Produção da indústria do plástico caiu 1,5% em 2011: demanda suprida por importados
Segundo José Ricardo Roriz Coelho, ‘bomba que está estourando agora, atingindo primeiramente a manufatura’ (Foto Ruth Vieira SRI/PR – arquivo)
Em 2011, na comparação com 2010, o saldo negativo do comércio exterior da indústria brasileira de transformação do plástico cresceu 37,99%, passando de US$ 1,35 bilhão para US$ 1,87 bilhão. As exportações evoluíram apenas 2,63%, de US$ 1,47 bilhão para US$ 1,51 bilhão. As importações, contudo, aumentaram 19,58%, saltando de US$ 2,83 bilhões para US$ 3,38 bilhões. As informações foram tabuladas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), cujo presidente, José Ricardo Roriz Coelho, enfatiza:
- Estes são efeitos do “Custo Brasil”, combinados com as conseqüências da excessiva valorização do real, da Selic ainda alta e do crescente assédio ao nosso mercado por parte de exportadores que estão perdendo espaço na combalida economia européia.
Roriz ainda acrescenta que “a bomba que está estourando agora, atingindo primeiramente a manufatura, resulta de termos insistido muito tempo na combinação explosiva de câmbio livre com a maior taxa de juros do mundo. Por isso, o real teve valorização de 74,6% de junho de 2004 a dezembro de 2011, sem que tivéssemos a mínima possibilidade de melhorar a nossa produtividade, devido ao brutal aumento de custos. Defendemos, sobretudo, a retomada das reformas estruturais, em especial a tributária e trabalhista. São medidas dependentes de políticas públicas, essenciais para conter a desindustrialização e resgatar a competitividade”.
Segundo a entidade, no primeiro mês de 2012, os números indicam que deverá ser mantida a tendência de déficit na balança comercial do setor. Em janeiro, o saldo negativo foi de US$ 160,40 milhões, resultando de importações US$ 283,10 milhões e exportações de 122,60 milhões.