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	<title>Blog do Rodrigo Medeiros &#187; desenvolvimento</title>
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	<description>Novo-Desenvolvimentismo</description>
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		<title>A Transformação da China em Economia Orientada à Inovação &#8211; Parte 2</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 13:45:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
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		<description><![CDATA[Do site do Iedi: Estamos dando sequência na presente edição da Carta IEDI à divulgação do estudo sobre a política de inovação na China. Desde 1978 quando iniciou sua reforma econômica, a China vem reduzindo rapidamente sua distância em relação &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/09/17/transformacao-da-china-em-economia-orientada-a-inovacao-parte-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Do <a href="http://www.iedi.org.br/cartas/carta_iedi_n_485_a_transformacao_da_china_em_economia_orientada_a_inovacao_parte_2.html">site do Iedi</a>:</p>
<p>Estamos dando sequência na presente edição da Carta IEDI à divulgação do estudo sobre a política de inovação na China. Desde 1978 quando iniciou sua reforma econômica, a China vem reduzindo rapidamente sua distância em relação aos países de economia avançada. O sucesso da estratégia chinesa de catching-up se expressa em diversos indicadores. Em 2010, por exemplo, a China, que em termos do produto interno bruto (PIB) em paridade do poder de compra já ocupava o segundo lugar desde 2001 atrás apenas dos Estados Unidos, tornou-se também a segunda maior economia mundial em termos do PIB em dólar corrente.</p>
<p>Em ciência, tecnologia e inovação (C, T &amp; I), a ascensão da China tem sido especialmente impressionante. Desde 1999, os investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) crescem em média 20% por ano, tendo alcançado 1,44% do PIB em 2007, convergindo rapidamente para a média de 2,1% do grupo dos principais países avançados. A meta é elevar as despesas com P&amp;D para 2,5% do PIB em 2020. A emergência da China como potência em tecnologia e inovação é o objeto do presente estudo.<span id="more-327"></span></p>
<p>A China registra um notável desempenho na solicitação de patentes no exterior, indicador da aplicação do conhecimento científico. O número de patentes de invenções obtidas junto ao escritório americano de patentes e marcas (USPTO, na sigla em inglês) atingiu 2.657 em 2010 (90 em 1999). Já o número de solicitações chinesas de patentes internacionais no âmbito do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT, na sigla em inglês), que garante proteção às invenções domésticas em 142 países, mais do que triplicou entre 2006 e 2010, levando a China da oitava para a quarta posição do ranking, ultrapassando a Coreia do Sul, a França, o Reino Unido e a Holanda e reduzindo o diferencial em relação à Alemanha, terceiro lugar do ranking, atrás dos Estados Unidos e do Japão.</p>
<p>Embora os Estados Unidos e o Japão permaneçam como os países-líderes em ciência, tecnologia e inovação (C, T &amp; I), a China se tornou em 2008 o segundo maior produtor mundial de conhecimento científico, expresso no número de artigos publicados, após revisão crítica, em revistas científicas, atrás apenas dos Estados Unidos. Mantido na atual trajetória, o avanço chinês na produção científica mundial deverá levar o país à primeira posição em meados da presente década. Em algumas áreas do conhecimento, como química e nanotecnologia, a China já alcançou reconhecida excelência.</p>
<p>A China também não é mais um país majoritariamente produtor e exportador de produtos industriais de baixa tecnologia e/ou qualidade. Seguindo os passos de outros países asiáticos no processo de catch-up, a China avançou rapidamente na cadeia de valor. Na última década, esse país elevou sua participação no valor agregado mundial nos setores industriais de alta tecnologia, alcançando 14% do total mundial em 2007, atrás apenas dos Estados Unidos. Com uma taxa anual média de crescimento da ordem de 28% no período 2000-09, as exportações chinesas de alta tecnologia saltaram de 18,5% em 2000 para 31% das exportações industriais totais em 2009.</p>
<p>O sucesso da convergência tecnológica chinesa frente aos países avançados repousa na visão estratégica de longo prazo do governo, que vem, desde a década de 1980, elaborando sucessivos planos de desenvolvimento cientifico e tecnológico. Nesses planos, a prioridade conferida à ciência e inovação tem sido coerentemente articulada com outros aspectos da política industrial, tais como formação de recursos humanos, estratégias setoriais, propriedade intelectual, uso seletivo do investimento estrangeiro direto.</p>
<p>Além da rápida e sistemática absorção de conhecimento estrangeiro, a China investiu pesadamente em capital humano, promovendo todos os níveis educacionais do país, bem como educação e treinamento no exterior, e na construção da infraestrutura de ciência e tecnologia. Desde meados de 1990, foram criados mais de 100 laboratórios nacionais em áreas selecionadas de pesquisa básica e inúmeros parques científicos e tecnológicos.</p>
<p>Nesse país, onde muitos membros do Conselho de Estado &#8211; a mais alta instância do governo &#8211; são cientistas e engenheiros experientes, o progresso científico e tecnológico é entendido como o principal meio de obter ganhos substanciais de produtividade e de promover o desenvolvimento econômico e social, de forma coordenada e sustentável. Essa visão está claramente explicitada no Programa Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento Ciência e Tecnologia (MLP, na sigla em inglês), anunciado em 2006, que pretende transformar a China em uma economia orientada à inovação até o ano de 2020, de modo a garantir a manutenção do crescimento em um patamar elevado e assegurar a coesão social interna. Os princípios norteadores dos esforços chineses nesse período de quinze anos são:</p>
<p>* Inovação nativa: fomento à inovação original própria, à inovação integrada (novos usos para tecnologias existentes) e à re-inovação (absorção e aperfeiçoamento de tecnologias importadas), em ordem de melhorar a capacidade de inovação nacional;</p>
<p>* Saltos tecnológicos (&#8220;leapfrogging&#8221;) em áreas prioritárias: selecionar e concentrar esforços em áreas-chave, de força e vantagem relativa, vinculadas à economia nacional e à subsistência da população, bem como à segurança nacional;</p>
<p>* Promoção do desenvolvimento: viabilizar tecnologias-chave que são urgentemente necessárias para o desenvolvimento econômico e social sustentável e coordenado;</p>
<p>* Liderar o futuro: utilizar pesquisas básicas e tecnologias de ponta para criar novas demandas e novas indústrias, as quais irão impulsionar o futuro crescimento econômico e desenvolvimento social.</p>
<p>Os principais objetivos do MLP são: reduzir a dependência da China de tecnologia estrangeira para menos de 30% até 2020; ampliar o gasto doméstico bruto com P&amp;D de 2,0% do PIB em 2010 para 2,5% em 2020; elevar a contribuição das atividades de C, T &amp; I a 60% do crescimento do PIB; posicionar a China entre os cinco principais países do mundo em número de patentes domésticos e em citação internacional de artigos científicos. São inúmeras as evidências de que China vem realizando progressos significativos em direção as metas definidas no MLP.</p>
<p>A emergência da China como potência científica e tecnológica representa um sério desafio para os países avançados, que já enfrentam a crescente concorrência chinesa em diferentes áreas, e deve servir de inspiração para outros países em desenvolvimento. Porém, é preciso ressaltar que o avanço chinês ainda está longe de implicar no declínio dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido e outros. Embora estejam perdendo participação em termo de investimento e desempenho na atividade global de P&amp;D, a produção científica e tecnológica desses países segue crescendo em termos absolutos a partir de uma base já elevada.</p>
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		<title>Aperto fiscal não é solução contra crise financeira global, diz Unctad</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 22:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[TDR 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Unctad]]></category>

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		<description><![CDATA[De acordo com novo relatório da Unctad, políticas restritivas reduzem o crescimento econômico e as receitas de impostos, jogando contra a estabilidade fiscal. Crises dos anos 90 trouxeram esse ensinamento, diz um dos autores do estudo, o economista argentino Alfredo &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/09/07/aperto-fiscal-nao-e-solucao-contra-crise-financeira-global-diz-unctad/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>De acordo com novo relatório da Unctad, políticas restritivas reduzem o crescimento econômico e as receitas de impostos, jogando contra a estabilidade fiscal. Crises dos anos 90 trouxeram esse ensinamento, diz um dos autores do estudo, o economista argentino Alfredo Calcagno.</em></p>
<p>Marcel Gomes / <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18418">Carta Maior</a></p>
<p>SÃO PAULO – Pacotes de corte de gastos governamentais podem agravar ainda mais os efeitos da crise financeira global em vez de amenizá-los, diz relatório da agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, a Unctad, divulgado nesta terça-feira (6).</p>
<p>“Políticas fiscais restritivas atacam os sintomas, e não as causas da crise”, alertou o economista argentino Alfredo Calcagno, um dos autores do estudo, em teleconferência realizada a partir de Paris. Segundo ele, a explosão da dívida pública não é causa da crise financeira internacional, mas conseqüências dela.<span id="more-317"></span></p>
<p>A explicação é simples. Com a deterioração dos fundamentos econômicos mundiais a partir de 2007, os governos abriram os cofres públicos ao lançar pacotes de estímulo econômico, salvar empresas quebradas e, no caso das nações em desenvolvimento, pagar taxas de juros mais elevadas.</p>
<p>O Brasil e diversos países ricos, como a Itália, anunciaram recentemente planos para cortar gastos e enfrentar a crise. Mas o relatório da Unctad não aprova essa receita.</p>
<p>“Uma vez que a crise não foi causada por políticas fiscais perdulárias, a austeridade fiscal não é uma resposta adequada. A transição do estímulo fiscal para o aperto fiscal é auto-destrutivo. Este é especialmente o caso das economias mais desenvolvidas que foram severamente atingidas pela crise”, diz o texto.</p>
<p>Anos 90</p>
<p>Em sua exposição, Calcagno pediu que os ensinamentos das crises internacionais da década de noventa não sejam esquecidos. Um deles é que restrição fiscal não gera estabilidade fiscal, pois é uma política que incide negativamente sobre o crescimento econômico e as receitas do governo. “Os países desenvolvidos estão fazendo políticas para não crescer”, afirmou.</p>
<p>O economista argentino lembra que o argumento central usado para justificar políticas fiscais restritivas é a necessidade de restaurar a confiança dos mercados financeiros. Entretanto, diz ele, é importante considerar que a crise foi principalmente gerada pelo comportamento dos mercados financeiros, e que eles requereram custosas intervenções públicas.</p>
<p>&#8220;Surpreende que esses atores, inclusive agências se rating, sejam considerados quando se discute uma gestão macroeconômica correta&#8221;, questiona.</p>
<p>Na avaliação da Unctad, uma política fiscal expansionista pode ter fortes efeitos sobre a demanda, aumentar os lucros do setor privado e elevar as receitas com impostos. O relatório afirma, porém, isso pode ser feito sem elevação do total de gastos públicos, mas o reestruturando, com foco em investimentos em infra-estrutura, transferências sociais e subsídios ao investimento privado.</p>
<p>Mais regulação</p>
<p>Como propostas para solucionar a crise, a Unctad não vê outra maneira senão maior regulação do mercado financeiro global. Novas regras acertadas pelos países deveriam estancar a especulação nas bolsas de commodities, restringir a ação das grandes corporações financeiras globais e controlar fluxos financeiros que geram a volatilidade das taxas de câmbio nacionais.</p>
<p>A Unctad acredita que pouco tem sido feito nessa direção. O relatório critica o G-20, que vem discutindo o tema, mas cujas propostas ainda não implementadas mantêm expostas as nações em desenvolvimento a oscilações bruscas dos preços das commodities e a choques externos, como fuga de capitais.</p>
<p>Ao estimar o crescimento econômico, a Unctad prevê que os países em desenvolvimento continuarão sendo a locomotiva mundial. Esse grupo de nações deve crescer em 2011 acima de 6% em média, antes um máximo 2% em média dos países desenvolvidos. Entretanto, a taxa de expansão econômica mundial soluçará, dos 4% anotados em 2010 para 3% neste ano.</p>
<p>Na opinião do órgão da ONU, a razão para essa diferença é clara. No grupo em desenvolvimento, salários em ascensão e gastos públicos servem de blindagem contra a crise. No grupo desenvolvido, a estagnação é resultado de alto desemprego, achatamento dos salários, redução dos empréstimos bancários devido à crise dessas instituições e corte de gastos públicos.</p>
<p>Mas o relatório alerta que o cenário segue instável. “O crescimento nos países em desenvolvimento tem sido fortemente baseado na expansão da demanda doméstica. No entanto, essas nações ainda enfrentam significantes riscos externos gerados pela fragilidade das economias desenvolvidas. A ausência de reformas substanciais nos mercados financeiros internacionais é um risco adicional”, diz o texto.</p>
<p>A íntegra do relatório da Unctad está disponível em inglês (<a href="http://www.unctad.org/en/docs/tdr2011_embargo_en.pdf">clique aqui</a>).</p>
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		<title>Por uma nova engenharia</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 22:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[engenharia de sistemas complexos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Matéria publicada no Jornal da Ciência: O Brasil está ficando para trás em uma área de fronteira do conhecimento, denominada &#8220;sistemas complexos&#8221;, que é tão importante como a nanotecnologia e as terapias com células-tronco, nas quais o país tem investido &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/09/02/por-uma-nova-engenharia/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Matéria publicada no <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79121">Jornal da Ciência</a>:</p>
<p>O Brasil está ficando para trás em uma área de fronteira do conhecimento, denominada &#8220;sistemas complexos&#8221;, que é tão importante como a nanotecnologia e as terapias com células-tronco, nas quais o país tem investido e em que a nova área também se aplica.</p>
<p>O alerta é de Sérgio Mascarenhas, professor e coordenador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). No início da década de 1970, quando foi reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mascarenhas idealizou e lançou o curso de engenharia de materiais, pioneiro na América Latina.</p>
<p>Segundo ele, o País deve investir agora na criação da engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade, como são definidos os sistemas complexos. Ou, caso contrário, poderá ficar muito atrás de países como os Estados Unidos, que lideram nas pesquisas nessa nova área que reúne física, química, biologia, educação e economia, entre outras especialidades.<span id="more-312"></span></p>
<p>Em 2008, Mascarenhas fundou no IEA de São Carlos, juntamente com o professor do Instituto de Química da USP de São Carlos Hamilton Brandão Varela de Albuquerque e a professora do Instituto de Física Yvonne Primerano Mascarenhas, um grupo de trabalho em sistemas complexos para contribuir para o desenvolvimento de pesquisas na área no País.</p>
<p>Por meio de uma associação com o Nobel de Química de 2007, Gerhard Ertl, premiado por suas pesquisas em sistemas complexos, e com um aluno do cientista alemão na Coreia do Sul, os pesquisadores brasileiros estabeleceram uma rede internacional de pesquisas na área conectando os três países.</p>
<p>Agora, a proposta de Mascarenhas é fomentar no Brasil a criação de um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas complexos para diminuir o atraso do País nessa área.</p>
<p>Professor aposentado da USP, Mascarenhas contribuiu para a criação da área de pesquisa em física da matéria condensada no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), no fim dos anos 1950; da Embrapa Instrumentação Agropecuária, no final da década seguinte, na mesma cidade, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no começo dos anos 60.</p>
<p>Em 2007, Mascarenhas ganhou o prêmio Conrado Wessel de Ciência Geral e, em 2002, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.</p>
<p>Professor visitante de diversas universidades estrangeiras, em suas pesquisas Mascarenhas tratou de assuntos diversos, como os eletretos, corpos permanentemente polarizados que produzem um campo elétrico e que seriam utilizados mundialmente na fabricação de microfones e aparelhos telefônicos.</p>
<p>No início da carreira, o pesquisador se dedicou ao estudo do efeito termo-dielétrico. Mais tarde, também realizou trabalhos na área de dosimetria de radiações (processo de monitoramento de radiação emitida), o que lhe permitiu, por exemplo, medir a quantidade de radiação existente em ossos de vítimas de Hiroshima.</p>
<p>Recentemente, Mascarenhas desenvolveu um método minimamente invasivo para medir pressão intracraniana que recebeu apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser difundido no Brasil e em toda a América Latina. O projeto foi desenvolvido com apoio do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; O que é a engenharia de sistemas complexos?</p>
<p>Sérgio Mascarenhas &#8211; É uma engenharia de sistemas de sistemas. O que já existe é a engenharia de sistemas, que é aplicada em logística, em transporte e em sistemas construtivos, entre outras áreas. O que não existe é uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são complexos. O melhor exemplo de um sistema de sistemas é a internet, onde há desde pornografia até o Wikileaks e o Google.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; Em quais áreas a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; Ela se aplica não só a materiais mas em operações financeiras e no agronegócio, por exemplo, em que há uma série de problemas que influenciam a produção agrícola. Há o problema do solo, de defensivos e insumos agrícolas, de estocagem e transporte, por exemplo, para que toda a produção da região Centro-Oeste do Brasil seja exportada.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; São sistemas que envolvem muitas variáveis?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; Exatamente. Todo sistema que apresenta muitas variáveis é um sistema complexo. E isso pode se agravar se a interação entre essas variáveis for não linear. Por exemplo, no agronegócio, se dobrar a produção de milho, se quadruplicar o preço do transporte do sistema logístico frente às dificuldades das estradas brasileiras, aí aparecem as chamadas não linearidades. Então, quando se tem um sistema complexo, as variáveis podem interagir não linearmente. Elas podem se multiplicar até exponencialmente.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; O que o motivou a encampar a criação no Brasil dessa nova área?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; Neste ano se comemoram 40 anos da criação do curso de graduação em engenharia de materiais na UFSCar, que idealizei quando era reitor da universidade e que é um sucesso. Agora, achei que deveria propor algo mais moderno, voltado para o século 21. A engenharia de sistemas complexos é uma área nova e muito interessante e para qual não está sendo dada a devida atenção no Brasil. Se fala bastante no País em pesquisa em áreas como a nanotecnologia e células-tronco, mas não sobre a engenharia de sistemas complexos, que se aplica a todas essas áreas e na qual não estamos formando gente.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; Como essa nova engenharia poderia ser implementada no País?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; A ideia seria criar um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas para formar professores e pesquisadores nessa área. Não existe engenharia de sistemas complexos no Brasil e não há pesquisadores no país nessas áreas nem em faculdades tradicionais, como a Escola Politécnica da USP e as Faculdades de Engenharia da USP de São Carlos e da UFSCar. O que já existe no Brasil é engenharia de sistemas, mas não uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; Por que essa nova engenharia ainda não existe no Brasil?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; Porque é uma área muito nova e no Brasil há uma preocupação em &#8220;tapar o buraco&#8221; de uma porção de outras engenharias, como a de materiais, de sistemas elétricos e até de meio ambiente, e se perde o futuro tratando do passado. É um atraso muito grande da engenharia brasileira ainda não atuar em sistemas complexos. Além disso, o problema dessas áreas novas é que é preciso ter bons contatos internacionais e políticas de Estado &#8211; e não de governo &#8211; para enfrentar algo que representa um risco.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; De que modo as pesquisas nessa área no Brasil poderiam ser articuladas?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; Teríamos que ter uma rede. Hoje não se faz nada, se se quer ter impacto, sem falar em rede de pesquisa. Mesmo porque ainda somos tão poucos no Brasil que se não nos juntarmos em rede conseguiremos muita pouca coisa, por falta de massa crítica. Um centro de pesquisa nessa área não pode ser sediado só em São Carlos. Outras universidades também estão interessadas.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; Há algum grupo de pesquisa nessa área no Brasil?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; No Instituto de Estudos Avançados da USP, em São Carlos, temos um grupo de trabalho sobre sistemas complexos. Essa é uma história interessante porque quem ganhou o prêmio Nobel de Química em 2007 foi um cientista alemão, chamado Gerhard Ertl, por suas pesquisas sobre sistemas complexos. E nós, no IEA, fizemos uma associação com o Ertl, na Alemanha, e com um aluno dele na Coreia do Sul. Então, agora temos em São Carlos uma rede de pesquisa sobre sistemas complexos integrando Berlim, São Carlos e a Coreia do Sul.</p>
<p>Agência Fapesp &#8211; Quais os países que lideram nas pesquisas em sistemas complexos?</p>
<p>Mascarenhas &#8211; O país que está na vanguarda nessa área são os Estados Unidos, com o MIT [Massachusetts Institute of Technology], com um centro que lida muito com questões bélicas. A própria guerra é um sistema complexo, porque nela há uma série de sistemas interagindo, como o de transportes, ofensivo, estratégico e de logística, para alimentar os soldados e transportar equipamentos e armamentos. Os militares lidam com sistemas de sistemas. Aliás, se olharmos para o passado, vemos que muitas aplicações de engenharia foram motivadas pelo poder bélico, como a internet, a robótica e bombas atômica e de fusão. O grande problema da humanidade hoje é criar instituições motivadoras de inovação que não sejam estimuladas apenas pela guerra militar, porque temos outras guerras para vencer. Tem a guerra da saúde, da educação, da violência urbana e muitas outras. E a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada para acabar com essas guerras sociais. Se o Brasil não aproveitar essa chance para ingressar nessa área, vamos ficar muito para trás em relação a outros países.</p>
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		<title>A crise e a aposta de Ignacy Sachs para a Rio-2012</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 14:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Rio-2012]]></category>

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		<description><![CDATA[A urgência ambiental tem um encontro marcado no Brasil em 2012: o país sediará a Cúpula da Terra, o mais importante fórum da ONU sobre as agendas, compromissos e diretrizes em torno de um novo padrão de relação entre desenvolvimento &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/30/crise-aposta-de-ignacy-sachs-para-rio-2012/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A urgência ambiental tem um encontro marcado no Brasil em 2012: o país sediará a Cúpula da Terra, o mais importante fórum da ONU sobre as agendas, compromissos e diretrizes em torno de um novo padrão de relação entre desenvolvimento e meio ambiente. O que a sustentabilidade do século XXI pode esperar de Estados inabilitados para sustentar a própria contabilidade? Em entrevista exclusiva à <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18338">Carta Maior</a>, o economista e sociólogo Ignacy Sachs apresenta as linhas gerais de uma proposta que pode ser o elo entre forças e agendas ainda desencontradas, mas de cuja afinidade depende em grande parte o êxito ou o fracasso da intervenção brasileira na Rio-2012 e, por que não, da própria cúpula.</p>
<p>Carta Maior &#8211; Em 1992, a Cúpula da Terra, no Rio, foi atropelada pela emergência do ciclo neoliberal. A Cúpula de 2012 acontece em meio a maior crise do capitalismo desde 1929. De novo vamos na contramão?</p>
<p>Ignacy Sachs &#8211; De fato, a Rio-92 foi uma grande conferência com uma agenda bastante razoável, mas que coincidiu com o fim da União Soviética e a emergência da onda neoliberal que varreu o mundo. O resultado é que de lá para cá nós não avançamos, nós recuamos.</p>
<p>CM &#8211; Que marcos o senhor destacaria nesse retrocesso?<span id="more-304"></span></p>
<p>IS &#8211; Bom, tivemos Bush! A guerra do Iraque&#8230; e tudo o que se originou dessa correlação de forças em termos de consequências ambientais. A Rio-92 aconteceu na contramão da história.</p>
<p>CM &#8211; Agora, a cúpula de 2012 será atropelada pela crise?</p>
<p>IS &#8211; Embora o tempo para prepará-la seja muito, muito pequeno e isso condicione o que podemos pensar em termos de agenda brasileira, talvez ela ocorra num porvir histórico mais favorável.</p>
<p>CM &#8211; Mas a crise atual acua governos e muitos se aferram à radicalização dos mesmos princípios que a originaram&#8230;</p>
<p>IS &#8211; A crise é a evidência contundente de que a receita neoliberal fracassou. E isso com certeza amplia o campo para se propor uma outra visão do futuro.</p>
<p>CM &#8211; Qual visão?</p>
<p>IS &#8211; Comecemos pelo que se pode querer da conferência. Em primeiro lugar, a Rio-2012 deve ser um ponto de ordenação de agendas. Os países membros das Nações Unidas devem sair dela comprometidos a trazer, num prazo de dois anos, seus planos de desenvolvimento sustentável e socialmente inclusivos. Ao mesmo tempo, é imprescindível reconstruir ferramentas institucionais. É preciso reposicionar a velha casa das Nações Unidas para as gigantescas tarefas que temos diante de nós.</p>
<p>CM &#8211; O que isso significa em termos práticos?</p>
<p>IS &#8211; Significa que sem dinheiro não iremos a lugar algum, muito menos a um mundo sustentável. É necessário resgatar a agenda de construção de um fundo para o desenvolvimento inclusivo e sustentável dos países mais pobres. Não cumprimos essa etapa no passado, ela sempre volta; terá que ser enfrentada agora. Nos anos 60/70 tínhamos a meta do famoso ‘1%’ dos países ricos para financiar a emancipação das nações pobres. Acho imprescindível retomá-la.</p>
<p>CM &#8211; Mas nem para a fome no Chifre da África há recursos &#8230;</p>
<p>IS &#8211; Nunca chegamos perto desse 1%. No melhor dos momentos apenas alguns países escandinavos se aproximaram de 0,8%, algo assim.</p>
<p>CM &#8211; Em pleno florescer do arrocho fiscal é viável resgatar essa agenda?</p>
<p>IS &#8211; Arrocho fiscal diante de uma crise como essa é um despropósito. Um náufrago agarra qualquer coisa que tenha pela frente, o que não significa que irá se salvar. O que estamos vendo é o oposto do que recomenda o bom senso e o keynesianismo. Não terá êxito. Vejo cinco portas de abertura para a criação de um financiamento adequado às metas de Rio-2012. A primeira, retomar a agenda do famoso 1% dos ricos; a segunda, criar uma taxa sobre emissão de carbono; a terceira, e creio que o momento é muito favorável, retomar a campanha pela taxa Tobin sobre transações financeiras; a quarta, e essa é uma sugestão minha: instituir pedágios sobre oceanos e ares, um percentual mínimo sobre passagens aéreas e marítimas; a quinta, multiplicar acordos plurianuais de comércio internacional, sobretudo de commodities, para estabilizar fluxos e preços e reduzir as flutuações especulativas que causam inflação e fome. Aqui abre-se espaço para resgatar uma proposta de autoria do Kalecki, feita na primeira Unctad, em 1964.</p>
<p>CM &#8211; Qual?</p>
<p>IS &#8211; A idéia é que nesses acordos comerciais de longo prazo, os preços das commodities tenham cláusula de reajuste bianual. As correções baseadas em médias de bolsas sofreriam um abate de 50% para cima e para baixo: se aumentar 10%, só aumenta 5%; se cai 10% só cai 5%. Com isso se atinge o objetivo de atenuar as flutuações.</p>
<p>CM &#8211; Isso tudo pode ser a proposta brasileira na Rio-2012?</p>
<p>IS &#8211; Poderia. Mas não acho que teremos um consenso no curto tempo disponível. Não é o fundamental. Insisto que a cúpula do Rio tenha uma natureza deflagradora e organizadora. Que seja capaz de fomentar planos a serem debatidos numa segunda rodada. Os americanos quando fizeram a Aliança para o Progresso, cujo objetivo era combater a Revolução Cubana, acabaram fomentando planos de desenvolvimento local. É um pouco esse efeito que devemos buscar agora para recolocar a agenda ambiental numa mesa ocupada exclusivamente pelas urgências da crise econômica.</p>
<p>CM &#8211; O grande ponto de divergência hoje, que divide inclusive esquerda e ambientalistas &#8211; e estes e os desenvolvimentistas &#8211; é quem vai arcar com o sacrifício do desenvolvimento sustentável. Ou seja, quem vai cortar emissões e quanto?</p>
<p>IS &#8211; A resposta é o conceito de pegada ecológica (per capita). Alguns povos, sobretudo países pobres e em desenvolvimento, ainda tem espaço potencial para expandir a pegada; outros, os ricos, terão que reduzi-la. A criação de emprego digno e decente deve pautar tanto a expansão quanto a geração de vagas alternativas no esforço para reduzir a pegada ecológica. Esses elementos devem pautar a formulação dos planos de desenvolvimento sustentáveis e inclusivos em esfera nacional.</p>
<p>Posteriormente, eles seriam harmonizados em dimensão global.</p>
<p>CM &#8211; Além de afrontar a lógica neoliberal, recolocando o planejamento, a sustentabilidade e a justiça social na mesa da crise, que outra marca política forte terá a Rio-2012?</p>
<p>IS &#8211; Será a 1º conferência do Antropoceno assumido.</p>
<p>CM &#8211; Como assim?</p>
<p>IS &#8211; Ao contrário do passado, quando ainda se discutia a influência ou não do homem no metabolismo planetário, agora não há mais dúvidas. Grupos científicos consolidarão até 2012 a evidencia irrefutável – para quem ainda duvida &#8211; de que vivemos no Antropoceno. Ou seja, a influência humana pesa de maneira decisiva no comportamento do ambiente terrestre. É o reconhecimento tardio, com dois séculos de atraso, de algo que ocorre desde a Revolução industrial. Mas é um divisor político com desdobramentos importantes.</p>
<p>CM &#8211; Por exemplo?</p>
<p>IS &#8211; Uma conferência com esse escopo deve ir necessariamente à raiz dos desafios e das responsabilidades. Temos que assumir essa responsabilidade com humildade. Nossa influência é preponderante, mas não somos deuses. Não temos o poder de governar a natureza.</p>
<p>CM &#8211; A aceitação do marco antropocênico não pode, ao mesmo tempo, fortalecer catastrofistas, neomalthusianos e similares; enfim, aqueles que recusam o desenvolvimento?</p>
<p>IS &#8211; Nós não estamos vivendo uma catástrofe irreversível. Podemos planejar o desenvolvimento sustentável e inclusivo. O catastrofismo e o malthusianismo não se justificam.</p>
<p>CM &#8211; A agenda da descarbonização, por exemplo, frequentemente soa como um pedido de renúncia ao crescimento.</p>
<p>IS &#8211; Minha posição é muito firme. As teses do decrescimento não procedem. Podemos e devemos crescer. O que é preciso é mudar os rumos do desenvolvimento para que ele seja inclusivo socialmente; e, número dois, tenha baixo impacto ambiental. Para isso é necessário planejamento, com ampla participação da sociedade.</p>
<p>CM &#8211; Falar em decrescer significa, por exemplo, deixar fora da discussão ambiental a China, que hoje é a fábrica do mundo&#8230;</p>
<p>IS &#8211; Descarbonizar a dieta de um camponês chinês e deixar livre o dono de um iate, que se desloca de jatinho de Nova Iorque para velejar na Flórida, é um absurdo. Ademais, não se trata de descarbonizar genericamente. Mas, sim, de renovar a agenda do desenvolvimentismo com base em inclusão e baixo impacto ecológico. A descarbonização será a decorrência desse processo. Não uma restrição antecedente que esmaga quem ainda vive na pobreza.</p>
<p>CM &#8211; A ressurgência neomalthusiana forma uma corrente cada vez mais forte; que riscos acarreta ao ambientalismo?</p>
<p>IS &#8211; Minha resposta a quem diz que não dá mais, ou seja, que o planeta ficará inviável com 9 bilhões de habitantes é a seguinte: extraia as consequências desse postulado.</p>
<p>CM &#8211; Quais são elas?</p>
<p>IS &#8211; Estão na obra de Jonathan Swift (*Em 1729, o escritor Jonathan Swift, autor das ‘Viagens de Gulliver, apresentou o que chamou de &#8220;modesta proposta&#8221; para resolver o problema da infância abandonada no seu país. Famílias pobres venderiam seus filhos para serem degustados como fina iguaria pelas famílias ricas. Segundo ele, sua &#8220;modesta proposta&#8221; daria renda aos pobres e uma nova delícia gastronômica à nobreza, criaria empregos na rede hoteleira e tiraria da rua a infância abandonada).</p>
<p>CM &#8211; Esse é o cardápio oculto do neomalthusianismo?</p>
<p>IS &#8211; Sim, e se o diagnostico é esse, vamos dar-lhe as devidas consequências: será por sorteio, por meio de uma guerra nuclear ou através da modesta proposta de Swift? Qual será o método de eliminação do excesso? Infelizmente, há muita gente que pensa de forma malthusiana. Tive uma discussão desse tipo com o oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau; Lovelock também pensa assim.</p>
<p>CM &#8211; A tese da descarbonização embute esse risco?</p>
<p>IS &#8211; Temos que encarar esse debate seriamente. Mesmo porque a população vai a 9 bilhões, isso está escrito no mapa de percurso da humanidade. Está dado. A pergunta é: podemos ter uma vida razoável com 9 bilhões? Eu acredito que sim, dentro dos parâmetros com os quais qualificamos a nova agenda do desenvolvimento. Agora, podemos ter a mesma qualidade ambiental e social com 90 bilhões de pessoas? Não. Mas a verdade é que uma multiplicação descontrolada como essa apenas evidenciaria a síndrome de um desequilíbrio. A miséria é uma de suas características. A estabilidade demográfica, em contrapartida, ocorre progressivamente desde que outras variáveis estejam presentes, entre elas eliminação da pobreza.</p>
<p>CM &#8211; A Europa que já foi importante aliada da agenda ambiental vive um trágico crepúsculo da social-democracia, colonizada pelo neoliberalismo. Isso vai atrapalhar a Rio-2012?</p>
<p>IS &#8211; Não vejo a Europa à beira de uma guerra como no final dos anos 30, mas vejo-a, entristecido, perder sua aderência política à idéia de solidariedade. O que ocorre dentro da próprio UE, com os ricos se afastando os mais pobres. Assistimos à emergência de um perigoso egoísmo social. Até prova em contrário, acredito que a solidariedade é um sentimento intrínseco ao fato humano. Ou então teríamos que abraçar a teoria de Hobbes: o homem é o lobo do homem. O capitalismo puro e duro sim, é isso. Daí a necessidade de organizar os contrapesos.</p>
<p>CM &#8211; A social-democracia européia renunciou ao social e ao ambiental?</p>
<p>IS &#8211; A social-democracia perdeu o rumo há muito tempo. Eles não entenderam o neoliberalismo, quiseram surfar na onda, agora estão encrencados e muitos divididos. As respostas que deram à crise não foram pela esquerda.</p>
<p>CM &#8211; Diante da tarefa imensa que é planejar o Antropoceno esse acanhamento europeu não o deixa pessimista?</p>
<p>IS &#8211; É muito difícil prever o desfecho político de uma crise dessas proporções. É verdade que ela nos pega despreparados. Não tivemos êxito em reconstruir uma verdadeira organização cooperativa mundial, por exemplo. Pior, regredimos em inúmeras frentes. Estamos muito longe, também, do paradigma fiscal introduzido por Roosevelt nos EUA. Enfim, vivemos uma crise sem um New Deal. No entanto, as coisas mudam muito rapidamente. Veja a crise de 29. Em 36, tivemos a vitória da Frente Popular, na França; em 38, tivemos o acordo de Munique entre França Alemanha e Inglaterra. Em 39 a invasão da Polônia&#8230; Ao mesmo tempo, quem teria acreditado em 1987 que dois anos depois a União Soviética desmoronaria? A história quando se movimenta o faz com rapidez e de forma muito distinta dos modelos preconcebidos. Há um espaço para a Eco-2012 e ele pode se ampliar rapidamente. É necessário estar preparado.</p>
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		<title>O imperativo manufatureiro</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 12:57:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[desindustrialização]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Dani Rodrik Do Valor Econômico [11/08/2011]: Nós podemos estar vivendo numa era pós-industrial, em que as tecnologias da informação, biotecnologia e serviços de alto valor tornaram-se motores de crescimento econômico. Mas os países correm riscos quando ignoram a saúde de &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/11/imperativo-manufatureiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dani Rodrik</p>
<p>Do Valor Econômico [11/08/2011]:</p>
<p>Nós podemos estar vivendo numa era pós-industrial, em que as tecnologias da informação, biotecnologia e serviços de alto valor tornaram-se motores de crescimento econômico. Mas os países correm riscos quando ignoram a saúde de sua indústria de transformação.</p>
<p>Serviços de alta tecnologia exigem capacitação especializada e criam poucos empregos, por isso sua contribuição para o emprego agregado tende a permanecer limitada. A indústria de transformação, por outro lado, pode absorver um grande número de trabalhadores com capacitação moderada, proporcionando-lhes empregos estáveis e bons benefícios. Para a maioria dos países, portanto, o setor de manufatura continua sendo uma poderosa fonte de emprego bem remunerado.</p>
<p>De fato, o setor manufatureiro é também onde as classes médias do mundo tomam forma e crescem. Sem uma base manufatureira vibrante, as sociedades tendem a se dividir entre ricos e pobres &#8211; aqueles que têm acesso a empregos estáveis e bem remunerados, e aqueles cujos empregos são menos seguros e cujas vidas são mais precárias. O setor de manufatura pode vir a ser central para o vigor da democracia de uma nação.<span id="more-278"></span></p>
<p>Os EUA sofreram desindustrialização incessante nas últimas décadas, em parte devido à concorrência mundial e em parte devido a mudanças tecnológicas. Desde 1990, a participação do emprego em manufatura caiu quase cinco pontos percentuais. Isso não teria sido, necessariamente, negativo, se a produtividade do trabalho (e os lucros) não fossem substancialmente mais elevados na indústria de transformação do que no resto da economia &#8211; de fato, 75% maior.</p>
<p>A maior parte dos novos postos de trabalho surgiu em &#8220;serviços pessoais e sociais&#8221;, onde encontram-se os empregos menos produtivos na economia. Essa migração dos empregos para níveis inferiores na escada produtividade, eliminou 0,3 ponto percentual do crescimento da produtividade americana em cada ano desde 1990 &#8211; ou cerca de um sexto do avanço real nesse período. A crescente proporção da mão de obra de baixa produtividade também tem contribuído para crescente desigualdade na sociedade americana.</p>
<p>A perda de empregos no setor de manufatura nos EUA acelerou após 2000, sendo a concorrência mundial a provável culpada. Como mostrou Maggie McMillan, do International Food Policy Research Institute, existe &#8211; entre a China e os EUA &#8211; uma peculiar correlação negativa nas variações do emprego para todos os diferentes setores da indústria de transformação. Onde a China mais cresceu, os EUA perderam o maior número de postos de trabalho. Nos poucos setores chineses que registraram contração, nos EUA, cresceu.</p>
<p>No Reino Unido, onde o declínio da produção parece ter sido perseguido quase com prazer pelos conservadores &#8211; desde Margaret Thatcher até David Cameron ter chegado ao poder, os números são ainda mais preocupantes. Entre 1990 e 2005, a participação do setor no emprego total caiu mais de sete pontos percentuais. A realocação de trabalhadores para tarefas menos produtivas em serviços custou à economia britânica 0,5 ponto do crescimento da produtividade a cada ano, um quarto do ganho de produtividade total no período.</p>
<p>Para os países em desenvolvimento, o imperativo manufatureiro é nada menos que vital. Normalmente, o diferencial de produtividade em relação ao resto da economia é muito mais amplo. A industrialização foi a força motriz do rápido crescimento no sul da Europa durante as décadas de 1950 e 1960, e no leste e sudeste asiáticos desde os anos 1960.</p>
<p>A Índia, que recentemente registrou taxas chinesas de crescimento, contrapôs-se à tendência ao desenvolver-se em software, call centers e outros serviços empresariais. Isso levou alguns a pensar que a Índia pode assumir um caminho diferente rumo ao crescimento, puxado por serviços.</p>
<p>Mas o caráter incipiente do setor de manufatura é um freio ao desempenho econômico geral indiano e ameaça a sustentabilidade do seu crescimento. Os setores de serviços na Índia, com alta produtividade, empregam trabalhadores que estão no mais alto estrato da distribuição educacional. Em última análise, a economia indiana terá de gerar empregos produtivos para os trabalhadores com baixa qualificação que são tão numerosos na Índia. Esse emprego terá de surgir na indústria de transformação.</p>
<p>Um erro típico na avaliação do desempenho da indústria de transformação é olhar apenas a produção ou a produtividade sem examinar a criação de empregos. Na América Latina, por exemplo, a produtividade industrial cresceu rapidamente depois que a região foi liberalizada e abriu-se ao comércio internacional. Mas esses ganhos decorreram &#8211; e até certo ponto se deveram à &#8211; racionalização do setor e reduções do emprego. Os trabalhadores demitidos acabaram assumindo atividades de pior desempenho, como serviços informais, fazendo com que a produtividade na economia como um todo estagnasse, apesar do notável desempenho da manufatura.</p>
<p>As economias asiáticas também se abriram, mas as autoridades econômico-financeiras nesses países tomaram maior cuidado para apoiar as indústrias manufatureiras. Mais importante, essas economias mantiveram suas moedas competitivas, o que é a melhor maneira de garantir altos lucros para os fabricantes.</p>
<p>À medida que as economias desenvolvem-se e tornam-se mais ricas, a manufatura &#8211; &#8220;a produção de coisas&#8221; &#8211; inevitavelmente torna-se menos importante. Porém se isso acontecer mais rapidamente do que os trabalhadores possam adquirir competências avançadas, o resultado pode ser um perigoso desequilíbrio entre a estrutura produtiva de uma economia e sua força de trabalho. Podemos ver as consequências em todo o mundo, na forma de desempenho econômico abaixo do desejado, ampliação da desigualdade e posições extremadas no espectro político.</p>
<p>Dani Rodrik professor de Economia Política Internacional na Universidade Harvard é autor de &#8220;The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy&#8221;, (o paradoxo da globalização: democracia e o futuro da economia mundial).</p>
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		<title>Política industrial: &#8221;As questões centrais continuam intocáveis&#8221; (entrevista especial com Wilson Cano)</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Aug 2011 13:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[nova política industrial]]></category>

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		<description><![CDATA[O Plano Brasil Maior anunciado pelo governo nesta semana para conter uma possível crise no setor industrial tem um “caráter meramente político” e não será suficiente para devolver à indústria as taxas de crescimento alcançadas nos anos 1980. “O governo &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/05/politica-industrial-as-questoes-centrais-continuam-intocaveis-entrevista-especial-wilson-cano/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Plano Brasil Maior anunciado pelo governo nesta semana para conter uma possível crise no setor industrial tem um “caráter meramente político” e não será suficiente para devolver à indústria as taxas de crescimento alcançadas nos anos 1980. “O governo está se movendo com bastante cautela porque o que predomina na política macroeconômica hoje – e essa é a questão central – é uma política anti-inflacionária”, explica Wilson Cano à <a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=46021">IHU On-Line</a>.</p>
<p>A alta taxa de juros e o câmbio apreciado são, na avaliação do economista, os maiores empecilhos para o desenvolvimento da indústria nacional. “Enquanto a administração dos juros, do gasto público e da taxa de câmbio continuar do jeito que está, não haverá como proteger e salvar a indústria ou qualquer setor nacional. O governo está apenas colocando remendos em cima de uma colcha suja e velha”, aponta em entrevista concedida por telefone.<span id="more-265"></span></p>
<p>De acordo com ele, o plano elaborado pelo governo favorece apenas setores econômicos tradicionais, que são os maiores empregadores do país, e não contempla segmentos que dependem de investimentos em tecnologia e inovação. “É uma ilusão imaginar que, com essa medida, se revolverá o problema do emprego. A luta do dia a dia de tentar preservar o emprego na indústria automobilística e de autopeças, iniciada por Lula e continuada pela presidenta Dilma, é um engano monumental porque esses setores são adeptos, a todo instante, às mudanças tecnológicas mundiais. Esses setores são desempregadores e desmantelam cadeias produtivas para passar a importar mais barato um para-choque que antes era fabricado no país”, argumenta.</p>
<p>Na entrevista a seguir, Wilson Cano comenta as implicações do Plano Brasil Maior e enfatiza que a desoneração da folha de pagamento de alguns setores vai gerar um “impacto negativo no déficit da previdência social. (&#8230;) Ao desonerar a contribuição, entrará menos dinheiro na previdência social. Quem vai pagar essa conta? O Tesouro Nacional com o dinheiro do recolhimento de impostos ou com o aumento de dívida pública”.</p>
<p>Wilson Cano é doutor em  Ciências Econômicas, pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, onde leciona. É autor de Desconcentração Produtiva Regional do Brasil 1970-2005, lançado em 2008 pela Editora da Unesp.</p>
<p>Confira a entrevista.</p>
<p>IHU On-Line – Qual é a linha geral do novo pacote de política industrial anunciado por Dilma? O Plano Brasil Maior pode ser visto como uma política industrial eficiente?</p>
<p>Wilson Cano – O Plano Brasil Maior tem um caráter político e foi feito para um Brasil nanico. O governo está se movendo com bastante cautela porque o que predomina na política macroeconômica hoje – e essa é a questão central – é uma política anti-inflacionária. Então, o governo pisa em “cacos de vidro” a todo o momento quando se trata de fazer renúncia fiscal, de aumentar gasto público e de alterar a taxa de juros.</p>
<p>Os setores calçadista, moveleiro, têxtil e alguns segmentos de software foram beneficiados pelo Plano. Entretanto, o peso desses setores, em termos de salários, é de 8 a 9%. Então, a desoneração da folha de pagamentos, como propõe o governo, agirá apenas em cima de 8 ou 9% da folha salarial da indústria de transformação. Isso é muito pouco, tendo em vista o assédio que o país vem sofrendo no comércio exterior, e tendo em vista a representatividade desses setores não só na pauta exportadora, mas principalmente na estrutura industrial. Embora esses setores estejam sendo seriamente afetados pelas importações chinesas, o maior déficit comercial brasileiro se encontra nos setores de média e alta tecnologia: automóveis, eletrônicos, fármacos, produtos químicos.</p>
<p>O governo está com medo de afetar os setores tradicionais (calçadista, têxtil, moveleiro) porque eles empregam mais pessoas do que os outros segmentos da economia. Portanto, trata-se de um projeto político e não de uma política industrial. O Plano Brasil Maior é uma tentativa de dar “Melhoral” para o doente, porque as questões estruturais a serem enfrentadas são outras, muito maiores do que estas que estão tentando resolver: é a taxa de juros e a taxa de câmbio. As medidas de proteção à indústria nacional, pelo menos as que foram anunciadas nesta semana, são muito tímidas.</p>
<p>IHU On-Line – É possível investir na indústria e conter a inflação?</p>
<p>Wilson Cano – Não é possível. Parodiando a fábula, diria que o rei está nu e todo mundo se recusa a chamar a atenção dele. Em outras palavras, as questões centrais continuam intocáveis. É impossível fazer política industrial com a macroeconomia sendo conduzida pela atual taxa de juros, pelo câmbio, com desproteção e com o neoliberalismo que está vigendo. A política do BNDES, de querer fortalecer a empresa nacional para aumentar a competitividade dela, é uma ilusão. O Brasil está dando dinheiro para “matar boi” nos EUA. O que essa política tem a ver com desenvolvimento econômico nacional?</p>
<p>O Japão e a Coréia, quando elaboraram as políticas industriais de fortalecimento das suas maiores empresas e as financiaram no mercado internacional, transformando-as em transnacionais, estavam em determinada circunstância histórica que favorecia essa mudança. Essa política de engrandecimento das grandes empresas nacionais coreanas e japonesas foi feita de uma maneira coetânea com a macroeconomia que protegia e incentivava a indústria nacional, e não com uma política neoliberal suicida como a que tem sido praticada nos últimos anos no Brasil.</p>
<p>IHU On-Line – Em que consistiria uma mudança macroeconômica? Mexer no câmbio e na taxa de juros?</p>
<p>Wilson Cano – O Brasil precisa alterar a macroeconomia. O professor Celso Furtado, que foi tão citado pela presidenta Dilma na exposição do Plano Brasil Maior, dizia que essa ideia de padrão único, de manter equilíbrio cambial não deve ser adotada por países subdesenvolvidos. Isso pode ser feito pelos ingleses, que eram os donos da moeda internacional, ou pelos norte-americanos, que são hoje os donos da moeda internacional, o dólar. Para o Brasil, essa política é caríssima.</p>
<p>É utopia o anão querer entrar no ringue para brigar com os gigantes. O Brasil é um país subdesenvolvido, tem estruturas produtivas e esquemas de financiamento fracos. Com a abertura econômica que o país tem praticado, o Brasil se expôs à concorrência internacional sem ter condições de enfrentá-la. Insistir nessa política não vai levar a lugar algum, pelo contrário, está levando a economia desse país a um processo regressivo.</p>
<p>País subdesenvolvido ou aplica uma política séria de controle sobre o câmbio, sobre o comércio exterior ou não tem controle de nada, e deixa a porta aberta para acontecer o que está acontecendo.</p>
<p>A taxa de juros brasileira é a mais alta do mundo. Isso precisa mudar. O governo pode aplicar IOF, mas medidas como essas não resolvem problemas econômicos porque a avalanche de entrada de dólares no país continuará sendo grande. A política brasileira tem dupla face de cortes: primeiro, o governo tenta aumentar a taxa de juros para conter a inflação – essa é uma visão monetarista ortodoxa –, e, depois, para alterar a taxa de juros, o governo é obrigado a aumentar colossalmente a dívida pública interna. Como o país vai baixar a dívida pública, aliviar as contas públicas e controlar o gasto, se aumenta a taxa de juros?</p>
<p>O investimento externo tem que ser observado não apenas pelo montante de dólar que ele contém, mas segundo o setor para o qual ele é dirigido. Os investimentos estrangeiros diretos para os setores da indústria de transformação diminuíram muito. Esses investimentos se dirigem atualmente para o setor da agropecuária, mineração e serviços financeiros.</p>
<p>IHU On-Line – O senhor também compartilha a ideia de que, no Plano Brasil Maior, a política industrial ficou separa da política de ciência e tecnologia?</p>
<p>Wilson Cano – Os empresários brasileiros já estão anunciando que irão fazer enormes caravanas rumo a Pequim. Se observarmos a pauta de importações brasileiras, verifica-se que, no início desta década, o Brasil importava cerca de 25 bilhões em matérias-primas industriais como eletrônicos. O país importa atualmente cerca de 90 bilhões de dólares desses produtos, quer dizer, quase se quadriplicou esse valor. Isso é muito mais grave do que importar automóveis, porque, ao importar bens intermediários, desarticulam-se as cadeias produtivas brasileiras. A indústria brasileira não busca apenas produtos finais para vender, mas compra também matérias-primas industriais, peças e componentes, aumentando vertiginosamente as importações.</p>
<p>IHU On-Line – Em sua opinião, o pacote conseguirá conter processo de desindustrialização brasileira? O que ficou faltando no plano?</p>
<p>Wilson Cano – O governo pode elaborar o plano mais inteligente que, obviamente, será inoperante porque quem rege as regras gerais da economia é a política macroeconômica, e não a industrial, a agrícola, a tributária. Enquanto a administração dos juros, do gasto público e da taxa de câmbio continuar do jeito que está, não haverá como proteger e salvar a indústria ou qualquer setor nacional. O governo está apenas colocando remendos em cima de uma colcha suja e velha.</p>
<p>IHU On-Line – Quem sai ganhando e quem sai perdendo com o novo Plano?</p>
<p>Wilson Cano – Os industriais saem ganhando porque eles diminuíram o custo efetivo que sai do bolso deles. Transferiram para o consumidor parte desse custo através dos novos impostos criados pelo governo.</p>
<p>IHU On-Line – O Plano Brasil Maior, apesar de todas as críticas que o senhor tem feito, ajudará a conter as importações chinesas?</p>
<p>Wilson Cano – Ele vai ajudar um pouco. O governo irá reduzir a zero o custo da previdência social do empregador na folha de pagamento dos setores tradicionais. Entretanto, não podemos esquecer que ele criou um novo imposto de 1,5% para calçados, vestuário, móveis, e 2,5% para software sob o faturamento. Então, parte dessa desoneração será compensada pelo imposto. E quem paga a conta dessas medidas? Os consumidores, que comprarão calçados e roupas com impostos mais altos. As empresas em geral vão pagar a compra dos softwares nacionais com imposto maior.</p>
<p>IHU On-Line – Como avalia a proposta de desoneração da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos de alguns setores? O movimento sindical criticou a medida. O caminho é esse mesmo?</p>
<p>Wilson Cano – A medida é criticável porque os custos da previdência social nas folhas de salário não são exorbitantes e se encaixam dentro dos padrões internacionais. Ao desonerar a contribuição, entrará menos dinheiro na previdência social. Quem vai pagar essa conta? O Tesouro Nacional com o dinheiro do recolhimento de impostos ou com o aumento de dívida pública.</p>
<p>É uma ilusão imaginar que, com essa medida, se revolverá o problema do emprego. A luta do dia a dia de tentar preservar o emprego na indústria automobilística e de autopeças, iniciada por Lula e continuada pela presidenta Dilma, é um engano monumental porque esses setores são adeptos, a todo instante, às mudanças tecnológicas mundiais. Esses setores são desempregadores e desmantelam cadeias produtivas para passar a importar mais barato um para-choque que antes era fabricado no país. Setores empregadores são a construção civil, que constrói casa de pobre, a educação, a saúde pública. Incentivar o desenvolvimento dessas áreas é investir em política de emprego.</p>
<p>Esse Plano também vai gerar um impacto negativo no déficit da previdência social. A CUT está nas ruas levantando bandeiras para preservar o emprego, mas, ao mesmo tempo, a Central ajuda a piorar a situação do déficit da previdência social. Evidentemente, logo algumas correntes políticas estarão levantando a bandeira da reforma previdenciária para tentar acabar com o déficit da previdência. E, aí, será mais uma “paulada nas costas” da sociedade.</p>
<p>IHU On-Line – Então, em vez de incentivar a indústria automotiva, o governo deve priorizar setores que investem em tecnologia?</p>
<p>Wilson Cano – As medidas anunciadas tentam, de alguma maneira, amparar o setor industrial. Mas a questão central é a doença crônica do país. Quer dizer, o grande problema é o Brasil ter abraçado as políticas neoliberais e se mantido nelas até hoje.</p>
<p>IHU On-Line – Qual é, segundo sua avaliação, o peso específico do câmbio, neste debate da estagnação da indústria?</p>
<p>Wilson Cano – O câmbio é central. Não sei o valor exato, mas o câmbio brasileiro está aproximadamente 30% apreciado. Compara esse aumento de 30% no valor das exportações com o subsídio que o governo está dando na desoneração da folha de pagamentos. Alterar o câmbio seria muito mais eficaz do que conceder essa desoneração. Se isso fosse feito, não haveria implicações para o déficit da previdência social. As altas taxas de juro também oneram a estrutura da receita fiscal num peso muito maior do que a folha de pagamentos de todos os funcionários públicos.</p>
<p>IHU On-Line – O câmbio, de tempos em tempos, sempre é um problema para a indústria nacional. A crise econômica norte-americana pode influenciar ainda mais o baixo desempenho do setor industrial?</p>
<p>Wilson Cano – Sim. Se as medidas anunciadas pelo governo Obama forem positivas, haverá uma revalorização do dólar, o que irá implicar em uma desvalorização das demais moedas. Então, todos os empresários brasileiros, que estão se endividando em dólar, passarão por sérios apertos. Se as medidas norte-americanas não forem eficazes, a economia entrará em um período ainda pior: haverá um recrudescimento da situação recessiva internacional.</p>
<p>IHU On-Line – O senhor sabe dizer qual é a fatia da indústria brasileira na economia nacional e na massa salarial?</p>
<p>Wilson Cano – No começo dos anos 1980, a indústria de transformação pesava com 33% no PIB. Os dados do ano passado mostram que esse valor caiu pela metade: 15,7%. Se observarmos a pauta exportadora, o país manteve a exportação de manufaturados com cerca de 60% da exportação, no final dos anos 1990. Em 2010, as exportações representaram apenas 37,5% da pauta. Não sei qual é o peso da indústria na massa salarial, mas seguramente é menos do que 25%.</p>
<p>IHU On-Line – Em sua opinião, a política econômica do governo Dilma pode ser interpretada como keynesiana?</p>
<p>Wilson Cano – O governo está tentando criar um antídoto para uma possível crise, mas a política econômica não é keynesiana na sua raiz porque o país não está passando por uma recessão econômica.</p>
<p>IHU On-Line – Em entrevista recente, o senhor declarou que, nos últimos cinco anos, o comércio exterior da indústria de transformação passou de um superávit para um déficit de 65 bilhões de dólares. Quais são, hoje, os maiores dilemas da indústria brasileira? Por que a indústria brasileira perde oportunidades?</p>
<p>Wilson Cano – A indústria não cresce porque, evidentemente, os industriais não têm nenhuma expectativa promissora para investir no país. Empresário capitalista só investe se enxergar no horizonte uma lucratividade para esses investimentos. Entretanto, eles se sentem ameaçados pela competição externa e pela impossibilidade de concorrer. Sendo assim, canalizam-se os investimentos e não aumenta a capacidade produtiva do setor industrial. Isso tem acontecido em larga medida.</p>
<p>A receita fiscal do setor público está fortemente comprometida pelos juros da dívida pública e pela política anti-inflacionária. No setor privado, não há grandes perspectivas de lucratividade para a maioria dos setores produtivos, que são ameaçados pela competição externa, pelo dólar barato, pelos juros excessivos. Esse conjunto de problemas paralisa os investimentos.</p>
<p>IHU On-Line – Por que é importante uma política industrial para os países?</p>
<p>Wilson Cano – Ela é fundamental porque o processo de desenvolvimento econômico depende da indústria. Se observarmos os países desenvolvidos, veremos que o que os levou ao desenvolvimento foi exatamente a industrialização. Somente por meio da indústria é possível disseminar todos os setores produtivos da economia – a ciência e a tecnologia, o progresso técnico etc. É a industrialização que urbaniza, que eleva a produtividade do trabalhador e que exige que ele se eduque, que tenha um padrão de vida decente etc. Todos os países se desenvolveram com a industrialização e não “vendendo galinha” e vendendo minério de ferro, ou soja. Vender commodities é bom, traz divisas para o país poder importar equipamentos, mas não é com isso que se desenvolve uma economia nacional.</p>
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		<title>O Estado indutor que precisamos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 14:28:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Antonio Delfim Netto Do Valor Econômico [19/07/2011]: O Brasil precisa colocar suas barbas de molho! Nosso modelo exportador agromineral induzido será incapaz de garantir empregos de boa qualidade para os 150 milhões de brasileiros que terão entre 15 e 65 &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/19/estado-indutor-precisamos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Antonio Delfim Netto</p>
<p>Do Valor Econômico [19/07/2011]:</p>
<p><strong><em>O Brasil precisa colocar suas barbas de molho! Nosso modelo exportador agromineral induzido será incapaz de garantir empregos de boa qualidade para os 150 milhões de brasileiros que terão entre 15 e 65 anos em 2030. É disso que se trata. Precisamos apoiar um programa de desenvolvimento industrial e de serviços que promova forte competição interna e dê aos nossos trabalhadores e empresários inteligente proteção externa com condições isonômicas para exigir deles capacidade competitiva internacional.<span id="more-214"></span></em></strong></p>
<p>Há alguns sinais preocupantes no horizonte para os quais temos de prestar atenção. O primeiro é a clara desarrumação política nos EUA revelada pelo cabo de guerra entre democratas e republicanos. O segundo é com relação à sucessão na China: há indícios de desacordos e ela não parece tão tranquila quanto as últimas. Ninguém sabe ao certo quando alguns problemas econômicos e sociais escondidos revelarão a sua cara. O terceiro é que a Eurolândia continua a tratar um problema de insolvência como se fosse de liquidez, o que a levará a maiores dificuldades. E o quarto é a visível mudança da mídia internacional com relação às perspectivas brasileiras. A impressão é que o setor financeiro se fartou de comer nosso peru com farofa fora do dia de Ação de Graças! Agora os &#8220;vendidos&#8221; parecem inquietar-se com os mecanismos que, em legítima defesa, o ministro Mantega tem tentado implementar.</p>
<p>A situação americana é realmente complicada: o presidente Obama aproveitou muito mal o &#8220;we can&#8221; que empolgou o país. Perdeu a confiança do setor real da economia. No início foi mal aconselhado política e economicamente pelos assessores que já devolveu à Academia. Em lugar de prestar atenção ao problema dos honestos que perderam o emprego, exagerou na salvação dos desonestos que produziram a crise. Os efeitos da política econômica com relação ao desemprego, que é a forma mais cruel de desperdício humano. Ele revela o nível do desemprego nos EUA tendo como referência o mês em que o National Bureau of Economic Research estima o fim de cada recessão. Vemos que depois de um ano e meio do fim da recessão de 2007/09, a taxa de desemprego ainda ronda quase 10%, quando em todas as outras crises ela já havia se reduzido a qualquer coisa como 7,5%. O pior é que o &#8220;jeitão&#8221; do gráfico não é nada tranquilizador. Nada vai acontecer se o presidente Obama não recuperar a credibilidade e reduzir as incertezas.</p>
<p>O dado mais sintético, que é a taxa de crescimento do PIB, também não parece confortador. Nele se registra o crescimento anual (trimestre contra o trimestre homônimo). Vemos uma rápida recuperação (em V) que depois de atingir o crescimento de &#8220;cruzeiro&#8221; (3%) dá sinais claros de enfraquecimento.</p>
<p>A informação fundamental para os emergentes é sobre a possível variação do dólar. Como ele é (e continuará a ser durante muito tempo ainda) a moeda que é a unidade de conta, de liquidação de compromissos e de reserva internacionais, o seu valor é determinante na formação dos preços nominais das &#8220;commodities&#8221;. Isso influencia nossas relações de troca, o que explica, pelo menos em parte, a valorização do real. A trajetória de queda do dólar sugere que ainda há espaço para sua maior desvalorização. Não parece, portanto, que o mundo possa contar com uma recuperação robusta da economia americana antes das eleições de 2012.</p>
<p>Quanto à China, ela provavelmente vai crescer, mas não na mesma intensidade nos próximos 20 anos. Ela continuará a busca das três autonomias que caracterizam as potências: a alimentar (que ela persegue firme internamente com novas tecnologias e externamente com a compra de recursos naturais); a energética (com energias renováveis e métodos modernos da extração do &#8220;shale&#8221; gás); e a militar (que ela já tem suficientemente &#8220;dissuasiva&#8221;), com investimentos cada vez maiores para garantir o seu controle do &#8220;Mar da China&#8221;.</p>
<p>É preciso não esquecer com respeito à China (e as nossas relações de troca), que os &#8220;preços acabam funcionando&#8221; e que seus níveis atuais acabarão elevando a oferta mundial de todos os nossos produtos de exportação (principalmente soja e minério de ferro) com consequências sobre eles.</p>
<p>O Brasil precisa colocar suas barbas de molho! Nosso modelo exportador agromineral induzido será incapaz de garantir empregos de boa qualidade para os 150 milhões de brasileiros que terão entre 15 e 65 anos em 2030. É disso que se trata. Precisamos apoiar um programa de desenvolvimento industrial e de serviços que promova forte competição interna e dê aos nossos trabalhadores e empresários inteligente proteção externa com condições isonômicas para exigir deles capacidade competitiva internacional. É, parece, o que nos oferecerá em breve a presidente Dilma Rousseff.</p>
<p>Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.</p>
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		<title>Brasil é rico em terras-raras</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/14/brasil-e-rico-em-terras-raras/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 17:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Gusthavo Santana]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[terras raras]]></category>

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		<description><![CDATA[Relatório de órgão geológico dos Estados Unidos aponta o país como dono das maiores reservas desses minerais, fundamentais para a fabricação de novos equipamentos eletrônicos. O problema é que a extração tem alto custo ambiental. O silício pode até ter &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/07/14/brasil-e-rico-em-terras-raras/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Relatório de órgão geológico dos Estados Unidos aponta o país como dono das maiores reservas desses minerais, fundamentais para a fabricação de novos equipamentos eletrônicos. O problema é que a extração tem alto custo ambiental.</p>
<p>O silício pode até ter sido responsável pela revolução na indústria dos chips, mas, certamente, a humanidade não teria chegado a tal grau de sofisticação eletrônica sem uma classe de elementos químicos menos populares.</p>
<p>Os chamados elementos de terras-raras estão presentes nos mais diversos aparelhos, dos iPhones aos motores a jato, e são cada vez mais demandados. Um relatório da Agência de Mapeamento Geológico dos Estados Unidos revelou que o Brasil concentra as maiores reservas desses materiais, dispersos por toda a crosta terrestre. Riqueza que, se bem explorada, pode colocar o país, de vez, na cadeia de produção tecnológica.<span id="more-194"></span></p>
<p>As terras-raras são 17 elementos químicos da tabela periódica com propriedades magnéticas fundamentais para a fabricação de equipamentos eletrônicos. &#8220;Elas permitem, basicamente, a confecção de ímãs muito fortes, usados na memória dos aparelhos. Como elas têm essa alta capacidade, muito maior do que em outros metais, possibilitam que os dispositivos fiquem cada vez menores, cumprindo a mesma função&#8221;, explica o professor Gerson Mól, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB). &#8220;Há 100 anos, esses elementos sequer eram demandados, mas fomos, aos poucos, criando essa necessidade&#8221;, completa o especialista. Para se ter uma ideia do tamanho da procura, o quilo do neodímio metálico (uma das terras-raras) custava US$ 50 em janeiro e, hoje, não sai por menos de US$ 250.</p>
<p>A bolha econômica ocorre, em boa parte, porque esses elementos estão muito dispersos pelo mundo. &#8220;Não é como o ferro, encontrado em grandes jazidas e de fácil extração&#8221;, compara o professor Mól. Talvez venha daí o nome &#8220;terras-raras&#8221;. Na verdade, essas substâncias são mais abundantes que o ouro, por exemplo, que está presente em 0,00000031% de cada 100g da crosta (algo cinco vezes menor que um grão de areia). &#8220;Acontece que as terras-raras existem em concentrações relativamente baixas. São materiais que precisam ser escavados e processados com reagentes químicos. Isso traz um impacto ambiental pesado&#8221;, afirma Mike Pitts, gerente de sustentabilidade da Chemistry Innovation, uma entidade que promove a inovação industrial na Inglaterra.</p>
<p>Uma das etapas mais perigosas ocorre em laboratório, quando as terras-raras precisam ser separadas. &#8220;Elas estão misturadas entre si na natureza. Essa dissociação é feita com reagentes químicos bastante fortes. Depois de utilizá-los, não se pode simplesmente jogar na natureza&#8221;, ressalta o pesquisador Fernando Landgraf, diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). &#8220;Nosso principal desafio é gerir melhor esses elementos, usando-os de forma mais eficiente, fazendo a reciclagem e, sempre que possível, substituindo-os por outros materiais&#8221;, diz o britânico Mike Pitts.</p>
<p>Atualmente, o maior produtor de terras-raras é a China, que alimenta, sozinha, 97% do mercado. O sucesso dos orientais nesse setor pode ser explicado pelo perfil produtivo do país. &#8220;Na China, não há muita preocupação com leis trabalhistas ou ambientais. Além disso, ocorre muita extração pirata&#8221;, comenta o professor Gerson Mól. No Brasil, a maior reserva dessas substâncias está na região de Seis Lagos, no noroeste do Amazonas. Minas Gerais e Goiás também concentram abundância desses materiais. Segundo o relatório do serviço geológico norte-americano, o país detém 2% das reservas mundiais de terras-raras.</p>
<p>Fernando Landgraf, presidente do IPT, explica que a exploração do recurso não implica, necessariamente, a abertura de um novo espaço de mineração. &#8220;A Vale do Rio Doce, por exemplo, tem uma mina de fosfato em Catalão (GO), onde também há terras-raras. É uma questão de melhorar o aproveitamento de uma área já minerada&#8221;, diz o pesquisador. Isso, no entanto, não é suficiente. Para Landgraf, o Brasil também precisa se esforçar para fazer diferença nessa indústria. &#8220;A melhor alternativa é que o país entre na cadeia produtiva oferecendo produtos, não apenas o minério. Quanto mais longe formos, mais estaremos agregando valor ao material&#8221;, ressalta o especialista.</p>
<p>Outras fontes &#8211; Enquanto isso, cientistas de todo o mundo procuram as terras-raras em outros lugares. No fim do mês passado, uma equipe japonesa liderada pelo professor da Universidade de Tóquio Yasuhiro Kato, anunciou ter encontrado uma grande reserva dessas substâncias no fundo do Oceano Pacífico. &#8220;Nós estimamos que uma área de apenas 1km², próxima a um dos locais de amostragem, seja capaz de prover um quinto do consumo anual desses elementos&#8221;, escreveram os autores da pesquisa, publicada pela revista especializada Nature Geoscience. &#8220;Conseguimos mostrar que as terras-raras e o ítrio (outro elemento com propriedades semelhantes) podem ser recuperados por lixiviação ácida simples e sugerimos que a lama do mar constitui uma fonte altamente promissora desses recursos.&#8221;</p>
<p>Os cientistas não esclarecem como a extração da lama poderia ser feita, mas, certamente, é um processo que exige alto investimento &#8211; tal qual ocorre nas plataformas para exploração de petróleo em alto-mar. No continente, uma planta de terras-raras demanda o gasto inicial de US$ 200 milhões. &#8220;O pontapé inicial depende da decisão de alguma mineradora, é preciso avaliar se realmente é uma boa oportunidade&#8221;, pondera o pesquisador Fernando Landgraf. &#8220;Por aqui, eu acho que deveria haver um esforço nacional nesse sentido. Já pensou produzirmos um carro híbrido (que também usa terras-raras) com tecnologia interna? Seria um sonho.&#8221;</p>
<p>Lodo lavado &#8211; A lixiviação é o processo natural em que a água passa pelo solo e carrega os sais presentes na pedra. É por causa dela que os oceanos são salgados &#8211; anos e anos de lixiviação levaram para o mar os sais presentes nas rochas. O mesmo processo de &#8220;lavagem&#8221; pode ser feito em laboratório. Nesse caso, os metais são separados da lama ao serem enxaguados com um ácido especial.</p>
<p><strong>Fonte: <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78378">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78378</a></strong></p>
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		<title>Ministro do Desenvolvimento comenta os atuais desafios da economia brasileira</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 14:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Projeto Nacional]]></category>
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		<description><![CDATA[Veja o vídeo (clique aqui).]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000">Veja o vídeo (<a href="http://g1.globo.com/videos/globo-news/conta-corrente/v/ministro-do-desenvolvimento-comenta-os-atuais-desafios-da-economia-brasileira/1546845/#/Todos os vídeos/page/1">clique aqui</a>).</span></p>
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		<title>Maldição dos recursos naturais?</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 23:08:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O debate sobre uma suposta &#8220;maldição dos recursos naturais&#8221; não é novo. Pode-se com certeza afirmar que o mesmo foi mais feroz alhures, como parecem ser os casos de Venezuela e dos demais países que compõem a Opep. Recentemente no &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/04/27/maldicao-dos-recursos-naturais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000">O debate sobre uma suposta &#8220;maldição dos recursos naturais&#8221; não é novo. Pode-se com certeza afirmar que o mesmo foi mais feroz alhures, como parecem ser os casos de Venezuela e dos demais países que compõem a Opep. Recentemente no Brasil, a perspectiva de produção da camada pré-sal, mais de 50 bilhões de barris de petróleo, demanda alguma atenção. </span></p>
<p><span style="color: #000000">Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Mdic), entre 1994 e 2010 houve um salto de 24,88% para 44,58% na participação de produtos básicos (commodities) na pauta exportadora brasileira. Os manufaturados, por sua vez, tiveram sua participação reduzida de 57,86% para 39,40%. </span></p>
<p><a href="http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=93119"><span style="font-family: Arial;color: #800080">Clique aqui para ler mais</span></a><span style="color: #000000">.</span></p>
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