Estamos realmente decidindo qual a nossa matriz energética?

Por Roberto Pereira d’ Araujo

Passaram a ser freqüentes os debates sobre a matriz energética brasileira. A preocupante
questão ambiental trouxe para o primeiro plano a pergunta de como o Brasil, com enormes
desigualdades sociais, vai suprir suas necessidades de energia no futuro. Segundo dados da
Agência Internacional de Energia2, 64% da emissão de gases antropogênicos de efeito estufa
no planeta se deve à emissão de CO2 ligada à produção de energia. O segundo colocado, bem
atrás do líder, é a emissão de metano (CH4) que ocorre principalmente na mineração e
vazamentos diversos3 com 15%. Portanto, não há como escapar. A energia é a grande vilã do
aquecimento global. Apesar do Brasil dispor de energia renovável, será que essa vantagem está
sendo revertida para a solução dos graves e seculares problemas que temos?
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Matriz Energética

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Muito melhor do que empresa de petróleo!

Por Roberto Pereira d’ Araújo

Imagine a seguinte situação. Você comprou uma geladeira em 10 prestações mensais. Inadvertidamente, esqueceu de pagar uma parcela, por exemplo, a quinta. Paga a sexta sem saber que esqueceu uma. De repente, batem à sua porta e, sem aviso, truculentos funcionários da loja vêm retirar o produto. Você protesta, diz que paga a conta esquecida, mas,… não há contemplação! A loja, com toda a truculência, leva a geladeira de volta. Mesmo depois de pagar, o produto não vai voltar por dois dias! Não é revoltante?

Pois troque geladeira por energia elétrica e esse pesadelo vira realidade sob o olhar complacente das autoridades, principalmente da pomposa Agência Reguladora, ANEEL. De nada adianta a consideração de que o serviço de energia elétrica é considerado “essencial” pela legislação. Afinal, a essencialidade e continuidade são obrigações impostas pela lei às concessionárias, tendo em vista a relevância do serviço que prestam, bem como o significado e o alcance da continuidade do serviço público para a sociedade. Só que, para as distribuidoras, sob proteção da ANEEL, tudo isso é letra morta.

Ora, se você deixa de pagar uma prestação de um bem, ou mesmo de um serviço, que nem é considerado essencial, ninguém tem o direito de cometer a truculência que as distribuidoras cometem no Brasil. O que pode ocorrer é que seu nome fique sujo na praça, o que já é um enorme transtorno! Só que isso não vale para distribuidoras de energia brasileiras! Não! Isso é para geladeira, fogão, TV, roupas, móveis, etc. A energia elétrica no Brasil é uma atividade especial! Quem presta pode fazer o que bem entende da maneira que quiser.

Basta dizer que essas empresas consideram avisados os clientes que recebem a conta seguinte com um simples carimbo! Mesmo que o consumidor pague essa conta sem perceber o aviso, mostrando que há boa fé, a truculência está justificada. Também não vale para as concessionárias de energia elétrica a exigência legal de avisar o consumidor por carta que explicite claramente o problema e que a mesma seja recebia com assinatura do mesmo. Isso é lei para os outros!

E acham que acabou? Nada disso! Suponha que você esteja em casa, mostre que há um incapaz na sua residência, uma criança ou um idoso, e que esse argumento iria sensibilizar a concessionária para adiar o corte, até porque você está disposto a pagar imediatamente. Nada disso diminui a truculência. O corte será realizado, e a ligação só será refeita depois de você passar pelo péssimo atendimento telefônico que, também, complacentemente a agência finge que não vê. E, mesmo após horas de desgaste, você pode ficar sem luz por dois dias!

Dizem que o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo, dado o poder e a penetração desse produto em toda economia. Tenho minhas dúvidas. Acho que ninguém se debruçou sobre o caso da concessão de serviço público de energia elétrica no Brasil. Aqui, nem evidentes ganhos de escala pelo aumento do número de consumidores deixa a agência reguladora atenta. As tarifas brasileiras, mesmo sem impostos, muito superiores às tarifas de países cuja produção de eletricidade também vem da água, também não atraem a atenção de quem é responsável por “regular” preço. Salve-se quem puder!

Roberto Pereira d’Araujo

Engenheiro Eletricista – CREA 23763-D

Autor do livro “Setor elétrico brasileiro – uma aventura mercantil”. CONFEA, 2009.

Ex-membro do Conselho Administrativo de Furnas

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Setor Elétrico Brasileiro: Uma Aventura Mercantil

Por  Roberto ‘d Araújo

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Introdução

Este é um  livro sobre oportunidades  perdidas e caminhos  tortuo- sos. Expõe apenas um dos muitos aspectos onde o velho estigma de “gigante adormecido” fica, mais uma vez, evidente. É uma aventura às avessas. Uma história do anti-herói, um “personagem” que tinha tudo para representar uma vantagem, mas por “adormecer” sobre suas pró- prias qualidades, mete os pés pelas mãos e, espelhando-se em experiên- cias alheias, desventura-se em caminhos incompreensíveis e resultados decepcionantes. O fato de o livro versar sobre o setor elétrico é porque ,

no caso, é ele o personagem. Mas, a “tragédia” é a mesma de outros setores. Séculos de políticas equivocadas.

Medido pelo coeficiente de Gini para a distribuição de renda, a desigualdade no Brasil aumentou de 0,57 em 1981 para 0,62 em 1989. Depois dessa piora, a disparidade de renda figurava como a segunda mais alta do mundo, atrás somente de Sierra Leoa. Em 2005 esse coe- ficiente se reduziu para 0,56, basicamente o mesmo de 1981. Apesar dessa melhora, o índice de 2005 ainda colocava o país entre os 10 mais desiguais, ainda atrás da Bolívia, Guatemala, Haiti, Lesotho, Namíbia, África do Sul e Zimbabwe. Independente de atualizações, o que é grave é que esse vergonhoso índice ocorre na décima economia do planeta. Somos “um ponto fora da curva’.

Por mais clichê que possa parecer, a pergunta sobre como um país naturalmente tão rico pode ostentar tal nível de desigualdade, ainda é a secular questão brasileira. Evidentemente, muitas razões contribuem para a manutenção dessa incômoda posição. Mas, é no mínimo estra- nho que a natureza exuberante, tão pródiga em produzir tanta riqueza, não tenha contribuído para a diminuição dessa disparidade. Continue lendo

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O mistério das tarifas elétricas brasileiras

Por  Roberto d’Araújo

Enganam-se os que imaginam que a privatização no setor elétrico terminou com o governo Lula. É verdade que se deteve a venda das empresas estatais, mas, nunca dantes nesse país a energia foi tão privada. Não só porque a expansão foi primordialmente feita com capitais privados, mas porque as vantagens do nosso sistema são primordialmente apropriadas por grandes consumidores privados. A enorme complexidade foi outra característica adotada pela pseudo-reforma de 2004. Hoje em dia, pouca gente entende como funciona o modelo de mercado adotado no Brasil. Eu mesmo já desisti de tentar explicar o intricado mimetismo do nosso mercantilismo de energia. Descubro que é melhor tentar mostrar os sintomas de que algo não vai bem, e o sinal mais evidente desse problema é o preço do kWh em um dos países mais abençoados com energia renovável. Ironicamente, trocamos o risco de racionamento por aumento de preço. Energia cara ao invés de energia rara. Quem quiser ficar desconfiado e curioso sobre esse assunto, dê uma lida no artigo que faz uma radiografia de nossa tarifa comparada a outros países semelhantes e levanta alguns dos problemas que ainda estão por vir.

Clique aqui para ler o artigo

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