PIB estagnado

Não é recessão, mas é estagnação. Assim reagiu o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) ao resultado do PIB do primeiro trimestre, que cresceu 0,8% em relação ao mesmo período de 2011. Na comparação ao quarto trimestre de 2011, foram apenas 0,2%, já considerado o ajuste sazonal. Em 2012, o PIB acumula alta de 1,9%. Com relação ao primeiro trimestre de 2011, destacou-se favoravelmente o desempenho dos serviços (1,6%), enquanto a indústria estagnada (0,1%) e a agropecuária em queda livre (8,5%) foram as notas negativas.

Em relação ao final do ano passado, a indústria cresceu 1,7%, seguida dos serviços (0,6%) e da agropecuária, que também nesta comparação apresentou queda acentuada (7,3%).

“Os dados que o IBGE divulgou deixam claros os delineamentos da economia brasileira desde meados do ano passado, nenhum deles, a propósito, favoráveis. Primeiro, são três trimestres de desempenho pífio do PIB global. Depois, se na formação desse quadro a crise industrial teve preponderante papel, atualmente não há macro-setor econômico brasileiro que não passe por dificuldades refletidas seja em crescimento negativo ou forte desaceleração”, critica o Iedi.

Um terceiro ponto destacado pelo instituto se refere ao esgotamento da alternativa do consumo das famílias, paralelamente ao declínio do investimento, que já se repete há três semestres. “O inevitável encolhimento das inversões industriais diante do quadro de forte declínio da produção da indústria que seguidamente perdeu mercado para o produto importado é fator decisivo para a redução dos investimentos totais realizados na economia”.

Já Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, avalia que o PIB do primeiro trimestre é mais um capítulo reservado pelo modelo “liberal periférico” que, segundo ele, o Brasil abraçou. “Neste cenário, os resultados só se agravam, com destaque (negativo) para a indústria de transformação”, finaliza Gonçalves.

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