Vá em frente Abbas, porque Hammas e Netanyahu …
EUA tinham ameaçado cortar fundos da agência caso pedido fosse aprovado;
Israel diz que admissão dificulta acordo de paz
A Autoridade Nacional Palestina conquistou nesta segunda-feira o status de membro pleno da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Dos 173 países que votaram a proposta de adesão, 107 foram a favor, 14 foram contra e 52 se abstiveram.
Para os palestinos, a vitória na Unesco é vista como um passo adiante na tentativa de ter seu Estado reconhecido pela ONU. A agência cultural foi a primeira na qual os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente Mahmoud Abbas entrou com o pedido de reconhecimento palestino nas Nações Unidas, em 23 de setembro.
Após a votação desta segunda-feira, foram ouvidos fortes aplausos e um grito de “Vida longa à Palestina” em francês.
Israel reagiu afirmando classificando a admissão de “manobra unilateral” palestina, dizendo que ela afasta as perspectivas de um acordo de paz. “Israel rejeita a decisão da Assembleia Geral da Unesco de aceitar a Palestina como Estado membro da organização”, indica um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, ao estimar que “se trata de uma manobra palestina unilateral que não mudará nada no terreno, mas que afasta a possibilidade de um acordo de paz”.
Além de Israel, os EUA também se opõem aos pedidos de reconhecimento palestinos na ONU e na Unesco. Antes da votação desta segunda-feira, o governo americano tinha ameaçado cortar o financiamento à Unesco caso o pedido palestino fosse aprovado.
Uma legislação dos EUA que remonta há mais de 15 mandatos obriga um corte completo de financiamento americano a qualquer agência da ONU que aceite os palestinos como membro pleno. A Unesco depende dos EUA para 22% de seu orçamento – ou cerca de US$ 70 milhões.
• Washington se opõe ao pedido palestino de uma cadeira na ONU sob o argumento de que isso não ajudaria nos esforços de reviver as negociações de paz com Israel, que sofreram colapso no ano passado.
Violência
Dois palestinos foram encontrados mortos na madrugada desta segunda-feira no sul da Faixa de Gaza, que teria sido alvo de um novo ataque aéreo israelense. Não está claro se os homens foram mortos no bombardeio.
O Exército israelense confirmou ter feito um ataque contra um grupo que atirou um foguete contra Israel, mas não deu detalhes sobre a operação.
Autoridades palestinas disseram que dois homens foram encontrados mortos durante a madrugada na região de Khan Yunes. Eles usavam uniformes da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP), estavam desarmados e nenhum lançador de foguete foi encontrado na região.
Com o anúncio de mais duas mortes, chega a 13 o número de vítimas nos enfrentamentos entre israelenses e palestinos neste fim de semana. Um dos mortos é um civil de Israel e os demais são palestinos.
A violência começou no sábado, quando Israel atacou um campo de treinamento do braço armado do grupo islamita no sul de Gaza e matou cinco de seus militantes, entre eles Ahmed Sheikh Khalil, dirigente do grupo, e feriu outros três.
O Exército israelense informou em comunicado que o alvo do ataque foi “um esquadrão terrorista que se preparava para lançar foguetes de longo alcance” contra solo israelense e era responsável pelo disparo de foguetes Grad na quarta-feira, que não causaram vítimas. Desde quarta, mais de 30 foguetes e morteiros foram disparados contra o sul de Israel.
A Força Aérea de Israel também bombardeou seis áreas, que descreveu como “instalações terroristas”, no sul e norte de Gaza, deixando quatro mortos e ferimentos graves em pelo menos dois militantes. Um porta-voz militar afirmou que os alvos atacados foram “um túnel terrorista e três centros de lançamento de foguetes no norte da faixa e dois centros de atividade terrorista no sul”.
No domingo, apenas oito horas após a Jihad Islâmica ter anunciado um cessar-fogo, Israel lançou um novo ataque aéreo contra um grupo de milicianos. O bombardeio matou um militante e deixou outro gravemente ferido em Rafah, no sul de Gaza.
Com EFE, AP, Reuters e AFP