Para o economista Marcos Coimbra, do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), antes de proteger a indústria nacional, a isenção tributária para a indústria automobilística vinculada à nacionalização de componentes, tem como objetivo preservar o mercado das montadoras aqui instaladas.
“São todas transnacionais, com enorme poder de pressão, já que mobilizam elos importantes de muitas cadeias produtivas. Da mesma forma que agora tentam se defender da entrada dos chineses e outros no mercado, já atacaram as nacionais Gurgel e FNM”, historia Coimbra.
A medida que consta do Decreto 7.567, publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União, determina que as montadoras instaladas no Brasil ou nos países do Mercosul terão de fabricar veículos com, no mínimo, 65% de conteúdo regional médio; investir pelo menos 0,5% da receita bruta total de venda de bens e serviços em atividades de inovação, de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico de produto no país; e desenvolver seis de 11 etapas em pelo menos 80% de sua produção de veículos no Brasil. Caso contrário, pagarão taxas maiores de IPI.
O economista considera que o percentual de 65% atenderá a setores menos importantes, enquanto os 35% restantes, que poderão ser importados, seriam, segundo ele, “a parte nobre dos automóveis”, que inclui motor e suspensão.
“Exportamos veículos muito melhores do que os vendidos no mercado interno, por causa dos itens de segurança que não temos aqui. E eles são mais baratos lá fora, não apenas devido à carga tributária”, compara.
O conselheiro do Cebres acrescenta que os incentivos recebidos pelas montadoras não são repassados para os consumidores, nem investidos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Se o conteúdo nacional superar os 70%, aí o governo começará a acertar”, salientou.