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	<title>Blog do Rodrigo Medeiros &#187; Brics</title>
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		<title>Com nova recessão, todos vão sofrer</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 15:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Medeiros]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[recessão]]></category>

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		<description><![CDATA[Pettis: é inevitável que o boom dos Brics termine, como aconteceu nos EUA e na Europa Do Valor Econômico [12.08.2011]: Michael Pettis é especialista no mercado financeiro da China. Vive no país e leciona na escola Guanghua de Administração da &#8230; <a href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/rodrigo-medeiros/2011/08/12/nova-recessao-todos-vao-sofrer/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pettis: é inevitável que o boom dos Brics termine, como aconteceu nos EUA e na Europa</strong></p>
<p>Do Valor Econômico [12.08.2011]:</p>
<p>Michael Pettis é especialista no mercado financeiro da China. Vive no país e leciona na escola Guanghua de Administração da Universidade de Pequim. Para o economista, o país que mais cresce no mundo terá uma desaceleração em breve.</p>
<p>Valor: Esta é só uma crise do mundo desenvolvido? Os emergentes podem ficar a salvo? Sua posição pode estar mais forte no fim da crise?</p>
<p>Michael Pettis: É quase certo que não. O que está acontecendo hoje é muito parecido com o que houve nos anos 1970, quando os EUA e a Europa sofreram com uma crise econômica. Na época, graças à reciclagem dos petrodólares, o mundo em desenvolvimento experimentou um crescimento decorrente da liquidez. Temporário, mas insustentável no longo prazo. Como hoje, a consequência foi a ideia de que seria possível um descolamento econômico entre os dois mundos. Mas isso não aconteceu, e lugares como a América Latina tiveram sua versão da crise nos anos 1980. Hoje, a combinação de afrouxamento monetário nos EUA com o boom de investimentos insustentável na China postergou o impacto global da contração de demanda na Europa e nos EUA, mas isso não tem como durar. Em algum momento, a contração global da demanda terá um impacto muito significativo, especialmente em países com superávit e, através deles, nos exportadores de commodities.<span id="more-284"></span></p>
<p>Valor: Os chineses têm tentado promover o yuan como moeda de reserva, recuperando a ideia de uma cesta de moedas para regular o comércio, no lugar do dólar somente. Nesse caso, o que poderia acontecer ao dólar?</p>
<p>Pettis: Curiosamente, deveria ser o governo americano a se opor ao uso do dólar como moeda de reserva, já que tantos países tentam expandir o crescimento doméstico através da aquisição de reservas estrangeiras em dólar, que, naturalmente, encorajam as exportações e inibem as importações. Os EUA pagam pelo status de reserva do dólar, na forma de um déficit comercial enorme. É por isso que nenhuma moeda vai substituir o dólar como moeda de reserva. Nenhum outro país vai querer suportar esse custo.</p>
<p>Valor: Seria possível pensar em algum outro padrão, ou uma volta ao padrão-ouro?</p>
<p>Pettis: Quase impossível. O padrão-ouro é rígido demais e requer um custo de ajuste insuportável para o trabalhador, incompatível com a democracia. Para saber como um país se ajustaria ao padrão-ouro, veja como a Espanha está sofrendo para se manter no euro.</p>
<p>Valor: Os emergentes sempre foram vulneráveis às crises, mas em 2008 se seguraram bem. Trata-se de uma mudança estrutural, com economias em desenvolvimento mais resistentes?</p>
<p>Pettis: Não creio. Significa que o impacto da crise foi adiado por investimento doméstico excessivo, especialmente na China, e o ajuste de verdade virá mais tarde, de maneira mais dolorosa, porque virá com mais dívida. Níveis de endividamento, especialmente na China, estão crescendo muito, muito rápido. Isso nunca é sustentável. O boom americano, turbinado pelo endividamento, terminou brutalmente. O mesmo aconteceu na Europa. Infelizmente, é o que vai acontecer com os Brics.</p>
<p>Valor: Existe uma crença de que um crescimento inferior a 7% na China provocaria instabilidade política. O senhor calcula que, em alguns anos, o crescimento chinês estará na casa dos 3% ou 4% ao ano. Quais seriam as consequências?</p>
<p>Pettis: Essa ideia de que um crescimento menor na China traria instabilidade política é equivocada. As pessoas não se importam com o PIB per capita, mas com sua renda, ou sua cesta de consumo. Para a China se reequilibrar, o consumo tem de crescer mais rápido que o PIB. Se a China crescer entre 3% e 4% na próxima década, como espero, mas se reequilibrar de fato, a renda das famílias e o consumo podem crescer 6% ou 7% por ano, o que deixaria a família chinesa média satisfeita. A chave é como o ajuste acontece. Se a China conseguir transferir riqueza do setor estatal para as famílias, pode ter um crescimento bem mais lento, mas também mais saudável e politicamente mais estável. Isso aconteceu no Japão depois de sua crise de 1990. O crescimento desabou, mas a renda real continuou a crescer. É por isso que o Japão pôde tolerar 20 anos de milagre econômico seguidos de 20 anos de crescimento zero.</p>
<p>Valor: Países emergentes têm uma grande proporção de suas reservas em títulos americanos. Eles podem acabar mudando de escolha?</p>
<p>Pettis: O outro lado de os emergentes deixarem de comprar ativos em dólar seria uma contração do déficit comercial americano. Nenhum emergente quer isso. Isso nunca vai acontecer, a não ser que os EUA intervenham no câmbio, que é o que eu prevejo. É por isso que, na China, ouvem-se líderes políticos, jornalistas e militares ameaçando com uma interrupção na compra de títulos americanos, mas nunca se ouvem economistas, ou o Banco Central, fazendo essa ameaça. Ela é completamente vazia, só faz sentido para quem não sabe nada de economia monetária. Implicaria abrir mão do superávit comercial, mas todo país quer exportar mais, não menos.</p>
<p>Valor: Teme-se também um retorno ao protecionismo. É possível que a OMC (Organização Mundial do Comércio) seja atropelada por governos e seus interesses eleitorais?</p>
<p>Pettis: É. Como nos lembrou Keynes, muitos anos atrás, desequilíbrios externos requerem ajustes significativos e difíceis, tanto dos países com superávit quanto dos países com déficit. Se os superavitários insistirem que só os deficitários se ajustem, como parece ser o caso com a China e a Alemanha, então haverá necessariamente uma contração da demanda global. Sob condições de livre comércio, a maior parte do sofrimento será absorvida pelos países deficitários. Sob proteção, pelos superavitários. Nessas condições, é difícil imaginar por que os deficitários deixariam de intervir no comércio, especialmente considerando que os desequilíbrios foram muitas vezes causados pela intervenção dos superavitários.</p>
<p>Valor: Um calote da Grécia ou de outros países europeus seria um cenário catastrófico? Um argumento concorrente é que a Rússia e a Argentina deram calote, mas depois ficaram bem.</p>
<p>Pettis: Grécia, Espanha, Portugal, Itália e outros países não vão crescer até que o fardo da dívida seja equacionado. Vimos o mesmo na América Latina dos anos 1980. A dívida excessiva distorce os incentivos, faz com que empresas, governos, credores e trabalhadores se comportem de maneiras que tornam a economia pior, não melhor. Isso não pode mudar até que o excesso de dívida seja removido. Ou seja, sim, eles deveriam entrar em default rapidamente e reajustar suas economias. Em todo caso, isso significaria o abandono do euro. Não que o calote seja fácil. Ao contrário, será doloroso, mas recusar-se a reconhecer que são insolventes vai estender a dor por muitos anos, e eles vão acabar tendo de dar calote.</p>
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