Abate de caça turco poderá servir de pretexto para invasão
Nicosía (República De Chipre) – Quem não estudou latim na escola, aprendeu a expressão casus belli (motivo de guerra) pelos jornais, sempre em relação à Turquia. Motivo de guerra, ameaçavam os vizinhos, seria a Grécia expandir suas águas territoriais às 12 milhas marítimas, uma ameaça que quase ninguém na comunidade internacional considerava aceitável.
Mas o que acontece, após a derrubada de um caça-bombardeiro? Constitui ou não constitui casus belli? Agora o primeiro-ministro da Turquia, Retzep Tayyip Erdogan, ameaça a Síria com represálias militares, caso tente praticar mais um “ataque inimigo”. E declara que seu país, embora não vai cair na armadilha daqueles que buscam uma guerra, “não ficará com os braços cruzados, se for alvo de segundo ataque”. A propósito, não ficou claro o que estava procurando o caça-bombardeiro turco, tão perto das costas da Síria.
Além disso, Erdogan, que na realidade está procurando um motivo para invadir a Síria e transformá-la em protetorado otomano – foi apresentar queixa na Organização das Nações Unidas (ONU). Será que teme, realmente, um ataque da Síria? Existe possibilidade de seu ex-parceiro Bashar Al Assad, que mantém-se no poder “com a faca nos dentes e o sangue nos olhos”, declarar guerra contra a Turquia? Uma tal possibilidade fica escrita na área do invisível. O que teme, então, Erdogan?
Provavelmente, teme que a Turquia perca seu frágil brilho ou sua pretensa magnificência na região do Grande Oriente Médio. Há apenas três dias, o novo presidente do Egito, Mohammed El Mursi, apontou a Turquia como modelo e, principalmente, manifestou seu receio de talvez a Turquia fique sozinha ao lado dos escombros de uma Síria dissolvida e suas consequências. Já ao lado turco da fronteira com a Síria têm pedido refúgio 30 mil moradores da Síria, enquanto, mesmo atrasada e relativamente silenciosa, a Turquia apoia a oposição síria.
Erdogan menciona represálias militares, mas antes busca internacionalizar e maximizar as dimensões do episódio, envolvendo a ONU, a Rússia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e até o Irã. Só não tem certeza se seus esforços serão coroados de êxito.
Nos últimos anos a Turquia não é mais o “enfant gâté” da Otan, enquanto a Rússia, embora mantenha relações comerciais cada vez mais estreitas com a Turquia, permanece amiga e aliada da Síria. O mesmo acontece com o Irã, que é o último aliado verdadeiro da Síria.
Serbin Argyrowitz
Sucursal do Grande Oriente Médio