Diálogos Desenvolvimentistas: O verdadeiro desenvolvimento é sempre sustentável

Neste Diálogo Desenvolvimentista, nossos debatedores abordam a questão do aquecimento global e, principalmente, a discussão sobre desenvolvimentismo e sustentabilidade, na qual sobressaiu a ideia de planejamento, fundamental para o verdadeiro desenvolvimento.

Abaixo, 8 vídeos, 10 minutos cada, de um documentário sobre as mentiras divulgadas pela mídia, ONG’s, IPCC, e representantes governamentais referentes ao (inexistente) aquecimento global e a vilania do gás carbônico (CO2).

 

1. http://youtu.be/FxOlj53ILDE

 

2. http://youtu.be/0uuTS1MhOrM

 

3. http://youtu.be/UEVYc9C ZatI

 

4. http://youtu.be/zSZeCquPkrU

 

5. http://youtu.be/fTyjt8lBbtA

 

6. http://youtu.be/odSzJmElao8

 

7. http://youtu.be/wcH34AOyZMc/ span>

 

8. http://youtu.be/oP_l1wwoUCQ

 

No Brasil, temos dois professores – doutores que corroboram a dita tese comprovada cientificamente. São os eminentes pesquisadores Luiz Carlos Molion e Ricardo Augusto Felicio que apresentam seus depoimentos nos dois videos abaixo:

 

 

 

 

Roberto D´Araujo:

1. É mesmo estranho que este assunto não tenha estado mais presente nas nossas conversas.

2. O documentário já é antigo, está muito bem produzido e, por isso mesmo, não se pode dizer que não tenha os indícios de uma “propaganda”, assim como o do Al Gore. Na realidade, há interesses econômicos em ambas posições e penso que a verdadeira questão não foi sequer tocada.

3. Não entendo nada de clima, mas alguns números são instigantes. A Terra tem mais ou menos 12.000 km de diâmetro. A atmosfera é uma fina casquinha de 22 km sobre essa esfera. Menos de 0,5% em termos de volume.

4. Tudo o que a humanidade fez até hoje veio da terra. Todos as cidades, fábricas, aviões, pontes, navios, carros, usinas, e todo o resto veio do chão e, para construir, usou-se e ainda se usa energia.

5. Será mesmo que toda essa atividade não afeta em nada a casquinha de gás? Quer dizer que se o homem não estivesse no planeta tudo seria exatamente igual? Acho muito pouco provável.

6. Mas, supondo que a posição ambientalista esteja errada e o aquecimento nada tenha a ver com CO2, qual é o grande mal em se buscar uma economia mais sustentável e, principalmente, eficiente?

7. Algumas declarações no documentário são ridículas. Há “cientistas” culpando a queda do muro de Berlin e dizendo que há um anti-americanismo por trás do ambientalismo. Devagar com a louça!

8. Mesmo que a temperatura do planeta não esteja subindo por conta de CO2, as cidades estão ficando insuportáveis com seus microclimas. Qual é o grande mal em tentar limpar a sujeira?

9. Atuando no setor elétrico, não é de hoje que não consigo entender como a nossa mobilidade depende uma tecnologia cuja eficiência energética não ultrapassa 35%, quando um motor elétrico mostra eficiência acima de 85% há décadas. O Brasil que já tem essa eficiência até na produção da eletricidade, vai, mais uma vez, ficar para trás por não levar a sério o carro elétrico. Compraremos chineses daqui a alguns anos.

 

Tudo isso sem falar na necessidade de mudança de padrão de consumo para que se possa imaginar um mundo menos desigual.

Portanto, independente de quem tem razão, uma proposta ambientalista me parece menos temerária, porque, se a tese estiver certa, o trauma será menor. Se estiver errada, não vejo grandes contra-indicações.

Se os desenvolvimentistas querem atuar como um grupo influente, é bom que ele se posicione sobre o problema

 

Flavio Tavares de Lyra:

Excelentes questionamentos e sugestões. Desconfio de muitas das teses defendidas por cientistas dos países centrais, mas concordo que mesmo que estejam errados no que respeita ao aquecimento global não há por que não adotar providências para evitar o agravamento das condições ambientais derivadas da ação do homem, que são evidentes para qualquer um: nas praias, nas grandes cidades e suas periferias, na poluição dos rios, na destruição da vegetação e na miséria em geral.

André Luiz Pinheiro de Almeida

: O problema é que alguns desses ambientalistas querem para combater os problemas ecológicos o decrescimento econômico ou o crescimento zero, não há nada mais pernicioso para os países menos desenvolvidos que alguns grupos propagandeiem estas ideias que são totalmente anti desenvolvimentistas.

Ceci Juruá:

Há dois anos fiz uma palestra no Acre, sobre produção sustentável. Na acepção atual, o desenvolvimento sustentável vai além da questão ambiental, aborda também a redistribuição de renda (vetor social) e a eficiência (vetor econômico). Este é o conceito hoje mundialmente aceito, proposto pelo prof. Ignacy Sachs.

 

Segundo estudos do IPEA (E. Viola) e de Carlos Nobre, hoje secretário do MCT, o Brasil tem boas condições de promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável. Precisamos zerar o desmatamento, mudar substancialmente a matriz de transportes (para o transporte sobre trilhos, elétrico, movido por energia limpa, de nossas hidrelétricas), eliminar o fantástico desperdício que resulta da concorrência entre grandes grupos empresariais e da sua cobiça por lucros cada vez maiores (aqui há quem inclua os agrotóxicos) e resolver a questão do lixo.

 

As projeções indicavam, na época, que poderíamos chegar a uma população superior a 250 milhões de pessoas e a um PIB maior do que tres bilhões de dólares, com emissão média per capita, de carbono, de apenas 1/6 da média atual dos USA. Escrevi ainda :

 

 

“”"Questionando se Poderá o Brasil, no século 21, tornar-se uma potência ambiental ou, ainda, o primeiro país tropical desenvolvido, responde o prof. Carlos Nobre do INPE:

 

O desafio de uma geração é inventar um novo paradigma de desenvolvimento para o Brasil, baseado em C.T&I, reconhecendo que os usos racionais dos abundantes recursos naturais renováveis e da biodiversidade podem ser a grande alavanca para o desenvolvimento sustentável, no qual o país não somente tornar-se-ia uma das nações com menor índice de emissões per capita, mas também um modelo de desenvolvimento para os países tropicais (C. NOBRE. Mudanças climáticas e o Brasil. Contextualização. IN: Parcerias estratégicas N. 27. Brasilia: CGEE, 2008)”"” *

 

 

 

Ref: C. JURUÁ e A. C. RITTO. Produção sustentável: oportunidade para a economia brasileira no século XXI.

II Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia Sul-americana, Acre/Brasil, junho de 2010

Paulo Metri:

Concordo que se deve ser muito cuidadoso na questão ambiental, mas tem um ponto que gostaria de observar.

 

Se a tese do aquecimento global não ser antropogênico prevalecer,

então, usar petróleo e gás, para o país que o possui e tem uma estatal

que pode colocar seus derivados no mercado pelo custo mais um lucro

não excessívo, é uma vantagem comparativa imensa. Esta atitude

representa uma alavanca impulsionadora do desenvolvimento, que não se

deve abrir mão.

 

A energia do petróleo, se os gases do efeito estufa não são vilões, é

muito mais barata. Não se confundam por causa do barril estar a US$

100. Espera-se que um barril do pré-sal, com todas suas dificuldades,

custará US$ 40. Não é por outra razão que o petróleo e o gás

forneceram 58% de toda energia que a humanidade consumiu em 2010.

 

E também, exportá-lo ou exportar seus derivados é extremamente

conveniente, desde que a maior parte dos lucros do negócio seja

transferida para programas sociais, de criação de infra-estrutura, de

cuidados com o meio ambiente e de C&T&I.

 

Se a premissa inicial citada for verdadeira, programas de substituição

de derivados por energias renováveis são desaconselháveis.

Rogério Lessa:

Caros,

se a terra está esquentando ou não, a ideia de sustentabilidade não lhes parece interessante quando associada à ideia de planejamento?

 

Um desenvolvimento bem planejado não vai gerar exclusão e poluição, correto?

 

Quem sabe unindo os dois conceitos a gente pode vencer a resistência que existe à aproximação entre os verdadeiros desenvolvimentistas e os ambientalistas mais coerentes?

 

Rodrigo Medeiros:

http://www.project-syndicate.org/commentary/rio-s-unsustainable-nonsense

Roberto D’araujo:

Rogério, esse é exatamente o ponto que salientei no meu comentário inicial. A substituição das fontes energéticas é apenas uma das áreas dessa teoria do ambientalismo. Nessa área posso entender que existem interesses conflitantes. Mas a noção da sustentabilidade não se limita apenas à oferta. A meu ver, o ponto forte são as possíveis alterações na demanda. Será que alguém pode ser contra a busca por usos mais eficientes e menos perdulários? E, como você muito bem assinalou, sempre associada ao planejamento, de tal modo que a transição seja a mais controlada e previsível. Além disso, não é apenas a questão ambiental que faz essa transformação. Quero lembrar a impressionante alteração tecnológica que mudou completamente o cenário da iluminação. Hoje lâmpadas LED fazem o mesmo serviço com 1/10 da energia de uma incandescente sem gerar calor. É a usina virtual mais barata que existe, caso fosse alvo de uma política pública.

Grato por ter lembrado do planejamento.

 

 

Rogério Lessa:

Roberto, penso que uma das tarefas dos desenvolvimentistas é quebrar o gelo dos ambientalistas em relação a nós. Achei que associar planejamento à sustentabilidade pode ser a chave para essa aproximação.

Roberto D’araujo:

O problema é que, do jeito que as coisas estão, estamos sem planejamento energético. A EPE é apenas uma operadora da filosofia “o mercado resolve”. Basta olhar os leilões de 2008, onde foram contratados 6GW de usinas a óleo e diesel! Em pleno século 21! Além disso a EPE não se mete com a Petrobrás, cujo planejamento passa ao largo do setor elétrico.

Alpa:

Ninguém é contra a utilização de meios mais eficientes e menos perdulários, o que deve se discutir é que juntamente com esse discurso ambiental está vindo um outro, este sim que nós devemos desconfiar que é aquele que diz que os países subdesenvolvidos não podem ter um nível de vida melhor por que afeta o meio ambiente, quando os mais desenvolvidos se aproveitaram dos recursos (a maior parte deles originada das colônias sejam elas independentes ou não) é como dizer que vocês não podem ter nossa qualidade de vida, pois vocês serão perdulários igual nós, então fique na pobreza por causa disso.

 

E o pior é que esse discurso vem embalado por um pseudo esquerdismo que temos que ficar atentos.

 

Crescimento Zero não!!!!

Roberto D’araujo:

Certamente há o perigo que você salienta. Mas você deve concordar que há questões que dizem só a nós brasileiros. Assim como temos uma distribuição de renda de país africano, temos também uma distribuição de consumo de energia muito regressiva. Para que a classe menos favorecida tenha energia compatível com a que se espera de uma cidadania plena, é preciso que o topo da pirâmide consuma menos. Esse “consumir menos” pode ser feito apenas com a consciência de cada um, mas também pode ser alvo de uma política pública. Mantido o padrão vigente da classe alta, que, aliás, não difere muito de classe similar em países desenvolvidos, certamente precisaremos muito mais fontes geradoras. Como elas custam, menos recursos para outros investimentos com rebatimentos mais sociais. Insisto que a usina mais barata é a que produz Negawatts, ou seja, provoca sobras para que MegaWatts sejam usadas em outra atividade.

A outra questão é o estilo de desenvolvimento industrial que o Brasil vêm adotando há décadas. Estamos cada vez mais de produtos energo-intensivos. Penso que os países desenvolvidos querem mais é que essa característica se aprofunde. Portanto, se o nosso discurso ambiental incluir esse aspecto, até questões do estilo de desenvolvimento podem ser tratadas.

 

 

Alpa:

concordo com você, mas acho muito complicado se chegar para um congolês, um queniano, um boliviano ou mesmo um brasileiro, que ele não pode ter uma melhor qualidade de vida por causa de um discurso ambiental que carece em alguns casos de uma base econômica e social.

 

Isso esconde por trás um discurso de que vocês fiquem pobres e na miséria enquanto nós do norte (não só Estados Unidos, mas o norte do planeta terra) mantemos nosso padrão de vida, isso é que está por trás, mesmo sabendo que existem pessoas que acreditam nisso e que não percebem este fato.

Rogério Lessa:

Então, quem sabe a gente consegue mostrar que é possível melhorar as condições de vida de todos no planeta sem degradar o meio ambiente, desde que exista um bom planejamento? E o setor energético, como bem lembrou o Roberto, é um ponto sensível dessa discussão.

 

O Caetano Veloso (totalmente ignorante em economia) escreveu um artigo defendendo a tal tese de que o crescimento do PIB tem importância apenas relativa, que não dá para todo mundo ter o padrão dos desenvolvidos – ele tem, é claro.

 

É uma boa oportunidade de colocarmos, em linguagem acessível ao leitor comum, ideias que contrariem essa tese.

 

Alpa:

A questão é que o Caetano Veloso não entende nada de economia, pois é impossível que se melhore a qualidade de vida sem aumento da renda, e só se consegue aumento da renda se houver crescimento econômico, é claro que poderíamos discutir a questão energética, mas será que por exemplo a energia eólica tem escala para proporcionar energia para 7 bilhões de pessoas, a solar pode até ter, mas terá que haver um esforço tecnológico brutal para que isso aconteça.

 

Se você reduzir o crescimento, não precisa ser um Keynes, um Friedman, um Ricardo ou um Kalecki para saber que isso traz desemprego e não há algo mais degradante para o meio ambiente do que o desemprego, como as pessoas vão sustentar suas famílias com desemprego ou subemprego, nós brasileiros já sabemos disso pois vivemo mais de 20 anos nessa lenga lenga, e é isso que leva a ocupação de encostas, por falta de moradia, a degradação urbana, com precarização dos serviços de esgoto.

 

Se fosse assim, a América Latina que sofreu 20 anos com as políticas de baixo crescimento seria a região mais ecológica do planeta, e o que acontece no Brasil, o crescimento econômico aumentou e o desmatamento da Amazônia se reduziu no século XXI, como explicar isso?

 

O crescimento zero reduz as receitas governamentais, isso leva a uma fiscalização mais frágil, seja ela por degradação dos órgãos fiscalizadores, seja pelo arrocho salarial dos fiscais ambientais o que facilita a corrupção destes, o mau serviço de fiscalização e consequentemente a maior desmatamento já que aqueles que precisam sobreviver terão de escolher entre sustentar sua família ou manter o meio ambiente, e sabemos que ente as duas opções qual delas um desempregado fará.

Rogério Lessa: De pleno acordo, só tenho esperança de convencer gente mal informada como o Caetano, mostrando que tudo é sustentável quando bem planejado …

Roberto D’araujo:

Vocês vão me desculpar, mas não acho que seja inevitável essa camisa de força do crescimento econômico. Claro que é preciso que a renda cresça, mas será que não se pode crescer com transformações estruturais? Há algum tempo escrevi o artigo em anexo. Agradeceria que opinassem. Os dados precisam ser atualizados, mas é evidente de que estamos crescendo com a idéia do “business as usual” há décadas. Aliás, essas medidas pontuais de incentivo à demanda tomadas pelo governo me parecem todas nesse sentido.

Ceci Jarua:

No Brasil é necessário que haja crescimento econômico – isto é, aumento do PIB, da produção – por várias razões. Primeiro, a população ainda precisa crescer bastante, para ocuparmos nosso vasto território. Segundo, pelo menos 50% da população precisa ampliar o seu consumo – de educação saúde, moradia e equipamentos da casa, alimentação e cultura. Observe que falo dos bens considerados básicos para os padrões de hoje. Esta expansão de bens básicos, eu a imagino em 300%. Um exemplo.

 

O ideal, do meu ponto de vista é que este crescimento seja acompanhado de transformações estruturais. No modelo economico, por exemplo, centralizar os planos de crescimento no mercado interno e na UNASUL. Isto vai mudar o padrão de oferta. Em seguida, uma maior igualdade no consumo de bens básicos, meta de difícil execução. Precisamos também racionalizar a oferta, isto é, modificar funções de produção, tal como propõe Roberto no setor de energia. Mas também nos transportes, saindo do modal rodoviário para a ferrovia e para a navegação fluvial e de cabotagem. Trocando nas cidades o transporte individual pelo coletivo. E reduzindo muito a agricultura predadora pela agricultura familiar que preserva e respeita a biodiversidade. Etc, etc. Transformações estruturais também na política e na cultura.

 

Dificilmente o mercado capitalista, aberto e globalizado, produzirá estar transformações, voltadas para a melhoria das condições de vida da população e para a independência econômica do Brasil, solidariamente com nossos vizinhos com os quais temos afinidades culturais. Só o comando político democrático poderá produzir tais transformações, para as quais se precisa de utopias e de planejamento.

Roberto D’araujo:

Nunca concordamos tanto. O que eu chamei de camisa de força é o crescimento “mais do mesmo”. É isso o que estamos assistindo

Alpa:

O Japão é um país que não cresce há 20 anos, será que as condições ambientais do país melhoraram nestes 20 anos? Tenho certeza que não.

 

O Decrescimento econômico traz: desemprego, queda de receita dos governos, conflitos sociais, depreciação dos serviços públicos (inclusive os que tem efeitos diretos e indiretos sobre o meio ambiente) piora dos serviços de saneamento básico aumentando a poluição dos rios, piora nas condições de habitação levando a sua precarização, má fiscalização ambiental com aumento da corrupção e do desinvestimento na estrutura dos órgãos fiscalizadores etc.

 

Sei que não é o seu caso, e de muitos outros ambientalistas sérios que acreditam nesta tese, mas continuo achando que este discurso esconde por trás aquele velho chavão imperialista de manter a qualidade de vida nos países desenvolvidos em detrimento dos países subdesenvolvidos.

 

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