Ônibus a Hidrogênio já é realidade

Coppe/ UFRJ lança, na Rio + 20, veículo silencioso e não poluente que já pode começar a rodar na Copa 2014

Silencioso, não poluente, mais eficiente e seguro. Este é o perfil do ônibus que pode tornar o sistema brasileiro de transporte por coletivos um dos mais limpos do mundo. Lançado pela Coppe/ UFRJ nesta quarta-feira, dia 13 de junho, durante a Rio + 20, o H2+2 é um veículo híbrido movido a energia elétrica obtida da rede convencional e produzida a bordo (por meio de uma pilha a combustível alimentada com hidrogênio e pela regeneração da energia cinética). O modelo desenvolvido pela Coppe/UFRJ já pode começar a rodar na Copa 2014. O ônibus está pronto e não há barreira tecnológica para começarmos a utilizá-lo. Já estamos preparados para produzir em larga escala”, afirmou o professor e coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Coppe/UFRJ, Paulo Emílio Valadão de Miranda.

O H2+2 foi criado para substituir os ônibus convencionais a diesel e combina alta eficiência energética sem emissão de poluentes. O protótipo foi mostrado e testado após coletiva realizada no estande da Coppe, no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca. “É fundamental destacar que toda a atividade apresentada aqui é financiada por empresas, ou seja, não há recurso público. Precisamos desta parceria para resgatar a dívida social que o Brasil tem com a população”, disse o diretor geral da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, durante a cerimônia de lançamento do ônibus.

Esta é a segunda versão do veículo, ainda mais eficiente no aproveitamento da energia e com custo de fabricação menor que a versão anterior, lançada em 2010. Mudanças no sistema de tração permitiram reduzir a potência da pilha a combustível e torná-la mais leve, sem comprometer o desempenho do veículo. O resultado é uma redução de 40% no consumo de hidrogênio e de 30% no custo de fabricação. Sua autonomia chega a 500 quilômetros, número muito superior ao deslocamento médio diário dos ônibus que rodam na cidade, que não ultrapassa 300 quilômetros.

Similar aos carros de Fórmula 1, o ônibus a hidrogênio da Coppe recupera a energia cinética. Essa energia é aquela produzida com a movimentação e que nos veículos comuns é desperdiçada durante as desacelerações e frenagens. No H2+2, ela é regenerada em energia elétrica e reaproveitada. Como a maior parte da matriz energética do Brasil se baseia em energia elétrica proveniente de fontes renováveis e pouco poluentes, o H2+2 pode tornar o sistema de transporte por ônibus no Brasil um dos mais sustentáveis do mundo.

Para os passageiros, o H2+2 terá um grande diferencial nas suas viagens: o ônibus sustentável é muito mais silencioso do que aqueles movidos a diesel. O veículo é o único com tecnologia 100% brasileira e sua comercialização já está licenciada pela Tracel, empresa responsável também pela criação de componentes do sistema de gerenciamento de energia. “Nosso ônibus consome metade do combustível dos outros movidos a hidrogênio em operação no mundo”, observou o engenheiro de produção da Tracel, José Lavaquial.

O banco Santander já disponibilizou uma linha de crédito especialmente voltada às prefeituras interessadas na compra dos ônibus.

 

Sobre o ônibus:

Projeto: Coppe/UFRJ – Laboratório de Hidrogênio

Parceria para a Rio+20: Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Governo do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Weg,Tracel e Banco Santander.

Financiamento para o H2+2: Coppe/UFRJ

Financiamento para o protótipo lançado em 2010: Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Petrobras, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

 

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