<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Rodrigo Medeiros &#187; Keynes</title>
	<atom:link href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/tag/keynes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros</link>
	<description>Novo-Desenvolvimentismo</description>
	<lastBuildDate>Wed, 26 Oct 2011 14:16:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.8.16</generator>
	<item>
		<title>O desafio de regular o mercado financeiro, entrevista com Luiz Fernando de Paula</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/17/desafio-de-regular-mercado-financeiro-entrevista-luiz-fernando-de-paula/</link>
		<comments>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/17/desafio-de-regular-mercado-financeiro-entrevista-luiz-fernando-de-paula/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 14:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Keynes]]></category>
		<category><![CDATA[política econômica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/?p=295</guid>
		<description><![CDATA[“Procura-se dar soluções de mercado para problemas que foram gerados justamente por um mercado excessivamente livre”, frisa o keynesiano Luiz Fernando de Paula ao analisar a crise financeira internacional e as medidas adotadas por governos europeus e estadunidense. Para ele, &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/17/desafio-de-regular-mercado-financeiro-entrevista-luiz-fernando-de-paula/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“Procura-se dar soluções de mercado para problemas que foram gerados justamente por um mercado excessivamente livre”, frisa o keynesiano Luiz Fernando de Paula ao analisar a crise financeira internacional e as medidas adotadas por governos europeus e estadunidense. Para ele, a economia mundial ainda não entrou em “grande depressão”, mas está longe de encontrar uma solução para os problemas econômicos. “Tudo leva a crer que não teremos uma recuperação a curto e médio prazo e não se sabe qual vai ser o tamanho do tombo que teremos para frente”, menciona.</p>
<p>Na entrevista a seguir, concedida à <a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=46429">IHU On-Line</a> por e-mail, o economista também comenta o Plano Brasil Maior, anunciado pelo governo brasileiro no início do mês para estimular a indústria nacional. “Uma política industrial só dá certo se for bem articulada com a política econômica, o que não é o caso do Brasil, pois os juros altos e câmbio apreciado são um desestímulo para realização de investimentos produtivos e em inovação. Assim, é mais um paliativo”, avalia.<span id="more-295"></span></p>
<p>Embora “houve uma flexibilização na política econômica” brasileira, o governo ainda intervém pouco em investimentos públicos e não resolve “o problema da apreciação cambial”, explica. De acordo com ele, o Brasil tenta adotar uma política keynesiana, ainda que “com várias deficiências”. E ressalta: “É um equívoco confundir políticas keynesianas com políticas fiscais expansionistas o tempo todo. Políticas fiscais são um instrumento poderoso anticíclico e devem estar comprometidas com o equilíbrio fiscal de longo prazo”.</p>
<p>Luiz Fernando de Paula é professor de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, e presidente da Associação Keynesiana Brasileira – AKB. Tem doutorado em Economia pelo IE/Unicamp e pós-doutorado na Universidade de Oxford. Editou e publicou vários livros no Brasil e no exterior, sendo o mais recente Financial Liberalization and Economic Performance: Brazil at the Crossroads (Routledge, 2011).</p>
<p>Confira a entrevista.</p>
<p>IHU On-Line – Qual é a importância e o significado da realização do IV Encontro Internacional no Brasil sobre o pensamento de Keynes organizado pela Associação Keynesiana Brasileira – AKB?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – A importância se deve ao fato de que se trata de um fórum acadêmico e político de discussão dos problemas econômicos atuais no mundo e no Brasil e dos rumos do keynesianismo no país. Foram apresentados cerca de 80 artigos acadêmicos, de profissionais de instituições de vários estados do Brasil; também foi realizado um minicurso sobre o sistema financeiro frente à crise. Ainda duas sessões especiais foram promovidas: uma sobre o desdobramento das crises mundial e outra sobre os rumos do keynesianismo. Tivemos a participação, entre outros, de Jan Kregel, Malcolm Sawyer, Luiz C. Bresser Pereira, Fernando Cardim, etc.</p>
<p>IHU On-Line – Como o senhor interpreta os desdobramentos da crise mundial em curso? Qual é a contribuição de Keynes para esse debate?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – A economia mundial não entrou em uma grande depressão, face ao uso de política fiscal e monetária anticíclica, mas está longe de sair da crise. Tudo leva a crer que não teremos uma recuperação a curto e médio prazo e não se sabe qual vai ser o tamanho do tombo que teremos para frente. Ou seja, não se sabe se teremos bem caracterizado uma recuperação em W , em função da crise do euro, que agora atinge o coração de região (Itália e Espanha) e do fato de que os EUA se comprometeram em fazer um ajuste fiscal muitíssimo prematuro, retirando a possibilidade, por ora, de usar a política fiscal para tirar a economia da crise. Keynes certamente ficaria bastante preocupado com a situação atual.</p>
<p>IHU On-Line – Por que os fundamentos do neoliberalismo que fizeram “água” com a crise mundial de 2008 continuam sendo os pilares de orientação macroeconômica na maioria dos países em crise?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Parece que as lições de crise não foram aprendidas inteiramente pelos policy-makers. Procura-se dar soluções de mercado para problemas que foram gerados justamente por um mercado excessivamente livre. Uma das críticas que se faz ao governo Obama, que tem algum fundo de verdade, é que ele se cercou de assessores ligados a Wall Street, e assim adotou políticas que beneficiaram o setor bancário, sem resolver efetivamente o imbróglio da crise. Foi esta percepção que os republicanos pegaram para “cortar as asas” do governo Obama.</p>
<p>IHU On-Line – Quais são as diferenças entre a crise da zona do euro e a crise americana e em que elas convergem?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – A convergência é decorrente de dois fatores: (I) serem mais ou menos coincidentes; e (II) se darem em um momento em que a economia mundial não tinha ainda se recuperado da crise. Ainda assim, trata-se de fenômenos diferentes. A crise do euro resulta não só dos impactos da crise mundial como também de problemas estruturais sérios relacionados à implantação dessa moeda (falta de mecanismos fiscais supranacionais, ausência de uma unidade política, diferenças de estrutura econômica e social entre países, etc.). Já a estadunidense está relacionada à incapacidade ou miopia política de parte da elite deste país (e de seu povo) de achar que reduzir déficit público é a solução, retirando do governo um instrumento econômico fundamental anticíclico que tinha disponível.</p>
<p>IHU On-Line – Qual é a relevância da política keynesiana em um período de economia global?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – A política econômica keynesiana deve ser vista não somente como políticas anticíclicas face à crise, mas também como uma política para prosperidade. A teoria pós-keynesiana tem elementos consistentes para serem usados a fim de criar condições de um crescimento sustentado compatível com estabilidade financeira.</p>
<p>IHU On-Line – Quais são os riscos e as consequências para a América Latina de uma nova crise mundial?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Embora em alguns aspectos a América Latina esteja melhor preparada para enfrentar a crise em relação ao anos 1980 e 1990 (há bom nível de reservas cambiais, não há endividamento externo excessivo, etc.), uma desaceleração econômica mundial irá afetar a região por vários canais, entre os quais pela queda da demanda e preços das commodities. A China neste momento não terá força para contrapor a uma desaceleração mundial. Por outro lado, a crise pode, em alguns aspectos, abrir uma janela de oportunidade para o Brasil resolver seu imbróglio de política econômica (juros elevados e câmbio apreciado), se o Banco Central Brasileiro aproveitar a oportunidade para fazer cortes significativos na taxa de juros.</p>
<p>IHU On-Line – Como avalia as últimas decisões do governo brasileiro para enfrentar o “derretimento” do dólar?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Necessárias, porque o governo agora tem instrumentos para intervir no mercado de derivativos em moeda estrangeira, mas insuficientes para contrapor a avalanche de recursos estimulados pelo diferencial de juros e melhoria na avaliação de risco-país. Deve-se pensar em alternativas, como o uso de um recolhimento compulsório sobre entrada de capitais (a chamada “quarentena”).</p>
<p>IHU On-Line – O governo brasileiro anunciou uma “nova política industrial”. Como avalia as medidas? Elas serão suficientes para alavancar a indústria?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Uma política industrial só dá certo se for bem articulada com a política econômica, o que não é o caso do Brasil, pois os juros altos e câmbio apreciado são um desestímulo para realização de investimentos produtivos e em inovação. Assim, é mais um paliativo.</p>
<p>IHU On-Line – Muitos economistas criticam a macroeconomia brasileira e argumentam que o país deve mexer no câmbio e diminuir a taxa de juros. Como o senhor vê essa crítica? Quais são os prós e contras do câmbio e da taxa de juros?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Na realidade, a grande jabuticaba brasileira são os juros reais ainda elevadíssimos. Deve-se criar condições para baixar o juros, acabando com os resquícios da indexação financeira (títulos públicos indexados à Selic) e de contratos (impactando sobre preços administrados) conjugados com políticas que evitem a curto prazo a apreciação cambial.</p>
<p>IHU On-Line – O governo Dilma é keynesiano?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Houve uma flexibilização na política econômica, como no caso do uso de maior gradualismo na política monetária, mas o governo fica ainda devendo nos investimentos públicos e em resolver o problema da apreciação cambial excessiva. Cabe ressaltar que é um equívoco confundir políticas keynesianas com políticas fiscais expansionistas o tempo todo. Políticas fiscais são um instrumento poderoso anticíclico e devem estar comprometidas com o equilíbrio fiscal de longo prazo. E, acima de tudo, os instrumentos de política econômica não devem ser vistos de forma isolada, mas sim de forma coordenada.</p>
<p>IHU On-Line – Um governo pode ser keynesiano, no sentido de intervir na economia, e neoliberal ao mesmo tempo, por favorecer os interesses do capital? É mais ou menos isso que acontece no Brasil?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Keynes não era contra o capitalismo, mas achava que esse sistema deveria ser “civilizado” por políticas públicas, e era um crítico da política de “laissez faire”. Quanto aos interesses do capital: há vários interesses do capital (rentista, produtivo, etc.) e não há capitalismo que sobreviva sem favorecer, em alguma medida, o capital. A questão é como conjugar isso com os interesses da sociedade com um todo, em termos de criação de emprego, maiores salários, melhor distribuição de renda, etc. È o que se tenta fazer no Brasil, ainda que com várias deficiências.</p>
<p>IHU On-Line – Recentemente, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, declarou que o mundo está vivendo o esgotamento do crescimento do Estado nas grandes democracias ocidentais. Ele enfatiza que “o mal-estar é causado pelo fato de que há déficits e dívidas enormes. Os gastos públicos têm que cair”. Também acredita que o mundo vive hoje o fim da era keynesiana, “onde tudo sempre se resolve com o gasto público, socializando perdas, ou acomodando sucessivas e inesgotáveis ‘conquistas’, e coalizões cada vez maiores”. Como o senhor, sendo um keynesiano, avalia essas declarações?</p>
<p>Luiz Fernando de Paula – Tais declarações me parecem equivocadas, quase estarrecedoras. A percepção geral, hoje, é que a crise financeira e econômica global resultou justamente da liberalização excessiva dos mercados financeiros, que fez a festa do setor bancário criando aquilo que ficou conhecido como “shadow banking”, com criação de operações opacas que não foram reguladas pelo regulador. Os déficits públicos são resultados da crise e não a causa, ou seja, decorrentes da necessidade de socorrer o setor bancário e fazer uso de políticas anticíclicas face à crise, somado ainda ao próprio efeito negativo da desaceleração econômica sobre as receitas fiscais. Enfim, alguns dos nossos economistas ortodoxo-liberais parecem que não aprenderam nada com a crise!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/17/desafio-de-regular-mercado-financeiro-entrevista-luiz-fernando-de-paula/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No Brasil, Keynes se sentiria em casa</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/31/brasil-keynes-se-sentiria-em-casa/</link>
		<comments>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/31/brasil-keynes-se-sentiria-em-casa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 22:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[AKB]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Keynes]]></category>
		<category><![CDATA[keynesianismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/?p=254</guid>
		<description><![CDATA[Ao longo da história do País, muitos governantes aplicaram ao pé da letra os preceitos e a doutrina do economista inglês Fábio Alves &#8211; O Estado de S. Paulo Se Deus não fosse brasileiro, John Maynard Keynes certamente deveria ter &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/31/brasil-keynes-se-sentiria-em-casa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ao longo da história do País, muitos governantes aplicaram ao pé da letra os preceitos e a doutrina do economista inglês</strong></p>
<p>Fábio Alves &#8211; <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110731/not_imp752360,0.php">O Estado de S. Paulo</a></p>
<p>Se Deus não fosse brasileiro, John Maynard Keynes certamente deveria ter sido. Em nenhum outro país o economista inglês que publicou o cânone &#8220;Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda&#8221;, em 1936, tem tantos discípulos na academia. E ao longo da história foram muitos os governantes que aplicaram ao pé da letra seus preceitos e doutrina.</p>
<p>Atestam isso o número expressivo de economistas alinhados com a teoria keynesiana no alto escalão do governo Dilma Rousseff e o crescimento significativo da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), que promoverá nesta semana, no Rio de Janeiro, a quarta edição de seu encontro internacional.<span id="more-254"></span></p>
<p>O encontro servirá para acadêmicos brasileiros e estrangeiros discutirem o panorama do sistema financeiro mundial e a crise do euro. O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira participará de uma sessão especial para debater as estratégias de crescimento pós-crise para a economia global e brasileira.</p>
<p>A associação, que encontra apenas na França entidade de tamanho semelhante em número de seguidores, já conta com 120 membros, mais que o dobro dos 50 acadêmicos brasileiros que a criaram em 2008, ano em que a crise financeira mundial reacendeu o temor da Depressão dos anos 30.</p>
<p>O pensamento keynesiano espraiou-se com tal amplitude no Brasil que atualmente existem poucos centros acadêmicos, entre eles as escolas do Rio de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da PUC, que podem ser considerados ainda bastiões da teoria neoclássica, identificada com a defesa ampla do livre mercado e da limitada intervenção do Estado na economia.</p>
<p>Já a Unicamp, cujo programa de mestrado foi frequentado pela presidente Dilma, encabeça a linha de pensamento heterodoxo, entre os quais a teoria keynesiana, cujo cerne é mostrar que economias capitalistas são inerentemente instáveis, já que o pleno emprego é uma utopia de economistas clássicos como o célebre escocês Adam Smith.</p>
<p>Essa popularidade recente de Keynes recebeu um empurrão depois da crise de 2008, que ressuscitou os ensinamentos do economista inglês, que morreu em 1946. Os Estados Unidos e a Europa foram forçados a adotarem políticas anticíclicas para evitar um colapso econômico, resgatando bancos privados e injetando bilhões de dólares na economia.</p>
<p>Presença nacional. Mas foi o Brasil que deflagrou essa guinada no mundo, mais precisamente durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abandonou uma política econômica mais conservadora em termos fiscal e monetário. Mais do que Lula, o perfil do governo Dilma está marcado por economistas defensores de medidas heterodoxas encontradas no receituário de Keynes.</p>
<p>&#8220;O keynesianismo de Lula no segundo mandato foi mais por reação do que por convicção, com uma política pragmática em razão de um ambiente muito adverso na economia mundial&#8221;, explica o professor Fernando Ferrari Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e vice-presidente da AKB. &#8220;Já no governo Dilma, há muito mais gente identificada com uma corrente keynesiana desenvolvimentista.&#8221;</p>
<p>Além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), Luciano Coutinho, outros economistas tidos como keynesianos no governo Dilma incluem o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o secretário de Política Econômica, Márcio Holland de Brito. É a essa inclinação para um desenvolvimentismo à la  Keynes que muitos atribuem a escolha da presidente Dilma e, por tabela, do Banco Central em não sacrificar o crescimento econômico em prol do combate à inflação, abrindo mão, inclusive, de atingir neste ano o centro da meta do regime de inflação, de 4,5%.</p>
<p>&#8220;Um economista ortodoxo típico consideraria a política econômica atual como keynesiana porque ela tem procurado, por meio de certa flexibilização, fazer um sacrifício no combate à inflação que possa ter perdas mais fortes, quiçá desnecessárias, do crescimento do produto e do emprego&#8221;, diz o presidente da AKB, Luiz Fernando de Paula, também professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.</p>
<p>O keynesianismo no Brasil ganhou força com a atuação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), criada em 1948 e que teve como expoentes o renomado economista argentino Raúl Prebisch e o brasileiro Celso Furtado. Mas o fato de a América Latina, e em particular o Brasil, ser um terreno tão fértil para a ideia do Estado como ator principal na indução da industrialização é atribuído pelos acadêmicos ao desenvolvimento tardio da indústria na região, em comparação aos países desenvolvidos, que já tinham ultrapassado a segunda fase da revolução industrial quando Keynes escreveu a sua teoria.</p>
<p>&#8220;O Brasil precisa desenvolver sua indústria e financiar seus empreendedores por meio da poupança nacional e de um banco de investimento nacional (BNDES), e não depender do mercado financeiro (controlado pelo Norte) para reduzir as desigualdades sociais e ter um crescimento econômico forte&#8221;, diz o professor Edwin Le Heron, da Universidade de Bordeaux e presidente da Adek, a associação keynesiana da França, que tem 90 associados. &#8220;Tivemos a mesma estratégia na França com o general De Gaulle.&#8221;</p>
<p>Ostracismo. Os keynesianos de carteirinha culpam o ex-presidente americano Ronald Reagan e a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher pelo ostracismo relegado a Keynes com o foco no modelo neoliberal de política econômica nos Estados Unidos e na Inglaterra praticamente até hoje, resultando, inclusive, no Consenso de Washington, conceito elaborado em 1990 por John Williamson, do Peterson Institute for International Economics, e encampado pelo FMI.</p>
<p>Pela cartilha do Consenso, privatização, liberalização comercial e desregulamentação da conta de capital deveriam ser a prioridade dos governos latinos, depois da década de 80 marcada por hiperinflação e crise da dívida externa. A Argentina tornou-se o modelo desse novo receituário, que teve no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso seu seguidor no Brasil.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/31/brasil-keynes-se-sentiria-em-casa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>The Wars of Austerity</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2010/12/04/the-wars-of-austerity/</link>
		<comments>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2010/12/04/the-wars-of-austerity/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 00:52:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[economia política]]></category>
		<category><![CDATA[Keynes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/?p=32</guid>
		<description><![CDATA[Robert Skidelsky As Keynes wisely remarked, “If nations can learn to provide themselves with full employment by their domestic policy…there would no longer be a pressing motive why one country need force its wares on another or repulse the offerings &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2010/12/04/the-wars-of-austerity/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/skidelsky34/English">Robert Skidelsky</a></p>
<p>As Keynes wisely remarked, “If nations can learn to provide themselves with full employment by their domestic policy…there would no longer be a pressing motive why one country need force its wares on another or repulse the offerings of its neighbor.” Trade between countries “would cease to be what it is, namely a desperate expedient to maintain employment at home by forcing sales on foreign markets and restricting purchases.” It would become, instead, “a willing and unimpeded exchange of goods and services in conditions of mutual advantage.”</p>
<p>In other words, today’s turmoil over currencies and trade is a direct result of our failure to solve our employment problem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2010/12/04/the-wars-of-austerity/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
