Economia nacional usa pouca mão de obra qualificada

Professor Ben Ross Schneider, do MIT, abordou no Ipea as características do capitalismo na América Latina

A presença de um número elevado de multinacionais no país e a exploração de recursos naturais por grandes grupos econômicos nacionais reduz a demanda por mão de obra qualificada no Brasil. A tese foi defendida pelo professor Ben Ross Schneider, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Ele apresentou uma palestra sobre as variedades do capitalismo na América Latina nesta quinta-feira, 30, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para Schneider, o domínio de multinacionais em setores tecnológicos, intensivos em capital e pouco demandante de mão de obra inibe iniciativas de pesquisa e desenvolvimento no país, que exigiriam quantidades maiores de trabalhadores com boa formação. Ao mesmo tempo, os setores primários, sob controle grandes grupos econômicos, são mais intensivos em mão de obra, mas contratam pouco pessoal com maior qualificação. Continue lendo

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Insônia promissora

Paulo Nogueira Batista Jr.

Fonte: Tijolaço.

O governo prepara novas medidas para conter a alta do real, informam os jornais. Estariam sendo consideradas, entre outras providências, intervenções nos mercados futuros e de derivativos.

Antes à tarde do que nunca, como dizia aquela propaganda de motel na Barra. A sobrevalorização do real está ficando cada vez mais grave. As medidas tomadas pelo governo até agora foram na direção certa, mas têm-se mostrado insuficientes.

A abundância de liquidez internacional, exacerbada pelo enorme diferencial de juros entre o Brasil e o resto do mundo, contribui para manter a força do real. Fala-se às vezes na “maldição dos recursos naturais”. Um traço comum entre economias superdotadas de recursos naturais é a tendência a manter taxas de câmbio supervalorizadas, que estimulam as importações de maneira generalizada e inibem as exportações de quase tudo. Continue lendo

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Nova política industrial divide Mantega e Pimentel

Valor Econômico

Assis Moreira

Os ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, mostraram claro descompasso, ontem, em Paris, ao falar da política industrial que o governo pretende lançar para o Brasil enfrentar o modo de produção asiático e tentar dar um salto de qualidade.

Pimentel declarou que a presidente Dilma Rousseff anunciará no fim do mês a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). “Teremos subsídios muito fortes e desonerações de impostos muito fortes para as empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento e que tragam a engenharia de produção ao país”, afirmou em seminário sobre a economia brasileira, promovido pela revista “The Economist”. Continue lendo

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Sobre a dinâmica industrial brasileira

Júlio Gomes de Almeida

Do Brasil Econômico:

Nos primeiros cincos meses de 2011, o crescimento industrial não chegou a 2%, muito longe da taxa alcançada no mesmo período do ano passado (17,3%) ou do ano como um todo de 2010 (10,5%).

É claro que esses últimos índices têm correspondência em um processo de recuperação de nossa economia à crise internacional, razão pela qual foram mais expressivos.

Mas, se retrocedermos ao período pré-crise, a comparação também faz sobressair o magro desempenho de 2011: no ano cheio de 2007, a expansão industrial foi de 6% e de 6,3% no período acumulado entre janeiro e maio de 2008.

Outro ponto relevante a ser observado: o encolhimento da produção tem sido generalizado. Continue lendo

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Projeto nacional e democracia

Carlos Lessa

Do Valor Econômico [06/07/2011]:

Um projeto nacional explicita o sonho de futuro de uma sociedade nacional. A Revolução Francesa perfilou seu projeto, de forma nítida, ao considerar o território o espaço geográfico tornado homogêneo sob o império de leis e instituições aprovadas pela sociedade e ao entender que o território era propriedade inalienável do povo. Com isso, desdobrou para o futuro o espaço aonde o povo nacional preserva sua soberania e explicitou os tributos como a base de sustentação do Estado nacional, assumindo como prioridade a integridade de seu povo. A partir daí, a democracia passa a ser exaltada como o modo de convivência política e gestão do Estado nacional. Nação, povo, Estado e democracia, sonho nascido com a Revolução Francesa, serão os alicerces do projeto nacional da maioria de países. Continue lendo

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Entrevista com Otaviano Canuto

China e commodity influenciam mais que crise na Grécia

Angela Bittencourt | De São Paulo

Do Valor Econômico [05/07/2011]:

A crise financeira da Grécia tornou-se tema de discussão permanente nos mercados financeiros no Brasil e no exterior, mas seu potencial de contágio não é relevante para o mundo. O que merece atenção agora são os rumos da China e dos preços das commodities, na avaliação de Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para Redução da Pobreza e Gerenciamento Econômico. O economista, que já lecionou na Unicamp e na USP, integrou a primeira equipe montada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, no início da primeira gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista ao Valor, Canuto disse que a China deve crescer por 10 ou 15 anos a taxas elevadíssimas. Os preços das commodities também ficarão firmes por mais cinco ou dez anos. E isso dará ao Brasil uma grande oportunidade de avançar, de aproveitar o fato de ter baixo endividamento ou um balanço enxuto, como se constatou na esteira da crise financeira global de 2008. Continue lendo

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Agenda Econômica com o professor José Luis Oreiro

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Ministro do Desenvolvimento comenta os atuais desafios da economia brasileira

Veja o vídeo (clique aqui).

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Europa sofre turbulências e fadiga de ajuste

Do Valor (20.06.2011):

A reação popular aos planos de austeridade fiscal e econômica vai conturbar cada vez mais a Europa. As turbulências políticas se propagam por vários países e aumentam as dúvidas sobre a implementação de reformas. Há uma fadiga com sucessivos planos de ajuste e a popularidade de governos está em queda. Crescem as críticas dos sindicatos ao tratamento privilegiado para o setor financeiro, socorrido com dinheiro público, enquanto aos assalariados sobraria a parte dolorosa do ajuste.

Vários países reduziram salários dos servidores: 2,5% na Alemanha; 5% na Espanha, 10% em Portugal (para quem ganha acima de € 1.500); 13% na Irlanda; 2% na Grécia; 25% na Romênia; e 50% na Letônia. Os salários nominais foram congelados por um a três anos na França, Itália, Portugal, Espanha, Bulgária, Polônia, Romênia e Eslovênia.

Enquanto as críticas aumentam sobre a incapacidade da Europa de se governar, numa verdadeira catástrofe política, o presidente do Eurogrupo (ministros de finanças), Jean-Claude Junker, adverte para o risco de contágio da crise para a Bélgica e Itália. E Kenneth Rogolf, ex-economista chefe do FMI, acusa os planos de austeridade de serem cada vez menos realistas. Ele insiste que a Europa precisa reestruturar a carga da dívida da sua periferia.

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Riscos no mercado global aumentaram desde abril, diz FMI

Do Valor (17.06.2011):

De abril para cá, os riscos no mercado internacional aumentaram, tornando o cenário para a economia mais global mais incerto. O Relatório de Estabilidade Financeira Global do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta três motivos para o quadro de maior turbulência: as dúvidas sobre a consistência da recuperação global, os impasses políticos na periferia da Europa e também nos EUA, que levantam dúvidas quanto à viabilidade do ajuste fiscal nesses países, e os riscos causados pela busca por rendimentos elevados, num momento em que os juros em boa parte do mundo desenvolvido estão próximos de zero. A busca por rendimentos elevados também preocupa. É um fenômeno que pode provocar o surgimento de desequilíbrios financeiros no futuro, alerta o Relatório de Estabilidade Financeira Global. Com juros próximos de zero em países como os EUA, os investidores, ávidos por retornos mais elevados, buscam ativos que oferecem rendimentos mais atraentes, como os de mercados emergentes. A formação de novas bolhas não pode ser descartada nas economias emergentes, o que pode causar grandes problemas no futuro. Continue lendo

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