21/07/2011 – 23:07
Sarkozy espera redução da dívida em 135 bilhões de euros, nos próximos 30 anos
Novo empréstimo da UE transfere para o contribuinte o risco do setor financeiro
À custa de um aperto ainda mais brutal que será imposto à sociedade grega, a Zona do Euro chegou, nesta quinta-feira, a um acordo para reduzir o volume da dívida pública da Grécia e proteger os demais países da região, principalmente Itália e Espanha, de um possível contágio da crise.
Reunidos em uma cúpula de emergência em Bruxelas, na Bélgica, os governantes dos 17 membros da União Européia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiram conceder à Grécia um novo empréstimo no valor de 109 bilhões de euros (R$ 242 bilhões) com condições facilitadas.
O prazo para o reembolso da dívida foi ampliado para 15 a 30 anos e os juros, reduzidos a 3,5%, comparados com os 7,5 anos e 4,5% de juros impostos para o pacote de resgate anterior concedido à Grécia, de 110 bilhões de euros, aprovado em maio de 2010.
O setor financeiro foi chamado a contribuir com o plano mediante três opções: revender seus títulos do Estado grego por um preço inferior ao adquirido, trocar os títulos que possui por outros com maior prazo de vencimento (de até 30 anos), ou voltar a comprar os títulos que possui conforme estes vençam.
Assim, segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, seria possível reduzir em até 135 bilhões de euros, nos próximos 30 anos, o valor total da dívida grega, que se aproxima dos 150% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Porém, as agências de classificação de risco já alertaram que considerarão a prática como uma espécie de moratória. Para evitar que isso gere mais turbulência nos mercados europeus, os países do euro decidiram que o Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira – o fundo de resgate temporal do bloco – garantirá os títulos de dívida grega durante o período em que durar essa moratória.
Para Raoul Ruparel, economista-chefe do instituto de análise Open Europe, especializado em União Européia, o acordo alcançado nesta quinta-feira só servirá para reduzir temporariamente a pressão sobre a Grécia e falha ao não tratar a origem dos problemas de solvência do país. “Um segundo resgate e a ampliação do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira podem oferecer um estímulo à liquidez, mas, no final das contas, transferirá o risco do setor privado às instituições financiadas pelos contribuintes”, afirmou.