“É um equívoco estimular o investimento na base do incentivo tributário. Gostaria de ver incentivos para produzir a resposta que o governo planeja”. O comentário é do ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, para quem as medidas do governo para estimular a economia deveriam contemplar, ainda, o aumento do investimento público.
“Mas parece que o superávit primário (economia para pagar juros) é intocável. Qualquer alívio por conta da queda dos juros será usado para amortizar a dívida. Até pouco tempo, o discurso era de enfrentar a inflação”, prosseguiu Lessa, para quem o Estado deveria financiar novos projetos de expansão da capacidade produtiva. “Mas a idéia de estimular o empresariado não combina com o baixo nível de confiança destes no futuro da economia. Hoje seria fundamental desvalorizar o real, mas há empresas endividadas em moeda estrangeira”, sublinha.
O economista critica declaração atribuída ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem uma eventual despesa de 10% do PIB “quebraria o Estado brasileiro”. O comentário foi feito sobre informação do BNDES, que registrou aumento de apenas 1% nas liberações de financiamentos entre janeiro e maio deste ano, totalizando R$ 43,8 bilhões. O banco, no entanto, revelou que a procura por crédito cresceu 27%.