No momento em que a Rio+20 aprovou documento que desagradou a muitos países, desde Cuba, Bolívia até os Estados Unidos, Carlos Lessa comenta a questão do Desenvolvimento Sustentável e indaga sobre quem serão os beneficiários da chamada Economia Verde.
“A mídia cada vez mais se ocupa da idéia de Desenvolvimento Sustentável. Mas a combinação do sustentável com desenvolvimento é obscura se reconhecermos que todo desenvolvimento é a ampliação de forças produtivas, culturais e sociais, ou seja, transformações que caminham para a civilização. Já a sustentabilidade é algo capaz de se manter sem perder capacidade de reprodução. Aponta para a estabilidade profunda.
A idéia de sustentabilidade é fraca diante de um sistema que funciona com premissas de mercado, segundo as quais a importância e durabilidade das coisas não são levadas em conta. No Século XVIII, as roupas faziam parte dos inventários das pessoas. Hoje se faz esforço para mudar periodicamente até o revestimento dos banheiros.
Então, cabe perguntar: manter e sustentar os padrões de quem? De alguns ou de todos? Onde se enquadra a redução das diferenças? Sustentabilidade implica em renunciar a melhorar as condições dos que estão embaixo?
Energia
O mundo todo depende de energia. A maior de todas é a solar que, na fotossíntese, dá origem a todas as cadeias alimentares. E a energia dos homens é o que impulsiona o desenvolvimento. Também não pode ser esgotável essa energia.
O sistema se move escolhendo tecnologias que gastam energia. Sustentável é a negação do consumismo, mas o sistema se apropria até dessa negação. Um bom exemplo foram os hyppies, que adotaram as calças jeans surradas como negação ao consumismo. No entanto, a indústria procurou produzir a calça jeans desbotada e até rasgada, ou seja, o mercado se apropriou do anti-consumismo.
As empresas não vão deixar de consumir energia se tiverem que gastá-la para produzir jeans, por exemplo.
Pergunto outra vez: Sustentar quem? O planeta? Se for isso, podemos chegar ao genocídio.
Rio + 20
A conferência é interessante porque, apesar das várias iniciativas, não se diz claramente que menos consumo de energia só com menos apetite das empresas. Existe, por exemplo, uma lâmpada que pode durar 60 anos, mas isso não interessa ao mercado.