ESTRANGEIROS CONTROLARIAM ATÉ JUDICIÁRIO. ECONOMISTA VÊ RISCO DE BARBÁRIE
O presidente Porfírio Lobo, que assumiu o governo de Honduras na eleição após o golpe de Estado que destituiu Manuel Zelada do poder, em 2009, assinou memorando privatizando três cidades do país. Batizadas de “cidades modelo”, eles teriam até Executivo, Legislativo e Judiciário totalmente desvinculados do governo hondurenho.
Com isso, suas administrações teriam autonomia para ratificar tratados internacionais, firmar parcerias bilaterais e até ter sua própria política imigratória.
Lobo classificou o projeto como “o mais importante do país em meio século”, mas o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Universidade de Campinas (Unicamp), considera a notícia como “uma das mais violentas que ouvi nas últimas décadas”. Para ele, um projeto como esse só faz sentido como parte de uma política ativa de segregação social “semelhante à da África do Sul do apartheid.”
Fonte: monitormercantil.com.br
Com agentes de segurança, sistema tributário e legislação própria, as “cidades modelo” já estarão à disposição investidores para funcionar no novo modelo em até seis meses.
Um grupo de investidores estrangeiros já viajou a Tegucigalpa, capital do país, para participar da cerimônia e assinar o documento. O argumento do governo é de que essa seria uma forma de forta-lecer a infra-estrutura nacional, bem como supostamente combater a corrupção e o tráfico de drogas.
Sampaio Jr., porém, considera que o grande capital está em busca de novos espaços de reprodução, já que o neoliberalismo levou a economia mundial à estagnação. “Outra tendência correlata a esse absurdo é o fim das políticas públicas e da mobilidade da força de trabalho, enquanto o capital tem livre trânsito”, completa.
Ele alerta que a iniciativa é um risco para a estabilidade na região e pode ser um “tiro no pé” para o grande capital: “A burguesia precisa do Estado para atenuar os conflitos sociais inerentes ao capitalismo.” Fatos & Comentários, página 2