Por Roberto d’Araújo
Enganam-se os que imaginam que a privatização no setor elétrico terminou com o governo Lula. É verdade que se deteve a venda das empresas estatais, mas, nunca dantes nesse país a energia foi tão privada. Não só porque a expansão foi primordialmente feita com capitais privados, mas porque as vantagens do nosso sistema são primordialmente apropriadas por grandes consumidores privados. A enorme complexidade foi outra característica adotada pela pseudo-reforma de 2004. Hoje em dia, pouca gente entende como funciona o modelo de mercado adotado no Brasil. Eu mesmo já desisti de tentar explicar o intricado mimetismo do nosso mercantilismo de energia. Descubro que é melhor tentar mostrar os sintomas de que algo não vai bem, e o sinal mais evidente desse problema é o preço do kWh em um dos países mais abençoados com energia renovável. Ironicamente, trocamos o risco de racionamento por aumento de preço. Energia cara ao invés de energia rara. Quem quiser ficar desconfiado e curioso sobre esse assunto, dê uma lida no artigo que faz uma radiografia de nossa tarifa comparada a outros países semelhantes e levanta alguns dos problemas que ainda estão por vir.