Carta do MRLB aos Trabalhistas conclama à Carta de Lisboa

Mensagem do Movimento de Resistência Leonel Brizola (MRLB)

Nos dirigimos a você, trabalhista, nacionalista, socialista, brizolista, especialmente a você companheiro (a) do PDT, para convidá-lo a uma reflexão sobre o estado da política brasileira na atualidade e o papel que cabe aos trabalhistas.

O trabalhismo e o nacionalismo continuam tendo papel relevante no Brasil de hoje, com amplo espaço para atuação válida em favor de nosso povo. Os trabalhadores, aposentados, servidores não têm tido avanços, embora com recuperações nos últimos tempos, e a economia sofre processos de desindustrialização, desnacionalização e dependência de capital estrangeiro. Requer-se a luta trabalhista e nacionalista!

O PDT, que foi o estuário do trabalhismo e nacionalismo autênticos nas últimas décadas, não é mais um palco de luta política. Não formula idéias, não apresenta propostas, não se insere no debate político, não reúne, não discute. Faz alianças com todos os governos no País, de todas as correntes, em busca de lugares para seus dirigentes e os grupos ligados a estes. O Diretório Nacional fez somente duas reuniões nos últimos quatro anos. O Conselho Político, previsto nos Estatutos, foi desbaratado, não existe mais. No Rio, há mais de dois anos, diante da recusa de aceitar nossa participação na direção, fizemos uma chapa com o apoio de 694 companheiros. Chegamos à Convenção, nos comunicaram que nossa chapa havia sido impugnada na noite anterior. Os quadros mais reconhecidos do PDT, antigos Secretários de Brizola, ex-Deputados de renome nacional, estão marginalizados, não participam da vida partidária. Dissolveram o Diretório Municipal do Rio e diversos diretórios zonais. A tônica é comissão provisória em todo o País. Foi impedida a realização do Congresso Estadual do Movimento Sindical PDT, não se permitiu a realização do Terceiro Congresso Nacional e o Movimento Sindical foi despejado do espaço físico que ocupava na sede do Partido.

O Ministério do Trabalho, “ocupado pelo PDT”, não ofereceu nenhum avanço para os trabalhadores. Ao contrário, acabou com a unicidade sindical nas federações e confederações, rasgando a CLT; fez projeto de substituição do imposto sindical por uma contribuição negociada, que traz o patronato para a vida financeira dos sindicatos; não reimplantou duas Convenções da OIT, que regulam a demissão imotivada, que protege os trabalhadores, e a organização sindical dos servidores, revogadas por FHC, e as enviou ao Congresso, de onde jamais sairão; forçou um acordo para o trabalho aos domingos, o que contraria os comerciários. O Ministério tem se dedicado a manter a tradicional sinecura de distribuição de fartos recursos do FAT para realização de simulacros de cursos de qualificação profissional por entidades de capacidade duvidosa.

Nós, do MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA – MRLB, nos reunimos em seminário no último dia 19, juntamente com outras forças que lutam na linha do trabalhismo, do nacionalismo e do socialismo, formulamos crítica aos descaminhos seguidos pelo PDT atualmente, a distância que está abrindo cada vez mais de suas origens, princípios e valores, dos ideais trabalhistas e dos sonhos de Brizola (aliás, figura cada vez menos lembrada ou referida no ambiente do PDT). Decidimos intensificar nosso diálogo com todos os companheiros do PDT país afora que detêm a mesma visão crítica da atual condução do partido, para convidá-los ao debate sobre os descaminhos do PDT. Decidimos, igualmente, desenvolver o mesmo diálogo com os companheiros de outras vertentes que estejam na mesma linha política para uma reflexão acerca da nossa ação e do nosso destino comum.

Reafirmamos nossos princípios e bandeiras de luta inseridas em nosso MANIFESTO, no programa do PDT e os princípios das Cartas de Lisboa, de Mendes e de São Paulo e

a) reafirmamos o nacionalismo, denunciamos a atual desindustrialização, falta de capacitação tecnológica e a desnacionalização da nossa economia, e o crescimento econômico calcado na dependência de capitais externos. em defesa de nossas riquezas do solo, subsolo, aquáticas, nossas fronteiras e o meio ambiente. Que cesse a transferência para o exterior de nossos minerais especiais, críticos ou essenciais, como o nióbio e outros de utilização em tecnologia de ponta para produção de armamentos e equipamentos estratégicos. Saudamos a decisão de que o Pré-Sal tenha ficado como 100% de propriedade da União, por isso condenamos as concessões a empresas privadas já realizadas de campos petrolíferos no pré sal e exigimos que cessem os leilões de bacias sedimentares. Combatemos todo e qualquer imperialismo;

b) apoiamos os governos latino-americanos que estão defendendo a soberania de seus respectivos países, auditando suas dívidas públicas, punindo os torturadores e colocando as riquezas naturais para exclusivo benefício de seus povos;

c) nossa condenação às políticas traçadas pelo Consenso de Washington não nos permite aceitar a autonomia do Banco Central, que leva a uma política de juros altos que serve mais para propiciar ao sistema financeiro e aos rentistas os maiores lucros de todos os tempos, o que conduziu a monumental endividamento público;

d) exigimos a abertura dos arquivos públicos da ditadura e apoiamos a Comissão da Verdade e que os torturadores sejam processados;

e) nos batemos pela distribuição da renda, sem exclusão social, tocadas até aqui timidamente, pelo acesso à educação, saúde, moradia, segurança e ao trabalho;

f) defendemos a Previdência Social pública e queremos que se implante a gestão quadripartite: trabalhadores, aposentados, patrões e governo. Lutamos pelo fim do famigerado Fator Previdenciário.

Queremos manter vivos os ideais trabalhistas, seja através do PDT ou de qualquer outra instituição ou foro em que possamos lutar pela sua perenidade. Queremos dialogar e buscar estar juntos com todos os grupos de esquerda que heroicamente persistem na busca dos ideais de libertação da nossa pátria e lutam pela emancipação da classe trabalhadora. Conclamamos os verdadeiros trabalhistas, nacionalistas, socialistas e comunistas, os verdadeiros democratas e idealistas que, embora desiludidos muitos, mas ainda acreditam ser possível, como o é, a lutar para implantar em nossa pátria as medidas que nos levem ao socialismo

. Podemos retomar “o caminho brasileiro para o socialismo” de que nos falava Brizola!

Em 4 de abril de 2011

MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA – MRLB

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2 respostas a Carta do MRLB aos Trabalhistas conclama à Carta de Lisboa

  1. Eduardo Homem disse:

    Ratificando a Carta de Lisboa nós do MRLB queremos resgatar o Trabalhismo como caminho para o Socialismo,hoje em uma frente de esquerda nesta eleição Municipal.

    Sds
    Eduardo Homem
    Coordenador de Divulgação
    MRLB
    Rio

    • Rogério Lessa disse:

      Obrigado pelo comentário, Eduardo. Todos nós torcemos pelo resgate do espírito da Carta de Lisboa, de tão forte inspiração.

      Abraço,
      Rogerio Lessa

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