São 38% dos chineses integrados ao consumo, 2,6 vezes a população do Brasil
A China já tem 500 milhões de pessoas na classe média, o equivalente a 37,5% de sua população, de 1,3 bilhão de habitantes. A afirmação é do cientista social Theotonio dos Santos, professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que defende a integração da América Latina.
“Integrados, os latino-americanos formarão um bloco equivalente, em termos de população, e ganharão autonomia para buscar o desenvolvimento”, afirma.
Já em relação à Europa, cujo saldo em transações correntes do último trimestre de 2011 atingiu 4,5 bilhões de euros, o cientista social, do Conselho Editorial do MM, defende uma aproximação estratégica com a Ásia.
Santos avalia que a eventual recuperação das contas externas não representa mudança estrutural para a União Européia. “É normal que os países que sofrem desvalorização cambial melhorem sua capacidade exportadora. Durante esta crise, por sinal, países como a Alemanha nem chegaram a ter déficit”, disse, acrescentando que aquele país tem vantagem sobre o resto da Europa por causa de sua política industrial avançada.
“O problema da Europa é apostar nos EUA como mercado dinâmico, quando o dinamismo está na Ásia e, em menor escala, na América Latina e na África”, sublinha.
Ele critica a Europa, que, segundo ele, tende a “retomar o crescimento dentro dessa mediocridade, a não ser que abram caminhos para a Ásia, mas é um caminho difícil, pois teriam de admitir que o capitalismo não é superior aos demais modos de produção”.
O cientista social acha difícil que a China não tenha um projeto para se converter numa potência financeira mundial. “Já em 1997 os chineses se preparavam para isso, mas deram um passo atrás por conta da crise asiática. Agora estão pensando no que fazer com os US$ 3 trilhões que acumularam em excedentes.”
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