A marcha da insensatez

Esse foi o título de um polêmico livro escrito pela historiadora Barbara W. Tuchman, publicado em 1984. Adotar políticas contrárias a seus próprios interesses foi identificado por Tuchman como uma das características mais humanas no exercício do poder: a irracionalidade. O repúdio da razão é uma das características da insensatez.

A recente tragédia na região serrana do Rio de Janeiro poderia ser acrescida a novas edições do livro de Tuchman. Afinal, no Brasil qualquer cidadão razoavelmente informado tem algumas poucas certezas: (1) no verão ocorrerão chuvas fortes; (2) encostas irão desabar e as áreas de risco ocupadas irregularmente sofrerão; (3) depois do verão vem a dengue.

Qual o risco de se fazer tais previsões no Brasil, um país que ocupa um lugar de destaque entre as maiores economias do planeta? Penso que o risco é próximo de zero. Como um Estado que consegue arrecadar aproximadamente 40% do PIB, pagar efetivamente uma das mais elevadas taxas básicas de juros do mundo, não possui estruturas organizacionais capazes de atuar sobre essas chagas apontadas no parágrafo anterior?

Prevenção custa menos do que correr atrás do prejuízo. Por que não  investimos mais em prevenção no Brasil? Talvez o jogo político esteja interessado nas grandes catástrofes, pois assim recursos são liberados emergencialmente e muito pode ser justificado no gasto desses recursos financeiros.

(…) a “divina razão” foi suplantada por fragilidades humanas não-racionais – ambição, ilusões, auto-ilusões, preconceitos firmados. Embora a estrutura do pensamento humano esteja assente no procedimento lógico das premissas às conclusões, isso nada significa quando se esbate contra fragilidades e paixões (Tuchman, B. W. A marcha da insensatez. 6.ed. José Olympio Editora, 2003, p.386).

Nesse caso, a tese de Barbara Tuchman precisa ser contextualizada. A distância entre elites e povo pode empurrar o tratamento de problemas coletivos para um padrão de oportunismo dos agentes públicos e privados.

Onde estão os planejamentos preventivos das defesas civis no Brasil?

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