prestou atenção, e os israelenses o mataram. Noutro ataque, dois dias depois desse, na quinta-feira, os militares israelenses mandaram tanques e um blindado para Gaza, em território ocupado, em Gaza, e os soldados atiraram e mataram outro adolescente, de 13 anos, que estava num campo de futebol, a cerca de 1.200 m, mais e 1 km de distância do ponto onde estavam os soldados.</p>
<p>Isso é o que acontece em Gaza, praticamente é a rotina, e ninguém parece dar qualquer atenção. Só quando há uma grande escalada, quando Israel mobiliza uma grande operação militar (ou, como nesse caso, quando os israelenses assassinam um comandante do Hamas), é que se vê alguma indignação e mais gente presta atenção ao que acontece em Gaza.</p>
<p>O que eu temo é perigo ainda maior que essa desatenção. Temo que o mundo comece a discutir como se essa situação fosse alguma espécie de ‘nova normalidade’. Israel reage assim, por essa ou aquela ração, e só se discutem as respostas de Israel. Aos poucos, todos esquecerão que, ali, sempre e necessariamente a questão central é a ocupação ilegal, por Israel, de terras palestinas.</p>
<p>A questão central é essa: a ocupação.</p>
<p>A modalidade de ocupação em Gaza é diferente. Não há soldados israelenses em campo. Os colonos e soldados israelenses retiraram-se, oficialmente, em 2005. Mas a legislação internacional é muito clara: há ocupação quando um território é controlado de fora para dentro, por governo externo. E essa, precisamente, é a realidade em Gaza. Há ali uma modalidade bem clara de sítio; os militares israelenses controlam as fronteiras, decidem quem pode entrar e quem pode sair, que bens e produtos podem entrar ou sair, controlam o mar que cerca Gaza, construíram muros de apartheid, controlam o espaço aéreo, bombardearam o aeroporto, de tal modo que nenhum avião pode pousar em Gaza, impedem os pescadores de Gaza de avançar, no mar, além de uma milha da costa – isso é ocupação, em formato diferente. E até que se compreenda bem essa realidade de fundo, que é a raiz da violência que se vê hoje, ninguém terá condições de trabalhar para pôr fim ao massacre dos palestinos.</p>
<p>Evidentemente, a primeira coisa a fazer é impor um imediato cessar-fogo. Mas, a menos que se compreendam com clareza que a base de todos os conflitos é a ocupação ilegal de terras palestinas, nenhum cessar-fogo será estável ou duradouro.</p>
<p>DESVARIEUX: Obrigada, Phyllis, por nos receber. O canal The Real News Network, TRNN continuará a cobrir os conflitos em Gaza.</p>
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		<title>É hoje</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 15:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando (quase) sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[manchete]]></category>

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		<description><![CDATA[Como parte das atividades do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, comemorado mundialmente em 29 de novembro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio http://www.unicrio.org.br/) disponibiliza hoje uma exposição online sobre a ONU e a Questão da Palestina. &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/29/e-hoje/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Como parte das atividades do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, comemorado mundialmente em 29 de novembro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio <a href="http://www.unicrio.org.br/">http://www.unicrio.org.br/</a>) disponibiliza hoje uma exposição online sobre a ONU e a Questão da Palestina.</p>
<p>Produzida pelo Departamento de Informação Pública (DPI) da ONU, a exposição tem informações sobre a origem do conflito, o trabalho da ONU na região, as negociações de paz e a vida dos palestinos. Também estão disponíveis dados sobre a cooperação e assistência do Governo Brasileiro com a Palestina nos últimos anos.</p>
<p>Acesse também dois vídeos especiais, um sobre o tema da exposição –</p>
<p><a href="http://youtu.be/fQWkTJ1Y57E">http://youtu.be/fQWkTJ1Y57E</a> – e outro sobre o trabalho da Agência das</p>
<p>Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos</p>
<p>(UNRWA&lt;<a href="http://www.unicrio.org.br/">http://www.unrwa.org</a>/&gt;) – <a href="http://youtu.be/Qshz3wv6Z60">http://youtu.be/Qshz3wv6Z60</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leia ainda a mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon:</p>
<p><a href="http://youtu.be/Qshz3wv6Z60">http://bit.ly/PalestinaSG2012</a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A PEC da Empresa nacional</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Nov 2012 23:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade Alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[manchete]]></category>

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		<description><![CDATA[Mauro Santayana - Em obediência ao Consenso de Washington, uma das primeiras iniciativas do governo entreguista e antinacional de Fernando Henrique Cardoso foi a de promover, em agosto de 1995 – oito meses depois da posse – a supressão do artigo &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/28/a-pec-da-empresa-nacional/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Mauro Santayana - Em obediência ao Consenso de Washington, uma das primeiras iniciativas do governo entreguista e antinacional de Fernando Henrique Cardoso foi a de promover, em agosto de 1995 – oito meses depois da posse – a supressão do artigo 170, acima transcrito, e que definia o que se poderia considerar empresa brasileira e empresa nacional.</p>
<p>O deputado Assis Melo, do PCdoB do Rio Grande do Sul, conseguiu aprovar, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, proposta de emenda constitucional que restaura o artigo 170, da Constituição Federal de 1988. É o dispositivo que define o que é empresa brasileira e o que é empresa nacional, distinguindo ambas das empresas estrangeiras e multinacionais.<span id="more-1324"></span></p>
<p>Nem todos se lembram, hoje, da Comissão de Estudos Constitucionais que, sob a presidência do professor Afonso Arinos, elaborou proposta de anteprojeto da Constituição de 1988. Poucos – e sou um dos privilegiados –têm em seu poder o texto entregue solenemente ao Presidente Sarney, em 1986. Nele se encontram os dispositivos mais importantes que os constituintes acolheriam no documento a que Ulysses Guimarães deu o nome de Constituição Cidadã.</p>
<p>Como membro daquele grupo &#8211; e pelo dever de ofício, por ter sido seu secretário executivo &#8211; registro que a defesa do interesse nacional prevaleceu, e de longe, nas discussões e na redação final do anteprojeto.</p>
<p>E entre os mandamentos que propúnhamos, houve um contra o qual ninguém se opôs, ainda que houvesse entre nós conservadores notórios e empresários associados a empreendedores estrangeiros. Trata-se do artigo 323, de nossa proposta, assim como foi redigido, por Barbosa Lima Sobrinho e aprovado por todos:</p>
<p>“Só se considerará empresa nacional, para todos os fins de direito, aquela cujo controle de capital pertença a brasileiros e que, constituída e com sede no País, nele tenha o centro de suas decisões”.</p>
<p>Os constituintes partiram da sugestão de Barbosa Lima Sobrinho e aprovaram os seguintes dispositivos, no texto original, de 5 de outubro de 1988:</p>
<p>“Art. 171. São consideradas:</p>
<p>I &#8211; empresa brasileira a constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País;</p>
<p>II &#8211; empresa brasileira de capital nacional aquela cujo controle efetivo esteja em caráter permanente sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou de entidades de direito público interno, entendendo-se por controle efetivo da empresa a titularidade da maioria de seu capital votante e o exercício, de fato e de direito, do poder decisório para gerir suas atividades.</p>
<p>§ 1º A lei poderá, em relação à empresa brasileira de capital nacional:</p>
<p>I &#8211; conceder proteção e benefícios especiais temporários para desenvolver atividades consideradas estratégicas para a defesa nacional ou imprescindíveis ao desenvolvimento do País;</p>
<p>II &#8211; estabelecer, sempre que considerar um setor imprescindível ao desenvolvimento tecnológico nacional, entre outras condições e requisitos:</p>
<p>a) a exigência de que o controle referido no inciso II do caput se estenda às atividades tecnológicas da empresa, assim entendido o exercício, de fato e de direito, do poder decisório para desenvolver ou absorver tecnologia;</p>
<p>b) percentuais de participação, no capital, de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou entidades de direito público interno.</p>
<p>§ 2º Na aquisição de bens e serviços, o poder público dará tratamento preferencial, nostermos da lei, à empresa brasileira de capital nacional”.</p>
<p>Em obediência ao Consenso de Washington, uma das primeiras iniciativas do governo entreguista e antinacional de Fernando Henrique Cardoso foi a de promover, em agosto de 1995 – oito meses depois da posse – a supressão do artigo 170, acima transcrito, e que definia o que se poderia considerar empresa brasileira e empresa nacional. Com isso, qualquer empresa que se organizasse no Brasil, como tantas o fizeram, e continuam a fazer, como subsidiária de sua matriz estrangeira tem o mesmo tratamento das empresas realmente nacionais.</p>
<p>O então presidente abria caminho, com essa emenda, para o crime maior, o da privatização das empresas públicas. Com criminoso cinismo, as empresas estrangeiras que adquiriram o controle das empresas estatais brasileiras foram financiadas com o dinheiro do FAT (Fundo de Amparo aos Trabalhadores) administrado pelo BNDES. A primeira providência dessas empresas foi o da “reengenharia” administrativa, com a demissão de milhares de trabalhadores. Eles haviam financiado, com o FAT, a sua própria miséria.</p>
<p>Com o desastre que o neoliberalismo provocou no mundo e atinge agora os países centrais que supunham ganhar com a globalização, o Congresso tem a sua oportunidade de se redimir da vergonhosa capitulação de há 17 anos.</p>
<p>O momento é favorável a que a emenda do deputado Assis Melo tenha trâmite rápido no Congresso, para que não ocorra, de novo aqui o que está ocorrendo com os povos europeus. É também um teste para a maioria parlamentar e para o próprio governo. Se a emenda do parlamentar gaúcho for rejeitada, o grande vencedor virá a ser o agente ostensivo, no Brasil, da ordem neoliberal – Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lessa pensa o Desenvolvimento</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rogerio-lessa/2012/11/27/lessa-pensa-o-desenvolvimento/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Nov 2012 19:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério Lessa</dc:creator>
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