A dúvida é como preservar a união

Martin Wolf

Do Valor Econômico (22/12/2010):

A Alemanha impera. Ela determinará em que medida prospera a zona do euro, talvez até mesmo se ela sobreviverá. Ela é a potência europeia central – geográfica, política e econômica. A França sabe isso. A pergunta é como a Alemanha usará esse poder. A resposta dependerá não só de como ela enxerga seus interesses, mas de como ela entende eventos. Estou muito mais preocupado com esta última questão.

A posição dominante da Alemanha não é apenas resultado do seu porte econômico. Deve-se mais à sua condição de maior país credor com o melhor crédito soberano. Quando países com déficits externos ficam sem fornecedores externos de crédito privado, eles se tornam dependentes de soberanias estrangeiras. Isso está acontecendo com a zona do euro. O poder dos credores é simples: na ausência do seu apoio, os países deficitários serão levados ao calote. O consequente colapso do crédito, por sua vez, imporá cortes acelerados nos gastos e uma enorme recessão. Essa recessão, por sua vez, tornará as finanças públicas ainda mais incontroláveis. A espiral descendente também imporá cortes aos países superavitários, já que eles precisarão abater o valor dos seus ativos e perder mercados de exportação. Sua posição superavitária, porém, permite que expandam a demanda interna, em vez disso. Em crises, os mercantilistas imperam. É o que acontece agora na região.

Ao decidir o que fazer, primeiro a Alemanha precisa determinar os seus próprios interesses. Eles são mais do que estritamente financeiros. A aceitação dos seus vizinhos, dentro da União Europeia, tem sido um pilar da política alemã do pós-guerra, por excelentes motivos: isolada, a Alemanha demonstrou ser uma calamidade para os seus vizinhos e para si. Além disso, um marco alemão ressuscitado dispararia em valor, com efeito devastador sobre a competitividade das exportações alemãs. Por esses dois motivos, manter a zona do euro está no claro interesse da Alemanha, enquanto o euro continuar sendo uma moeda estável, em termos de poder de compra interno, como certamente será.

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Por que os juros são tão altos no Brasil?

Listagem das taxas básicas de juros (clique aqui).

Essa é uma questão cuja resposta depende da perspectiva teórica adotada. Pós-keynesianos reafirmam estar na preferência pela liquidez exercida pelos agentes econômicos frente às incertezas do futuro a explicação, inclusive a exercida pelo sistema bancário. Tal fato faz com que o custo do capital se eleve e haja a possibilidade real do equilíbrio macroeconômico no subemprego dos fatores de produção, reduzindo a demanda empresarial por trabalhadores e achatando salários.

O futuro é incerto e qualquer previsão não deixa de ser uma especulação sobre o que pode vir a acontecer, por mais que os métodos econométricos tenham evoluído. O passado não pode ser simplesmente extrapolado para o futuro. A economia é uma ciência social; o estado de confiança dos negócios e as convenções são importantes para as tomadas de decisões de investimento produtivo. 

Por que os juros são tão altos no Brasil? Falta concorrência bancária e por isso os spreads cobrados na ponta dos tomadores de recursos são tão elevados? O banco central precisa controlar a inflação dentro daquilo que se estabelece como meta perante o mercado financeiro num determinado período? Qual seria o período “científico” mirado pela meta e seus desvios?

De fato que a elevação da taxa básica de juros pode contrair a demanda agregada e reduzir o ritmo de evolução de uma economia. Guardadas as devidas proporções, essa é uma solução equivalente à do médico preocupado e dedicado que eleva a medicação para estabilizar rapidamente um doente, matando-o por excesso de cuidados. Para quem quiser se aprofundar mais no assunto recomendo um clique aqui.

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Empresa privada e o projeto nacional

Carlos Lessa

O crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período 2003-2010 (4,1%) foi inferior à média latino-americana (4,2%). A média argentina (7,5%) foi quase o dobro da brasileira. Peru, Uruguai, Venezuela, Colômbia e Paraguai tiveram médias superiores à brasileira. A comparação com os países ditos emergentes (Bric) é muito mais vergonhosa: a Rússia nos supera, com 4,8% ao ano, a Índia, com 8,2%, e a China, 10,95%, nos esmagam. Este ano, o PIB brasileiro deverá crescer cerca de 7,5%, porém havia sido negativo (0,6%) em 2009.

O Brasil parece uma nau sem rumo no oceano da globalização. A crise mundial não parece ter dado indício a nenhuma mudança de rumo. Alguns produtos primários continuam tendo preços especulativos e conferiram aos Anos Lula uma bonança nas contas externas e sucesso no controle da inflação; esse resultado foi obtido sem mudança estrutural relevante.

A empresa privada, no Brasil, tem um comportamento tímido em termos de ampliação de capacidade produtiva. Sendo grande e fazendo parte de um oligopólio, sua timidez engendra uma anêmica taxa de investimento produtivo e uma orientação de rentista, ou seja, procura não se endividar e ser uma aplicadora no mercado financeiro enquanto prospecta oportunidades especulativas com mercadorias, ativos financeiros e, por vezes, realiza seu sonho de assumir o controle de uma competidora ou fornecedora crítica.

Leia mais no Valor Econômico.

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Eixos dinâmicos da inovação

David Kupfer

Um diagnóstico da economia brasileira para os próximos anos indica alguns eixos com potencial dinâmico para fazer girar a atividade industrial na direção do desenvolvimento tecnológico. Um primeiro eixo é dado pelas forças represadas no mercado interno. Como evidenciado no passado recente, são múltiplas as oportunidades de novos negócios associadas ao novo padrão de consumo trazido pela expansão da renda nacional e pela melhoria do perfil da sua distribuição. Isso não significa, evidentemente, retirar do mercado externo qualquer papel relevante: significa apenas o reconhecimento de que, em vista das suas implicações mais diretas sobre a produção de commodities, este tenderá a reforçar trajetórias já estabelecidas, dotadas, portanto, de menor poder transformador. (Clique aqui para ler mais.)

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GLOBALIZAÇÃO, ESCALAS TERRITORIAS E POLÍTICA TECNOLÓGICA REGIONALIZADA NO BRASIL

Clélio Campolina Diniz (Clique aqui para ler o artigo)

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Recession Geopolitics

Harold James

In a famous analysis of the Great Depression, the economic historian Charles Kindleberger argued that it arose from a failure of world leadership. Great Britain had been the hegemonic power of the nineteenth century, but its creditor status had been severely eroded by the cost of fighting World War I.

The United States had emerged from the war as the world’s largest creditor, but it had a double vulnerability. Its financial system was unstable and prone to panics, and its political system was immature and prone to populism and nativism.

In the Depression, according to Kindleberger, ()

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The Wars of Austerity

Robert Skidelsky

As Keynes wisely remarked, “If nations can learn to provide themselves with full employment by their domestic policy…there would no longer be a pressing motive why one country need force its wares on another or repulse the offerings of its neighbor.” Trade between countries “would cease to be what it is, namely a desperate expedient to maintain employment at home by forcing sales on foreign markets and restricting purchases.” It would become, instead, “a willing and unimpeded exchange of goods and services in conditions of mutual advantage.”

In other words, today’s turmoil over currencies and trade is a direct result of our failure to solve our employment problem.

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A indústria dos planos de saúde contra Michael Moore

Depois da realização do documentário “Sicko”, uma denúncia contra o sistema privado de saúde nos Estados Unidos, executivos de empresas de planos de saúde decidiram desencadear um plano contra o trabalho de Michael Moore. Um estudo recente da Faculdade de Medicina de Harvard indicou que quase 45 mil estadunidenses morrem anualmente (um a cada doze minutos) principalmente porque não têm seguro de saúde. Mas para o grupo de pressão das empresas, a única tragédia seria a possibilidade de uma verdadeira reforma do sistema de saúde. O artigo é de Amy Goodman.

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A embriaguez da ciência econômica

Paul Krugman

Quando leio artigos tratando de Novas Ideias para a Economia, costumo sentir um certo déjà vu: já não passamos por tudo isso antes? Justin Fox se encarrega do trabalho braçal da pesquisa e descobre um artigo de 1988 a respeito de Novas Ideias que, com pequenos ajustes, poderiam muito bem ter sido propostas nos dias de hoje.

Neste caso, entretanto, o problema não está nas novas ideias de 1988, ainda vendidas como novidade no ano de 2010: em particular, Shiller tinha razão quanto à irracionalidade do mercado naquela época, e sua conclusão continua válida até hoje – exemplificada pelas duas bolhas cuja formação ele soube apontar corretamente.

Mas a pergunta que deveríamos fazer é: Por que os economistas profissionais têm resistido tanto em aceitar o óbvio? Clique aqui para ler mais.

Resumindo: nosso problema não está na falta de novas ideias engenhosas, e sim na recusa de um grande número de economistas em reconhecer o fato de que algumas de suas teorias favoritas simplesmente não funcionam – fato que se tornou óbvio há décadas.

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A utopia keynesiana

Artigo para reflexão.

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