Artigo publicado no Monitor Mercantil mostra que a humanidade continua a mesma.
Zurique – “A Grécia, embora encontre-se à beira da falência, não interrompe seu programa de armamentos”, revela o jornal alemão Neue Rheinische Zeitung, que circula na região do Reno. O jornal comenta que, “apesar das medidas de severa frugalidade que prevêem cortes nos salários, aposentadorias e pensões e ajudas de caráter social, demissões de 150 mil funcionários públicos e cancelamento sumário de todos acordos salariais trabalhistas, não está previsto corte dos gastos destinados à aquisição de armamentos”.
O jornal destaca, caracteristicamente que “para concessão da ajuda econômica pela União Européia (UE) não se previa e sequer se prevê proibição do uso dos recursos para aquisição de armamentos”.
A publicação prossegue revelando que “os absurdos volumes de recursos gastos em aquisições de armamentos têm contribuído para a criação da situação catastrófica dos fundamentos fiscais” e acrescenta dados, de acordo com os quais os gastos militares da Grécia totalizam 3,1% do Produto Interno do Pais (PIB), no momento em que a média dos correspondentes gastos de outros países europeus, segundo estatística da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mal atingem 1,7% do correspondente PIB.
“Apesar da redução do orçamento para a defesa de 6,5 para 5,5 bilhões de euros, está previsto o gasto de 1,8 bilhão de euros na aquisição de itens destinados aos sistemas defensivos”, acrescenta o jornal. Anotem que a Grécia, com população de 11 milhões de habitantes, possui um exército de 156 mil soldados, pouco menos do que a Alemanha, que tem 82 milhões de habitantes.
Turquia é “ameaça”
Segundo revelou um oficial superior das Forças Armadas da Grécia, que serve na Otan, “O grande número de efetivos da força terrestre da Grécia e o elevado gasto de recursos para aquisição de armamento defensivo deve-se à vizinhança do país com a Turquia, e ambos os países competem entre si na aquisição de armamentos. Além disso, a Otan não impede que seus países-membros adquiram armamentos, assim como finge não ver a queda de braço entre Grécia e Turquia”.
Sabe-se que empresas alemãs – fabricantes de armamentos em geral – têm contribuído excessivamente para o super-endividamento da Grécia, considerando que 31% do volume total das aquisições de armamentos pelos gregos refere-se à aquisição de produtos militares alemães.
E o Neue Rheinische Zeitung concluiu: “Apesar da gigantesca dívida e da ameaça de falência, nem a UE e sequer a chanceler Angela Merkel exigiram – em algum momento – que a Grécia reduzisse seus gastos militares. A exemplo do que aconteceu no Grande Oriente Médio, talvez, no futuro, as armas serão utilizadas, também, contra os cidadãos comuns, caso estes reclamem contra a adoção das exigências formuladas pela UE e pela Alemanha. Na maioria das vezes, os interesses do capital são atendidos com a violência das armas”.
Laura Britt
Sucursal da União Européia.