Finalmente, governo começa a admitir desindustrialização

Ipea defende, além de queda nos juros, uma estratégia de desenvolvimento

Baixar juros é fundamental, mas não suficiente. Falta ao país uma estratégia nacional de desenvolvimento para enfrentar o processo de desindustrialização e melhorar nossa posição na divisão internacional do trabalho, evitando que o mercado financeiro produza no Brasil o mesmo que o antigo império britânico: democracias limitadas, sem autonomia para promover o desenvolvimento.

A análise é do economista Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Política Econômica Aplicada (Gap/Ipea), ao apresentar nova edição do boletim Conjuntura em Foco.

“A desindustrialização no Brasil é precoce, pois aqui a renda per capta não chegou ao nível dos países industrializados, nem a produtividade”, pondera Messenberg, acrescentando que o processo de desindustrialização no país reflete a perda de participação dos manufaturados e do emprego industrial na economia. O coordenador do Gap/Ipea considera “apenas paliativas” as recentes medidas tomadas pelo governo, como aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e proteção a setores da indústria mais prejudicados pelo câmbio.

“Antes de Lula, só se pensava em inflação. Hoje, com as políticas de transferência de renda, aumento do salário mínimo, etc. o regime de demanda ganhou outra dinâmica, mas é esquizofrênico porque o crescimento via consumo é obrigado a conviver com uma política fiscal muito ortodoxa, apesar do progresso na política monetária com Tombini no Banco Central (BC)”. Para Messenberg, esse modelo pode estar se esgotando, inviabilizando crescimento acima de 5%, o que exige imediato aumento no investimento. “A academia foi seduzida pelo discurso de que para crescer mais, de maneira sustentável, é preciso esperar uma taxa de investimento de 25%, mas isto só seria verdade se estivéssemos com pleno emprego dos fatores de produção”, frisou.

 

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