Monitor Mercantil 17/06/2011 – 23:06
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A dívida é privada, mas o Estado é fiador
Setor privado responde por 63% do aumento de US$ 84 bi da dívida
De acordo com o Instituto para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), de janeiro de 2009 a abril de 2011, o endividamento externo do país cresceu US$ 84,1 bilhões ou 42,4%.
E o setor privado respondeu pela maior parte. Enquanto a dívida do governo aumentou 8,7%, as captações dos bancos (mais 63,%) – cuja participação no total passou de 37,4% para 42,8% no mesmo período – o endividamento das empresas não financeiras subiu 51,8%.
Os dados não incluem a dívida decorrente de empréstimos intercompanhias, que cresceram US$ 38,2 bilhões, ou 59,2%.
“No total, a dívida externa brasileira foi ampliada no período pós-crise em US$ 122,3 bilhões ou 46,5%.”, contabiliza o Iedi, acentuando que o endividamento em moeda estrangeira “é um destacado componente da fragilidade financeira potencial das empresas brasileiras diante de um eventual choque externo”.
Para o economista Fernando Ferrari, da Associação Keynesiana do Brasil (AKB), “tudo leva a crer que o problema cambial vai se resolver pela crise”.
Para Ferrari, enquanto o governo “faz vista grossa”, a tendência é que as empresas se endividem cada vez mais no exterior: “Pois lá fora o juro é mais baixo e o viés para o dólar é de queda.”
O economista da AKB destaca, ainda, que as empresas que têm capacidade de alavancagem no exterior, “seja de forma mascarada, para diminuir o lucro tributável, seja para financiamento mesmo”, tendem a seguir aumentando suas dívidas, que são avalizadas pelo governo.
“Em caso de crise, os problemas serão repassados ao governo”, resume o economista, acrescentando que o fluxo cambial já vem apresentando queda significativa.