A produção de óleo e gás a partir do xisto a baixo custo pode colocar os EUA nos trilhos da reindustrialização? E para o Brasil, tornaria o pré-sal inviável financeiramente? Estas perguntas foram feitas pelos Desenvolvimentistas após a leitura do texto postado neste link: http://oilandenergyinvestor.
Paulo Metri – Não consegui descobrir até hoje a que custo é produzido este gás de xisto. A Petrobras conseguiu retirar óleo do xisto, existente no Paraná, desde os anos 1970, só que, à época, o óleo ficava a um custo que era mais caro que o preço do importado. Aí, vieram as descobertas da bacia de Campos e nunca mais ouvi falar do xisto.
A novidade (a bem da verdade, já se fala nisso há alguns anos) é que este gás é obtido da gaseificação in loco do xisto. Segundo artigo que li, a gaseificação por este processo barateia muito o custo do gás. Por isso, hoje, o gás obtido de xisto já ocupa uma parcela razoável do gás consumido nos Estados Unidos.
Que este fato pode repercutir, se o preço do gás for realmente barato, nas demandas do Pré-Sal é verdade.
Rodrigo Medeiros - Sinceramente, seria o mesmo que perguntar se a corrida espacial se pagou nos EUA. Vamos lá… O pré-sal brasileiro pode ser a nossa corrida espacial em termos de desenvolvimentos técnico-científico e industrial. Será ou não dependendo das políticas de governo.
Gustavo Santos – Estou certo que o gás e óleo de xisto não representam ameaças ao pré-sal, mas é isso que os conservadores estão defendendo! Temos que conhecer bem essa questão (os fatos são verdadeiros e boa parte das conclusões)!
Recebi o email abaixo de um neoliberal conservador, mas não é para passar desapercebido:
“Há uma mudança estrutural em curso na matriz energética do mundo, e atende por “shale gas” ou “gás de xisto”. O Citibank fez um relatório em cima dos estudos geológicos feitos pelo governo americano. Alguns dados:
Os EUA devem ter sua oferta interna de óleo aumentada de 11 milhões de barris para 20 milhões nos próximos 8 anos.
Crescimento de até 3% no PIB real americano.
3 milhões de novos empregos.
Redução do déficit em conta corrente em 2,4% do PIB.
Apreciação do dólar em termos reais de até 5,4%
Os EUA voltaram a ser exportador líquido de petróleo, coisa que não acontecia desde 1949.
Estimativas preliminares indicam que os EUA já ultrapassaram a Rússia como maior exportador mundial de refinados de petróleo.
Com o óleo e, consequentemente, a energia a um dos menores custos do mundo, a reindustrialização dos EUA fica cada vez mais palpável, a despeito da China.
As reservas de gás de xisto são abundantes em quase todo o planeta, com a China, Estados Unidos e a Argentina possuindo as maiores reservas conhecidas.
Resumo da ópera: com o barateamento dos hidrocarbonetos, investir os tubos no pré-sal vale mesmo a pena?
Gustavo Santos -
Rodrigo,
concordo sobre a questão tecnológica, mas não é só assim que o governo e povo brasileiro tem visto pre-sal, mas também como um tesouro enterrado que vai nos enriquecer por si.
Paulo,
eu confundi. Gás de Xisto é diferente de óleo de Xisto está havendo um boom de gás de Xisto e não de óleo de Xisto (esse boom está só começando). O custo de produção de gás de Xisto é muito baixo, tanto que o preço do pé cúbico (ou metro cúbico) do gás natural nos EUA está em 2 dólares enquanto no Brasil estava em 15 dólares (com o dólar a 1,8) e na Alemanha está em 16 dólares. As reservas americanas de gás de xisto já cubadas dão 100 anos de consumo americano!
O custo de produção do óleo de xisto (in loco) é muito mais alto, os americanos estimam que esse custo chegará a algo entre 55 e 70 dólares em 2015 porém, as reservas são absolutamente colossais. Só na formação green river, no Colorado, as reservas estimadas são de 3,2 trilhões de barris (o custo de extração dessa reserva está hoje acima de 100 dólares, mas deve cair). Ou seja, só o Colorado teria reservas de óleo de xisto maiores do que todas as reservas de petróleo convencional do planeta. Mas o mundo todo tem muito óleo de xisto. O Brasil ainda explora em escala pequena óleo de xisto no Paraná, porém utiliza um método antigo, que é minerar a rocha e extrair o óleo em processo industrial.
Nos EUA, eles estão usando processos químicos e perfuração horizontal para extrair o óleo da rocha ainda no solo.
Já o óleo de xisto ainda está no início e só deve ter uma produção em grande escala em 2015. Mas o gás de xisto já é 30% do consumo americano e continua crescendo!
Gustavo Santos – Fernando, você já viu estes dados?
Fernando Siqueira – Gustavo, o James deu uma resposta honesta. O Xisto americano tem uma reserva recuperavel equivalente à reserva mundial de petróleo. Só que o custo de produção supera os 100 dólares por barril. Isto sem contar que se localiza numa área ambiental do Governo americano e que os produtods químicos usados para retirar esse hidrocarboneto é altamente agressivo ao meio ambiente.
A gente torce para que eles tenham energia e não precisem “tomar” a nossa, mas também acho que há um marketing para esconder a verdadeira situação de inegurança energética dos EUA. Aliás o Financial Times fez editorial afirmando que o pre-sal não tem dono, sendo de quem chegar primeiro. Embora reconheça que montar uma infra-estrutura de produção sem usar o apoio logístico, em terra, do Brasil é tecnicamente e economicamente inviável.
Carlos Ferreira – Recomendo a leitura do texto:
Qual é o custo de produção do gás de Xisto?
http://www.aapg.org/explorer/