Principais Tendências nas Políticas Científicas, Tecnológicas e de Inovação, Segundo a OCDE

Tendências das Políticas Governamentais C,T&I. De acordo com relatório Science, Tecnology and Industry Outlook 2010, divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apesar da recente crise econômica, os governos dos países-membros da OCDE mantiveram até agora – e em alguns casos ampliaram – o apoio às atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação como meio de promover o crescimento econômico de mais longo prazo, especialmente face à crescente concorrência de economias emergentes. Em especial, a política governamental continua tendo como foco o fortalecimento da base científica e da capacidade do setor empresarial em inovar e em gerar novas fontes de crescimento econômico, sobretudo em áreas “verdes”.

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Cadê a universidade anunciada aqui?

O governo anunciou a maior expansão das universidades federais da história. Mas os novos cursos estão funcionando com laboratórios sem equipamento, em lugares improvisados e com professores voluntários. Como a falta de planejamento aliada à pressa eleitoral em expandir o ensino superior está prejudicando a formação de milhares de alunos. Clique aqui para ler mais.

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Nostalgia do trabalho

Thomaz Wood Jr.

O norte-americano Matthew B. Crawford seguiu os passos do sucesso ditados pela nova sociedade da informação: obteve um Ph.D. na Universidade de Chicago e conseguiu emprego em um think tank em Washington, D.C. Entretanto, não demorou para se desiludir com a manipulação de ideias e se frustrar com o restrito uso de seu intelecto. Então, retornou algumas décadas na tecnologia e dois séculos na organização do trabalho: foi montar uma oficina de reparos de motocicletas antigas. No livro Shop Class as Soulcraft An Inquiry Into the Value of Work (The Penguin Press, 2009), Crawford narra sua saga e defende seus argumentos.

O autor parte da constatação de que uma mudança substantiva está em curso: o que antes fazíamos, agora compramos pronto; o que antes consertávamos, agora substituímos. Estamos, com isso, perdendo nossas habilidades manuais e nos tornando mais passivos e dependentes. Pior: estamos também perdendo alguns fatores intrínsecos de satisfação do trabalho.

Para Crawford, o retorno ao artesanato, como mecânico de motocicletas, devolveu-lhe o verdadeiro sentido do trabalho. Primeiro, porque o resultado é claramente visível e reconhecido pelo cliente. Segundo, porque o trabalho envolve operações cognitivas complexas que dependem de conhecimento prático e experiência acumulada. Terceiro, porque sua posição lhe confere um lugar na comunidade.

O autor argumenta que quem trabalha mais próximo dos fenômenos naturais consegue estabelecer correlações e princípios mais coerentes, enquanto quem lida permanentemente com abstrações e ignora a matéria-prima da realidade tende a gerar dogmas com base em poucas observações. Para o autor, o conserto de motocicletas envolve raciocínio mais amplo e complexo do que o trabalho no think tank, o contrário do que apontaria o senso comum.

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Carta IEDI n. 450 – Investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação na OCDE e nos BRICS

Este estudo mostra que até a eclosão da crise financeira em 2008, que resultou em uma forte recessão econômica na maioria dos países em todo o mundo, os gastos domésticos com pesquisa e desenvolvimento (GERD, na sigla em inglês) na área da OECD cresceram a uma taxa anual média real de 3,6% entre 1997 e 2007, alcançando variação anual superior a 4% nos anos mais recentes deste período. Em razão da crise global, o aumento real nos gastos de P&D desacelerou entre 2007 e 2008, com a taxa de expansão declinando para 3,1% no conjunto da área OECD. Em termos absolutos, o GERD da OCDE alcançou US$ 935 bilhões em 2008 (em Paridade Poder de Compra corrente – PPC), o equivalente a 2,3% do PIB total. Clique aqui para ler mais.

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Realpolitik tupiniquim?

Há uma famosa palestra, transformada em livro, de Francisco Clementino de San Tiago Dantas (1911-1964) que me parece interessante apelar nesse momento – D. Quixote: um apólogo da alma ocidental (1947). Pois bem, tratava-se então do quarto centenário do nascimento de Cervantes.

Afinal, qual o significado simbólico do Cavaleiro da Triste Figura para San Tiago Dantas? Segundo o autor:

(…) é difícil compreender por que foi D. Quixote não apenas um herói, mas um herói louco (…) Mas é imprescindível compreender porque é cômico esse santo, porque é louco esse virtuoso, porque deve ser renegada essa Cavalaria, que fez do modesto Alonso Quijano um mediador universal.

E continua San Tiago Dantas: “Querer salvar é sublime; julgar-se um salvador é ridículo. Eis por que nos servimos da expressão quixotismo, ora para exaltar uma virtude, ora para denunciar uma fraqueza”. Seria a mediocracia à la Sancho o caminho de uma Realpolitik para alguns? Segundo San Tiago Dantas:

Transformando os deuses em mitos, os homens operam a recuperação estética de certas formas perecidas, e passam a servir-se delas como de um material incorruptível, sobre o que já não tem poder nem a fé, nem o tempo. Criar a mitologia não será, porventura, reencontrar o tempo perdido? Não hesito em dizer que, sem o Quixote, o espírito ocidental, especialmente o ibérico e ibero-americano, teria tido outros caminhos. E, se hoje o perdêssemos, e o apagássemos da memória, muito do que existe em nós nos tornaria indecifrável.

Afinal, é o Quixote um herói fracassado? Não! Para San Tiago Dantas, “cada vez que saímos para o impossível, deixando nas mãos de Deus o segredo da germinação de nossas ações, é conforme o Quixote que estamos procedendo”. O heroísmo do Cavaleiro da Triste Figura não está nos seus feitos; ele está nas suas disposições da alma.

Simbolicamente falando, D. Quixote não é uma simples nostalgia de uma aristocracia perdida. O Quixote simbólico de Cervantes constrói raízes no solo mais nobre do cristianismo, pois foi esse cristianismo quem revelou que fracassar é apenas o ponto de partida para vencer.

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A marcha da insensatez

Esse foi o título de um polêmico livro escrito pela historiadora Barbara W. Tuchman, publicado em 1984. Adotar políticas contrárias a seus próprios interesses foi identificado por Tuchman como uma das características mais humanas no exercício do poder: a irracionalidade. O repúdio da razão é uma das características da insensatez.

A recente tragédia na região serrana do Rio de Janeiro poderia ser acrescida a novas edições do livro de Tuchman. Afinal, no Brasil qualquer cidadão razoavelmente informado tem algumas poucas certezas: (1) no verão ocorrerão chuvas fortes; (2) encostas irão desabar e as áreas de risco ocupadas irregularmente sofrerão; (3) depois do verão vem a dengue.

Qual o risco de se fazer tais previsões no Brasil, um país que ocupa um lugar de destaque entre as maiores economias do planeta? Penso que o risco é próximo de zero. Como um Estado que consegue arrecadar aproximadamente 40% do PIB, pagar efetivamente uma das mais elevadas taxas básicas de juros do mundo, não possui estruturas organizacionais capazes de atuar sobre essas chagas apontadas no parágrafo anterior?

Prevenção custa menos do que correr atrás do prejuízo. Por que não  investimos mais em prevenção no Brasil? Talvez o jogo político esteja interessado nas grandes catástrofes, pois assim recursos são liberados emergencialmente e muito pode ser justificado no gasto desses recursos financeiros.

(…) a “divina razão” foi suplantada por fragilidades humanas não-racionais – ambição, ilusões, auto-ilusões, preconceitos firmados. Embora a estrutura do pensamento humano esteja assente no procedimento lógico das premissas às conclusões, isso nada significa quando se esbate contra fragilidades e paixões (Tuchman, B. W. A marcha da insensatez. 6.ed. José Olympio Editora, 2003, p.386).

Nesse caso, a tese de Barbara Tuchman precisa ser contextualizada. A distância entre elites e povo pode empurrar o tratamento de problemas coletivos para um padrão de oportunismo dos agentes públicos e privados.

Onde estão os planejamentos preventivos das defesas civis no Brasil?

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O caminho da servidão revisitado

Não se pode negar o impacto que o livro de Friedrich von Hayek (1899-1992), Nobel de Economia em 1974, causou no seu tempo. Publicado em 1944, tratava-se de um ataque às ideias totalitárias.

O problema de Hayek foi considerar que o Estado seria uma espécie de mal desnecessário. Isso o fez crítico até mesmo da socialdemocracia europeia que se construía a partir das ruinas da Segunda Guerra Mundial. Não é por menos que alguns consideram O caminho uma paranoia das direitas.

Há ecos dessa paranoia no Brasil e na América Latina. Má formação ou má fé dos que aderem ao neoliberalismo?

Adam Smith intuitivamente formulou a tese de que uma boa sociedade surgiria da busca do interesse pessoal, sob condições de livre competição, sem nenhuma autoridade política poderosa determinando os resultados. No entanto, vários economistas do século XIX – Malthus, John S. Mill, Walras e Alfred Marshall – admitiam que a livre competição só pudesse levar a um Estado justo caso a distribuição inicial da riqueza fosse equitativa.

Se as condições iniciais fossem injustas, também o seriam o resultado social, dado que o mercado pode ser uma fonte de concentração de capital e coação, tanto como o Estado.

América do Norte, União Europeia e Japão dominam a alta tecnologia, sendo que respondem por aproximadamente 90% do potencial tecnocientífico. Os principais laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estão concentrados nos países industrializados. Não há motivos para que se afirme não existir mais relações do tipo centro-periferia no sistema capitalista. A construção de suas marcas, identificadas com valores e compromissos nacionais, integra esse quadro de assimetrias nas relações econômicas globais. As empresas transnacionais sediadas nos países desenvolvidos chegam a responder por dois terços do comércio global e três quartos dos fluxos dos investimentos estrangeiros diretos.

Onde estariam a mão invisível e a competição atomística do senhor Hayek?

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Tipologia da corrupção

Jagdish Bhagwati

Publicado no Valor Econômico de 07/01/2011:

No longo prazo, a prática do suborno corrói o respeito e a confiança exigidos pela boa governança, o que pode por si só prejudicar o desempenho econômico. Mas isso não nos isenta de reconhecer as óbvias diferenças culturais nas formas como ela é percebida.

Acabei de voltar da Índia, onde falei perante o Parlamento indiano no mesmo salão onde o presidente dos EUA, Barack Obama, falara recentemente. O país estava abalado por um escândalo. Um gigantesco esquema em nível ministerial no setor de telefonia móvel tinha desviado muitos bilhões de dólares para um político corrupto.

Mas vários dos parlamentares ficaram também surpresos ao descobrir que, em seu pronunciamento, Obama leu um teleprompter “invisível”. Isso iludiu sua plateia, levando-a pensar que ele estava falando de improviso, uma habilidade extremamente prezada na Índia.

Os dois episódios foram vistos como uma forma de corrupção: um envolvendo dinheiro, o outro, trapaça. As duas transgressões, obviamente, não se equivalem em torpeza moral. Mas o episódio envolvendo Obama ilustra uma diferença importante entre culturas na maneira como avaliam o grau de corrupção de uma sociedade.

A Transparência Internacional e, ocasionalmente, o Banco Mundial, gostam de classificar os países segundo seu grau de corrupção, e depois a mídia passa a citar incessantemente a classificação dos países. Mas diferenças culturais entre países comprometem a legitimidade dessas pontuações – resultantes, afinal de contas, de pesquisas junto à opinião pública. O que Obama fez é uma prática bastante comum nos EUA (embora melhor se pudesse esperar de um orador tão capaz); não foi assim na Índia, onde essa técnica é, com efeito, considerada repreensível.

Mas onde pode ser encontrada corrupção substancial de forma inequívoca, como frequentemente é o caso, é preciso reconhecer que não se trata de um dado cultural. Ao contrário, é muitas vezes resultado de políticas que a alimentaram.

Mas se políticas podem produzir corrupção, é igualmente verdade que o custo da corrupção varia de acordo com as políticas específicas. O custo da corrupção tem sido particularmente alto na Índia e na Indonésia, onde políticas produziram monopólios que criaram “rendas por escassez”, então alocadas a membros das famílias dos funcionários.

Essa “geração de renda” é bastante onerosa e corrói o crescimento. Em contraste, na China a corrupção tem sido largamente do tipo “repartição de lucros”, modalidade segundo a qual os membros de uma família recebem uma participação no empreendimento de tal modo que seus rendimentos crescem com um aumento nos lucros – um tipo de corrupção que incentiva o crescimento.

Leia mais no site do Project Syndicate.

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Uma nova guerra fria?

Li recentemente um artigo de Ian Bremmer, autor do livro ‘O fim do livre mercado’, ainda não publicado no Brasil. Ele é otimista em relação ao nosso país, desde que tenhamos a inteligência de nos colocarmos nas questões internacionais como terceiros interessados, ou seja, fora das zonas de conflitos dos EUA e da China.

Poderemos assim conviver bem com a provável disputa entre os EUA e a China, ajudando-os e faturando geopoliticamente na mediação de certas questões pontuais. O importante é mantermos graus de liberdade no concerto das nações. Cito logo abaixo um trecho do artigo do Bremmer (2010, p.53):

“Os casos mais interessantes são os de Brasil e Indonésia. Os dois parecem não se ater a nenhum dos dois líderes. É algo que a Índia não poderá fazer. Os indianos estão se tornando uma ameaça direta aos chineses – demograficamente, militarmente, e em termos de recursos. Índia e China estão virtualmente destinadas a se enfrentar. O futuro da Rússia não é promissor. O envelhecimento da população, a corrupção desenfreada e a dependência de petróleo impedem que o país concorra com os líderes emergentes mais dinâmicos” (A nova guerra fria, in: Exame: edição especial – as principais tendências no Brasil e no mundo. Edição 983, de 29/12/2010, pp.52-53). 

Para se pensar. O que não podemos aceitar passivamente é transformarem o Brasil num mero fornecedor de produtos primários – commodities agrícolas e energética – para a China, importando produtos manufaturados de elevada intensidade tecnológica da mesma. Lembro que já há marcas de montadoras de automóveis chinesas rodando no Brasil, ofertando inclusive através de suas concessionárias serviços de manutenção e assistência técnica especializada. 

Segundo Bremmer (op. cit., p.52):

“O mundo unipolar dominado pelos Estados Unidos está perdendo lugar para um modelo não polar. As grandes economias emergentes estão muito ocupadas cuidando de seus próprios problemas e não parecem dispostas a assumir os riscos exigidos pela liderança internacional. A ascensão da China coloca em evidência um sistema que eu chamo de ‘capitalismo de Estado’, no qual o Estado domina o mercado principalmente para obter ganhos políticos. A tensão entre esses dois sistemas está provocando conflitos crescentes entre China e Estados Unidos”. 

Quem ainda acredita ser a China o futuro do socialismo fabiano que muito influenciou a social-democracia europeia no século passado?

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BNDES, transparência e pseudossubsídios

Antonio C. de Lacerda

Do Valor (16/08/2010):

A atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem sido alvo de uma série de questionamentos, especialmente no que se refere a um alegado subsídio embutido nos empréstimos ao setor privado.

O foco tem sido nos aportes realizados pelo Tesouro Nacional ao banco, envolvendo nos últimos dois anos um montante de R$ 180 bilhões. Como os empréstimos do BNDES são corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano, e a dívida pública é regida principalmente pela Selic, a taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), hoje em 10,75%, a diferença se configuraria em um subsídio ao setor privado.

No entanto, a questão não é assim tão simples. Aparentemente haveria na operação uma diferença de 4,75 pontos percentuais que se configuraria em um subsídio da ordem de R$ 8 bilhões ao ano, a ser coberto pelas contas públicas. Mas, o raciocínio aqui tem que ser dinâmico e não estático. Mais econômico do que contábil. Continue lendo

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