Cortar gastos mesmo sendo o menor déficit nominal do G20 e (tentar) segurar o rombo das contas externas com as exportações do agronegócio está fazendo um sanduíche (indigesto) com a reforma agrária
Até aqui, o investimento do governo na ampliação da reforma agrária é o menor desde 2001. Segundo matéria publicada na Folha, foram usados R$ 60,3 milhões para desapropriar novas áreas e transformá-las em assentamentos de trabalhadores rurais sem-terra -uma queda de 80% em relação à cifra desembolsada no mesmo período do ano passado.
Tanto em termos absolutos quanto em percentuais, esse é o valor mais baixo da era petista menor do que o registrado
nos dois últimos anos do governo FHC.
Cerca de 25% da população rural é extremamente pobre (pessoas com renda mensal de até R$ 70). O programa Brasil sem Miséria quer impulsionar a regularização de áreas já ocupadas, melhorar a produtividade e facilitar a venda de mercadorias da
agricultura familiar, mas não contempla a expansão do acesso à terra.
A mobilização dos movimentos sociais rurais também despencou:
o número de famílias acampadas pressionando para ser assentadas caiu de 59 mil, em 2003, para 3.579 em 2010.