Do Brasil Econômico:
A valorização da moeda americana, no entanto, é considerada pontual pelo mercado, que não acredita em uma inversão da tendência de queda para a divisa dos Estados Unidos nos próximos meses.
Nesta tarde, o dólar comercial operava com forte alta de 1,76% frente ao real, a R$1,565.
Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a publicação de medida provisória para conter a queda do dólar. Segundo o Diário Oficial da União, o Conselho Monetário Nacional está apto a definir as regras para as negociações no mercado de derivativos e tributar com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 25% as operações desse perfil feitas no país.
Para João Medeiros, gerente de câmbio da Pioneer Corretora, a medida será inócua uma vez que o “grande problema não está na BM&F [com derivativos], mas na Cetip, onde há mais de US$ 70 bilhões registrados.”
De acordo com ele, não se trata de uma valorização do real, mas do enfraquecimento mundial do dólar, o que torna essa tendência de queda irreversível.
“Todas as moedas do mundo se valorizaram na mesma proporção”, ressalta. “Não é o real que ficou forte, mas o dólar que enfraqueceu, virou um papel pintado de verde.”
Com isso, a alta de hoje vem do impacto inicial da medida. No entanto, a valorização da moeda americana não deve se sustentar por muito tempo. Outro indicador que aponta nesse sentido é o fluxo cambial, que está positivo em US$ 50,703 bilhões no acumulado do ano, sendo que no mesmo período em 2010 o fluxo havia sido positivo em US$ 433 milhões.
Para o presidente do BC, Alexandre Tombini, a medida de agora faz parte de um escopo que torna o país mais seguro para continuar atraindo investimentos estrangeiros, inclusive produtivos, considerados de melhor qualidade porque tendem a permanecer no país.
No entanto, “a atuação do BC continua. Não há modificação sobre isso”, afirmou ele.