“O plano é positivo, mas não será capaz de tirar a indústria do sufoco, porque persistem problemas a serem sanados, como o câmbio, os juros altos e a elevada carga tributária”, disse Andrade, segundo comunicação oficial da CNI. A valorização do real, que compromete a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional e facilita a entrada de importados, é uma das grandes queixas do empresariado. (BBC Brasil)
Após manifestações que causaram transtornos ao trânsito de São Paulo nesta quarta-feira, as centrais sindicais conseguiram agendar com o governo uma conversa sobre a nova política industrial, o Plano Brasil Maior. Além das reivindicações apresentadas na passeata (redução de juros, redução da jornada de trabalho, fim do Fator Previdenciário e regulamentação da terceirização, entre outras), a nova política industrial também foi alvo de protestos. “Achamos o plano tímido e insuficiente, por não ter mexido pra valer em pontos como o câmbio e o ICMS, além de não ter criado um índice de nacionalização de autopeças, que era a nossa sugestão”, criticou o sindicalista. (Valor Econômico)
Poucos industriais acreditam possível absorver, com ganhos de produtividade e eficiência, a descida do câmbio abaixo dos R$2,30. Uma apreciação cambial do real superior a 30% nos últimos anos dificilmente pode ser compensada com medidas microeconômicas.
Projeções do FMI apontam para um déficit de 3,62% do PIB nas transações correntes em 2014. O relatório Focus, de 29 de julho, do BC do Brasil, por sua vez, aponta para déficits nas transações correntes em 2011 e 2012 que não conseguirão ser cobertos pelo investimento estrangeiro direto. Para o câmbio médio dos períodos, as projeções de “mercado” são de R$1,59 (2011) e R$1,64 (2012).
John M. Keynes (1883-1946) foi o primeiro a reconhecer e afirmar claramente que uma moeda apreciada seria uma moeda fraca. Conforme ironizou Keynes (1936), “a sabedoria universal indica ser melhor para a reputação fracassar junto com o mercado do que vencer contra ele”. Será esse o caminho escolhido pelo Estado brasileiro e seus governantes?
Em 2010, gastou-se no Brasil 44% do Orçamento Geral da União com o pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida, enquanto setores-chave como saneamento básico, transportes, urbanismo e cultura não chegam a ter 1%. Gastos com as despesas financeiras ultrapassaram os 5% do PIB, valor superior ao gasto público com educação.
O Brasil vem sendo desde 1994, invariavelmente, o campeão mundial de juros real e, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, entre 1994 e 2010 houve um salto de 24,88% para 44,58% na participação de produtos básicos (commodities) na pauta exportadora brasileira. Manufaturados tiveram sua participação reduzida de 57,86% para 39,40%.