Falando (quase) sozinho

Este espaço iria se chamar “Falando Sozinho”, até que surgiu a lúcida entrevista que (está lá embaixo) do talvez último grande líder político vivo: Fidel Castro.  Eu e Fidel (como se pode ler abaixo) achamos o governo do Irã deve largar de ser antissemita e evitar uma guerra nuclear. Achamos também que os judeus sofreram muito mais que os muçulmanos, pois são o povo mais caluniado da história.

Porém é claro que isto não justifica a expansão de construções na Cisjordânia, com aval dos Estados Unidos. Este apoio do império se tornou maior do que o da própria sociedade israelense, cada vez mais tida como intolerante, mas que possui muitos movimentos que protestam contra a ocupação, denunciando ao mundo cada tijolo assentado em terra palestina.

Para mim não justifica apoiar tiranias só por que fazem discurso anti-imperialista.

Também não estou sozinho porque, além de mim, o Itamaraty e os governos de mais uma centena de países somos pelo Estado Palestino nas fronteiras anteriores a 1967. Defender essas fronteiras, na minha opinião, expõe muito mais as contradições de Israel do que bravatas que, a meu ver, só fortalecem a direita. Além disso, evita calúnias como dizer que Israel é fruto do planejamento americano. Evita que se esqueça que antes de 1967 não havia ocupação e mesmo assim Israel não era tolerado pelos vizinhos.

Observei com o tempo,  que  muita gente progressista enxerga que o conflito Israel-Palestina é usado para impedir o desenvolvimento da região, vender armas e desviar a atenção da financeirização, da concentração do capital (que não tem pátria) e até de outros interesses geopolíticos, como o conflito entre as Coréias que há poucos meses fez o Japão recuar de sua decisão de dispensar a “proteção” da base militar americana.

Israel não está no Japão, Afeganistão, Iraque ou nenhum país produtor de petróleo. Israel não tem moeda forte e não faz parte da Otan, como a Turquia, que está com os EUA nas ocupações do Oriente Médio.

Israel está na Cisjordânia e nas Colinas de Golã. Já existe um boicote de bancos europeus contra isto, mas não conta com o apoio daqueles que insistem na absurda ideia de que os judeus mandam nos bancos e têm um plano de dominação do mundo.

“Proletariado do mundo, uní-vos!”

Segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), em breve apenas 500 empresas  dominarão toda a produção mundial, direta ou indiretamente. Acho ridículo existir o sindicato dos bancários de Teresópolis nesse contexto, que inclui, ainda, fluxo quase on line de capitais do Brasil para a Turquia ou Ilhas Cayman. Cada vez mais, fazem  sentido as máximas “Proletariado do mundo, uní-vos!” e “A religião é o ópio do povo”.

Nasser, líder egípcio, que era progressista e laico, queria criar uma potência  pan-arábica (portanto, semita, como os judeus) na qual não cabiam os judeus. Hoje, Israel é um país árabe, pois 55% de sua população são judeus-árabes  refugiados dos países vizinhos e 20% de palestinos com cidadania israelense. Se o Egito aceitasse Israel, em vez de prometer destruí-lo, quem sabe hoje seria um país desenvolvido?

Quando Israel foi criado, o primeiro país a reconhecer foi a União Soviética.  Creio que porque os judeus ajudaram fazer a Revolução de 1917 e criaram o partido comunista palestino. Quem não reconheceu foram os vizinhos. Freud explica.

Atacaram Israel após a decisão da ONU: o império britânico(General Glub Paxá), latifundiários árabes e fanáticos religiosos, que se aliaram a Hitler.

Hoje alguns religiosos judeus estão no poder em Israel e têm as seguintes características: põe véus nas mulheres, interpretam a bíblica ao pé da letra, ou seja, cada vez mais se parecem com os vizinhos. No entanto, não são todos os religiosos judeus que se opõem ao Estado Palestino. Não sei se isso ocorre do lado dos muçulmanos.

Desejo um mundo multipolar, não trocar um império por outro, sem jazz e sem biquíni. A China arrasou a indústria têxtil egípcia e até a produção de xales palestinos pirateou. Também não quero ser dominado por fanáticos religiosos. Sou pela luta de classes e contra o ópio do povo, inclusive contra os religiosos judeus que não querem compartilhar  Jerusalém  com os outros filhos de Abraão.

Por outro lado, o expansionismo de Israel parece se resumir a isto, pois o país saiu de Gaza, do Sul do Líbano, nunca quis ocupar o Iraque, Jordânia, ou o Egito, a quem devolveu o sagrado Monte Sinai (cujo território é TRÊS VEZES maior que o de Israel) em troca do acordo de paz.

Espero que os jovens árabes e iranianos evoluam para um Estado laico, desenvolvimentista  e democrático, mais parecido com o cubano do que com o americano.

Há 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo e apenas 6 milhões de judeus israelenses. Desde que Stalin, na Guerra Fria, optou por vender armas para os que querem “destruir Israel” e possuem petróleo, não há como Israel dispensar a “proteção” dos americanos, assim como o poderoso Japão teve que voltar atrás.

Pensando melhor, a maneira de dispensar as bases americanas é promover a paz.

A Irmandade Muçulmana, que hoje apoia o Hamas,  matou Sadat – há quem diga que essa organização flertou com as oito famílias que hoje dominam o mercado financeiro, de armas e de petróleo. Na minha opinião, a Irmandade acabou abrindo caminho para que Mubarak assumisse o governo egípcio por três décadas, assim como Bin Laden foi o presente que Bush esperava. Isto porque não aceitou o acordo de paz mediado por Carter, um dos melhores (menos piores?) presidentes dos EUA no Século 20

Interessante também ler esta carta do cineasta Silvio Tendler, na qual diz claramente “Se me derem um manifesto condenando a invasão do Líbano e também o terrorismo anti-Israel assino agora. Manifestos que tomam partido de um lado esquecendo que existem vitimas civis dos dois lado, estou fora”:

 http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1093513-EI6623,00-Cineastas+em+tempo+de+Guerra.html

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Ahmadinejad deveria abandonar antissemitismo, afirma Fidel Castro

Ex-líder cubano diz que presidente iraniano deveria entender os motivos pelos quais judeus foram perseguidos

BBC Brasil | 08/09/2010 14:20

O ex-presidente cubano Fidel Castro disse em entrevista a uma revista americana que o Irã e o seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, deveriam abandonar o antissemitismo e tentar entender os motivos pelos quais os judeus foram perseguidos em todo o mundo ao longo da história. Castro convidou o jornalista Jeffrey Goldberg, da revista americana The Atlantic Monthly, para uma conversa em Havana, depois de ter lido um artigo seu sobre as relações entre Israel e Irã.

Fidel Castro discursou na Universidade de Havana na sexta-feira

O ex-presidente cubano está afastado do poder desde 2006 devido a problemas de saúde. Ele renunciou ao cargo em favor do seu irmão, Raúl Castro, que hoje governa Cuba.

Nas últimas semanas, Fidel Castro tem demonstrado que seu estado de saúde melhorou. No mês passado, o líder fez seu primeiro discurso no Parlamento nos últimos quatro anos. Na semana passada, falou a milhares de estudantes da Universidade de Havana. Nas duas ocasiões, Fidel abordou o risco de uma guerra nuclear envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel.

Recado

Na entrevista para a Atlantic Monthly, cuja primeira parte foi publicada no site da revista na terça-feira, Fidel diz que nenhum povo foi tão perseguido na história quanto os judeus.

Leia também:

“Os judeus tiveram uma existência muito pior que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto”, disse Castro a Goldberg, que é especializado em Oriente Médio. Em seguida, Fidel Castro pede que o jornalista passe o recado para Ahmadinejad.1962, a União Soviética instalou uma base militar em Cuba para apontar mísseis para os Estados Unidos, no momento mais tenso da Guerra Fria, quando as duas superpotências quase entraram em guerra nuclear.

Em um trecho da entrevista, Fidel faz uma autocrítica sobre a sua posição na crise dos mísseis, durante a Guerra Fria. Em

“Depois que eu vi o que eu vi, e sabendo o que eu sei hoje, eu sei que aquilo não valia a pena”, disse Fidel à revista.

 

Contrariando o senso comum

Publicado em por rogeriolessa

Esta notícia, publicada no site do movimento Paz Agora, integrado por judeus e palestinos, desmente o senso comum e é boa por se tratar de judeus americanos, alvo preferido do esterereótipo da antipatia ultimamente, mas que ajudaram a popularizar o jazz com suas letras denunciando o sofrimento dos negros.

 

Judeus americanos pedem a Obama que não vete resolução anti-assentamentos

 20 | 01 | 2011 » Americans for Peace Now, J Street, JTA 

As ONGs J Street e Americans for Peace Now instaram o presidente Obama a não autorizar um veto dos Estados Unidos a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condena a construção de assentamentos israelenses.  

Numa declaração postada no seu site, o J Street observou que por 40 anos e ao longo de oito mandatos presidenciais, os Estados Unidos instaram Israel a parar de construir assentamentos.

A resolução apresentada nesta semana condena a contínua construção de assentamentos e insta Israel e os palestinos a avançar para negociações para uma paz definitiva.

“Estes são sentimentos que partilhamos e que, acreditamos, são também da maioria dos judeus americanos e dos amigos de Israel” – diz a declaração. “Assim, instamos o governo Obama a propor, rapidamente e com grande apoio internacional, sua própria iniciativa diplomática,  arrojada e proativa , incluindo idéias para o estabelecimento de fronteiras e arranjos de segurança… afirmando uma liderança clara num esforço sério para alcançar uma solução de dois Estados para o conflito, os EUA poderá conceder consideração imediata a esta nova resolução do Conselho de Segurança”.

A resolução tem 120 co-patrocinadores, na maioria países árabes e não-alinhados. Provavelmente será votada em fevereiro. Como os EUA é membro permanente do Conselho de Segurança, seu veto iria suprimir a medida.

Enquanto isto, a APN  declarou à imprensa que o conteúdo da resolução “é consistente com a posição, com relação aos assentamentos, mantida há longo tempo pelos EUA, e que ela apóia explicitamente negociações e a solução de dois-Estados” e que “O contexto (da resolução) é a recusa dogmática de Israel a se abster de uma atividade de assentamento que é destrutiva para a paz e para o futuro de Israel”.

Um veto à resolução “contribuiria para a idéia perigosamente inocente de que as políticas de assentamento não causam dano duradouro a Israel… e enviaria uma mensagem para o mundo de que os EUA não estão apenas concordando com essas ações de Israel, mas que implicitamente as está apoiando”.

Membros de antigos governos dos EUA e tomadores de decisão enviaram carta à Obama, instando-o a endossar a resolução. Um grupo bipartidário de senadores escreveu para Hillary Clinton, Secretária de Estado, instando a apoiar a resolução que, observam, “dita termos para um acordo, ao condenar a política de assentamentos de Israel e chamar ao retorno a conversações de paz.

[ publicado pela Jewish Telegraphic Agency e traduzido pelo PAZ AGORA|BR

 

Na foto, jovem judeu brinca com menino palestino na praia. O encontro é parte de um programa da sociedade civil israelense para aproximação com os vizinhos. Hoje, artistas judeus se recusam a encenar peças em teatros construídos em território ocupado. Estas e muitas outras iniciativas da “intolerante” sociedade israelense não justificam a ocupação, mas oferecem uma alternativa de luta pela causa palestina que pode ser mais eficaz do que bravatas como “jogar Israel ao mar”.

Israel e Jordânia

Dois países “inventados”. Porém, ao contrário do senso comum, o império (britânico) inventou a Jordânia (que ocupa dois terços do que era a Palestina na época) e os judeus do gueto inventaram Israel.

Para os fundamentalistas – Papai Abrahão deixou mais de 50 apartamentos para os filhos, mas o império britânico deu à Jordânia (uma família de xeiques) o amplo imóvel dos palestinos e os deixou a brigar com os judeus pelo quarto de empregada sem garagem (petróleo) e quase sem água.

Cabe perguntar também sobre o tratamento dado aos palestinos que vivem em Israel e na Jordânia. Sabe-se que os palestinos israelenses têm cidadania, mas, na prática, são cidadãos de segunda classe, embora já tenham eleito algumas vezes o prefeito de Jerusalém. Já na Jordânia, cuja população é composta de 30% de palestinos, a mortalidade infantil é maior que em Gaza. Vale lembrar também que os palestinos israelenses não hostis ao governo, enquanto os palestinos jordanianos, apesar do setembro negro de 1970, quando 10 mil foram massacrados, são dóceis à existência da Jordânia em suas terras.

Não vale o argumento de que a antiga Transjosdânia, que se tornou Jordânia após anexar mais terras palestinas, já é um fato consumado. Israel foi até aprovado pela ONU mas todo dia sua existência é questionada.

Vale também fazer uma pesquisa no google sobre o Setembro Negro, de 1970, quando milhares de palestinos foram massacrados pelo Estado jordaniano.

Outras considerações:

Israel aceitou a partilha e até 1967 não ocupava Gaza e Cisjordânia

Israel nunca atacou nenhum país produtor de petróleo. Israel nunca atacou nenhum país que não o tivesse agredido em algum momento.

Única exceção: o Iraque, onde Israel foi e destruiu uma usina nuclear e voltou, sem deixar feridos.

Detalhe: Bush pai usou a Turquia, e não Israel, para atacar Sadam.

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