O caminho da servidão revisitado

Não se pode negar o impacto que o livro de Friedrich von Hayek (1899-1992), Nobel de Economia em 1974, causou no seu tempo. Publicado em 1944, tratava-se de um ataque às ideias totalitárias.

O problema de Hayek foi considerar que o Estado seria uma espécie de mal desnecessário. Isso o fez crítico até mesmo da socialdemocracia europeia que se construía a partir das ruinas da Segunda Guerra Mundial. Não é por menos que alguns consideram O caminho uma paranoia das direitas.

Há ecos dessa paranoia no Brasil e na América Latina. Má formação ou má fé dos que aderem ao neoliberalismo?

Adam Smith intuitivamente formulou a tese de que uma boa sociedade surgiria da busca do interesse pessoal, sob condições de livre competição, sem nenhuma autoridade política poderosa determinando os resultados. No entanto, vários economistas do século XIX – Malthus, John S. Mill, Walras e Alfred Marshall – admitiam que a livre competição só pudesse levar a um Estado justo caso a distribuição inicial da riqueza fosse equitativa.

Se as condições iniciais fossem injustas, também o seriam o resultado social, dado que o mercado pode ser uma fonte de concentração de capital e coação, tanto como o Estado.

América do Norte, União Europeia e Japão dominam a alta tecnologia, sendo que respondem por aproximadamente 90% do potencial tecnocientífico. Os principais laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estão concentrados nos países industrializados. Não há motivos para que se afirme não existir mais relações do tipo centro-periferia no sistema capitalista. A construção de suas marcas, identificadas com valores e compromissos nacionais, integra esse quadro de assimetrias nas relações econômicas globais. As empresas transnacionais sediadas nos países desenvolvidos chegam a responder por dois terços do comércio global e três quartos dos fluxos dos investimentos estrangeiros diretos.

Onde estariam a mão invisível e a competição atomística do senhor Hayek?

Esta entrada foi publicada em Economia e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta