Dois fatos que não têm nenhuma relação entre si podem, no entanto, trazer reflexões semelhantes. É o caso da queda de juros no Brasil e a proposta de reconhecimento, por mais de uma centena de países, do Estado da Palestina. A semelhança é que, em ambas as questões, talvez seja mais interessante verificar quem está contra.
No caso dos juros astronômicos praticados no Brasil, velhas e carcomidas figuras que defendem os interesses rentistas insistem na tese de que a “autonomia do Banco Central” foi ferida devido à uma suposta pressão do governo pela queda da taxa básica (Selic). Voltaram a surgir até alertas sobre um suposto repique inflacionário.
Já a sonhada independência da Palestina, nas fronteiras de 1967, que conta com apoio de ampla maioria das populações israelense e palestina, acha resistência naqueles fundamentalistas que, como Netanyahu, Hammas ou Síria, dizem aceitar apenas as justas e legítimas aspirações nacionais de apenas um lado.
Nesse jogo, muita gente digna e bem intencionada serve de massa de manobra para a direita, por não enxergare que esse falso conflito – com cúmplices importantes dos dois lados – tem objetivo de manter girando a roleta da indústria armamentista-financista-petroleira e, principalmente, impedir o DESENVOLVIMENTO do Oriente Médio. A região, se pacificada, poderia crescer rapidamente através da união de duas culturas milenares.
Por isso, é bom ficar alerta. A decisão da ONU sobre a Palestina – na verdade o Estado palestino já está autorizado desde 1947, mas os árabes não aceitaram a partilha com Israel - está marcada para 13 de setembro. Tomara que eu esteja errado, mas não se surpreendam se acontecer algum atentado, inclusive aproveitando a data-símbolo de 11 de setembro.
Vejam a seguir o belo vídeo produzido pelo site Vermelho.
http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=162531&id_secao=29