De acordo com a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), a crise financeira mundial, que vive agora mais um capítulo dramático, é resultado de um processo iniciado nos anos 80, de sinergia entre Estados trocando impostos por dívidas e salários rebaixados sendo compensados por endividamento descontrolado, em virtude da adoção do receituário neoliberal.
“Especialistas europeus não descartam a possibilidade de os bancos franceses virem a ser a bola da vez, já que empresas e famílias estão extremamente endividadas no país, o que pode provocar fenômeno semelhante ao subprime nos EUA, guardadas as devidas proporções”, disse a professora da USP.
Semana passada, a agência de classificação de risco Moody”s rebaixou o rating dos bancos franceses Crédit Agricole e Société Générale, alegando a exposição de ambos aos papéis podres da Grécia. “Temos uma segunda rodada de problemas, agora mais centrados na Europa, que são produto da mesma crise estrutural que gerou 2008 e também desdobramentos da forma com que aquele período foi enfrentado – Estados nacionais se endividando para salvar bancos”.
No caso da Europa, Leda destaca que os países da Zona do Euro, sobretudo os periféricos, perderam autonomia para definir política monetária.
Quanto ao Brasil, ela considera Dilma Rousseff “menos comprometida” com o setor financeiro do que seu antecessor. “O fato de ter tirado Meirelles (da presidência do BC) e colocado um funcionário de carreira no BC, que não irá para um banco privado quando encerrar seu mandato, é significativo. O mesmo vale para o aumento do IPI sobre a importação de carros, entre outras iniciativas”, listou, acrescentando que “um governo tucano jamais faria isso, por conta do discurso contrário ao protecionismo”, finaliza.