Ouso dizer que se John Maynard Keynes estivesse vivo ele provavelmente acrescentaria no capítulo 24 da sua Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (1936) algo a respeito dos graves desequilíbrios ambientais do presente.
Para quem não se recorda da famosa citação de Keynes: “Os dois principais defeitos da sociedade econômica em que vivemos são a sua incapacidade para proporcionar o pleno emprego e a sua arbitrária e desigual distribuição da riqueza e das rendas” (cap. 24, I). Robert Costanza, economista da Universidade de Vermont, calcula que os serviços ambientais representem atualmente o equivalente a US$ 45 trilhões.
Lorde Keynes foi enfático ao afirmar que a teoria economia clássica se mostrava incapaz de resolver os problemas econômicos do mundo real. Pode-se tranquilamente estender essa argumentação keynesiana para a ortodoxia neoclássica e sua fé no homo economicus, na racionalidade ilimitada e nas premissas da competição perfeita. Sabemos pelos estudos antropológicos que a ação humana está, invariavelmente, enraizada num contexto espaço-temporal.