Li recentemente um artigo de Ian Bremmer, autor do livro ‘O fim do livre mercado’, ainda não publicado no Brasil. Ele é otimista em relação ao nosso país, desde que tenhamos a inteligência de nos colocarmos nas questões internacionais como terceiros interessados, ou seja, fora das zonas de conflitos dos EUA e da China.
Poderemos assim conviver bem com a provável disputa entre os EUA e a China, ajudando-os e faturando geopoliticamente na mediação de certas questões pontuais. O importante é mantermos graus de liberdade no concerto das nações. Cito logo abaixo um trecho do artigo do Bremmer (2010, p.53):
“Os casos mais interessantes são os de Brasil e Indonésia. Os dois parecem não se ater a nenhum dos dois líderes. É algo que a Índia não poderá fazer. Os indianos estão se tornando uma ameaça direta aos chineses – demograficamente, militarmente, e em termos de recursos. Índia e China estão virtualmente destinadas a se enfrentar. O futuro da Rússia não é promissor. O envelhecimento da população, a corrupção desenfreada e a dependência de petróleo impedem que o país concorra com os líderes emergentes mais dinâmicos” (A nova guerra fria, in: Exame: edição especial – as principais tendências no Brasil e no mundo. Edição 983, de 29/12/2010, pp.52-53).
Para se pensar. O que não podemos aceitar passivamente é transformarem o Brasil num mero fornecedor de produtos primários – commodities agrícolas e energética – para a China, importando produtos manufaturados de elevada intensidade tecnológica da mesma. Lembro que já há marcas de montadoras de automóveis chinesas rodando no Brasil, ofertando inclusive através de suas concessionárias serviços de manutenção e assistência técnica especializada.
Segundo Bremmer (op. cit., p.52):
“O mundo unipolar dominado pelos Estados Unidos está perdendo lugar para um modelo não polar. As grandes economias emergentes estão muito ocupadas cuidando de seus próprios problemas e não parecem dispostas a assumir os riscos exigidos pela liderança internacional. A ascensão da China coloca em evidência um sistema que eu chamo de ‘capitalismo de Estado’, no qual o Estado domina o mercado principalmente para obter ganhos políticos. A tensão entre esses dois sistemas está provocando conflitos crescentes entre China e Estados Unidos”.
Quem ainda acredita ser a China o futuro do socialismo fabiano que muito influenciou a social-democracia europeia no século passado?