Pedro Nogueira

Blogueiro, Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG.

nov 112010
 

A primeira grande expectativa sobre o governo Dilma Rousseff e o gabinete a ser constituído pela Presidenta é, sem dúvidas, a equipe econômica. Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento e Banco Central: quem vai compor o trio de ministros mais aguardado deste governo? A seguir, um apanhado do debate dos analistas do Portal Desenvolvimentistas sobre as possibilidades do novo gabinete.

A decisão final certamente cabe, em última instância, só à Presidenta-Eleita. Dilma já declarou que, independente de quem sejam os ministros escolhidos, ela vai controlar pessoalmente a política econômica brasileira. Além disso, a Presidenta também deu bastante ênfase ao critério técnico, que será exigido para a indicação dos ministros. Sabe-se também que Dilma tende a escolher pessoas que tenham boas relações pessoais com ela, para uma equipe mais próxima. Por outro lado, Dilma precisará conciliar com sua própria vontade a necessidade de respeitar o arranjo político dos dez partidos que se debatem por cargos no novo governo.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES desde 2007, foi professor de Dilma na UNICAMP e tem muita afinidade com a Presidenta principalmente devido ao perfil desenvolvimentista e às várias oportunidades em que trabalharam juntos. Especialista em economia industrial, Coutinho defende que o governo conduza ativamente as políticas industriais do país. Pode ser beneficiado pela proximidade com Dilma, que tende a dar preferência a pessoas de um círculo mais próximo, mas pode faltar a iniciativa do PT para bancar o nome do economista à frente da pasta, considerando os embates partidários. “Haverá resistências a uma equipe econômica definida apenas pelo gosto de Dilma” explica o economista Gustavo Santos, “E essa é a grande fonte de imprevisibilidade: quanto a Dilma cederá às resistências contra seu perfil desenvolvimentista?” Há controvérsias sobre a pasta que Coutinho ocuparia, se a Presidência do Banco Central ou o Ministério da Fazenda. Os economistas descartam a nomeação para o Banco Central. “Não é seu perfil, e seu viés é fiscal-desenvolvimentista é pouco adequado para o BACEN. Além disso, a política é suficientemente conservadora para que Dilma e aliados não levem para o BACEN alguém que pode emitir sinais muito contraditórios”, explica.

Guido Mantega tem fortes possibilidades de continuar Ministro da Fazenda. Durante a crise econômica, principalmente em 2008, sua atuação rendeu vários elogios e, por isso, goza do respaldo forte do Presidente Lula. Após a eleição, Mantega apareceu próximo da Presidenta. Os dois foram à Ásia no mesmo avião, mas Dilma nega ter tratado sobre a permanência à frente da pasta. Já em Seoul, Guido disse confiar na meta da Presidenta de baixar juros e reduzir os gastos do governo. No entanto, Dilma tem algumas posições não tão próximas às do italiano. Em Seoul, ela considerou pouco cabível a sugestão de Mantega de substituir o dólar por uma cesta de moedas nas transações comerciais e reservas. Considerando o arranjo, Mantega pode tanto continuar na Fazenda como ser deslocado para uma outra pasta, como o Planejamento. Contrariando a corrente do continuísmo, Gustavo explica que essa pode não ser a escolha da Presidenta. Os analistas argumentaram que, se Mantega for retirado do Ministério da Fazenda, o mais provável é que ele deixe o governo.

A continuidade econômica não deve continuar no Banco Central. Nelson Barbosa, chefe da Secretaria de Poíltica Econômica, é um dos nomes que podem ser alçados à presidência do Banco. Ele também deu crédito ao objetivo anunciado pela Presidenta de reduzir a taxa de juros para 2% até o fim do mandato. Trabalhou com Dilma no planejamento econômico do PAC e do programa Minha Casa, Minha Vida. De acordo com os analistas, Dilma pode ser mais conservadora na escolha dos ministros. Eles afirmam que ela gostaria de trocar o comando da economia, mas pode ter receio das resistências do mercado e do meio político. Apesar disso, Meireles deve deixar o comando do Banco. As principais apostas para substituí-lo são Alexandre Tombini, Diretor de Normas do Banco, e Nelson Barbosa, que pode ser uma alternativa menos agressiva para o Bacen e que agrade à Dilma. Leandro Couto afirma que Nelson pode se beneficiar de um bom momento na imprensa para conseguir o cargo. “Considerando o seu papel na discussão da lei do pré-sal, não seria surpresa que conseguissem emplacá-lo,” explica o analista.

Além dos três ministérios, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, também entra na disputa dos principais nomes da gestão econômica do Brasil para 2011. Políticos de partidos que cresceram nesta eleição, como Ciro Gomes, do PSB, e Fernando Pimentel, do PT de Minas Gerais, podem ser trazidos para o Planalto. Entre os ministérios originais, além de Mantega, Paulo Bernardo também pode ser mantido.

Dois nomes considerados muito fortes para um futuro governo Dilma também podem ser usados nessa articulação: Antonio Palocci, coordenador da campanha e da transição, e Maria das Graças Foster, Secretária Nacional de Petróleo e Gás, são cotados principalmente para a Casa Civil. Apesar da possibilidade dessas nomeações, a Casa Civil pode perder prerrogativas institucionais, por exemplo, para a Secretaria Geral da Presidência e ao Ministério de Relações Institucionais.

Por fim, a política dos estados pode influenciar na escolha nacional. O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Paulo Tigre, pode chegar ao BNDES devido á proximidade que construiu com Dilma durante a campanha. São Paulo certamente enviará seus ministros. Aloísio Mercadante, do PT de São Paulo, por exemplo, é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Redação: Pedro Nogueira

Com Análises de Gustavo Santos,  Leandro Couto e Ceci Juruá.

nov 112010
 

Lee Myung-Bak, presidente Sul-Coreano, recebe Lula e Dilma em Seul

O presidente do Banco Mundial, o americano Robert Zoellick confirmou o que já era esperado para as negociações no G20: a chamada guerra fiscal causa tensão no encontro. Zoelick afirmou ainda, em entrevista á BBC, que os negociadores deveriam cuidar para que as tensões não se transformem em protecionismo.

O conflito principal fica entre os Estados Unidos e a China. Sobre a polêmica da desvalorização do dólar, Barack Obama afirmou que o objetivo da política de injetar 600 bilhões na economia americana é fomentar as taxas de crescimento, tanto domésticas quanto estrangeiras. Obama enfrenta dois fortes opositores sobre esta questão: o chinês Hu Jintao e a alemã Angela Merkel.

Obama justificou a política declarando, mais uma vez, que o mundo não precisa somente dos consumidores americanos e que, mais que confiar nas exportações, os chineses precisavam incentivar a demanda interna. Lula se juntou à crítica aos americanos, dizendo que o mundo iria à bancarrota se os países ricos não consumissem o suficiente. Analistas já afirmam às agências de notícias, como à britânica BBC, que o G20 perdeu o embalo para solucionar as questões mais sensíveis da economia mundial.

[Foto: Ricardo Stuckert, PR]

nov 092010
 

Faltam dois dias para o início da Cúpula do G20, em Seul, capital da Coréia do Sul. O presidente Lula vai levar a Presidenta-Eleita Dilma Rousseff para o encontro das lideranças das maiores economias do mundo. Dilma vai participar oficialmente do evento, a convite da Presidência Sul-Coreana do G20, apesar de só tomar posse no dia 1º de janeiro e, então, passar a substituir oficialmente o Presidente Lula nos encontros.

Durante o encontro, que começa na sexta-feira, os líderes discutem crescimento econômico, sistemas de regulação financeira internacional e a modernização de instituições financeiras, como o Fundo Monetário Internacional. Também está na pauta do encontro a recuperação dos países afetados pela crise econômica, discutindo, por exemplo, medidas para a redução do desemprego. Sobre este assunto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um relatório indicando que a taxa média de desemprego dos países-membros do G20 é de 7,8%. O levantamento indica que o desemprego cresceu em 10 dos países-membros e se reduziu em oito outras nações. A expectativa da organização é que os países do G20 criem 21 milhões de empregos por ano até 2020 para atender à demanda criada pelo aumento da população em idade de trabalho. Confira aqui o relatório completo da Organização Internacional do Trabalho, em inglês, produzido para o Encontro do G20. Estão disponíveis também cópias em francês e espanhol.

Os trabalhos da reunião do G20 começam na quinta-feira, mas o encontro de chefes de estado está previsto para sexta, dia 12.

nov 042010
 

A Presidente-Eleita do Brasil, Dilma Rousseff, foi classificada em 16º lugar no ranking das pessoas mais poderosas do mundo. A revista destacou que Dilma vai comandar a nação que mais exporta aucar, suco de laranja, café e outros gêneros alimentícios. Lembrou também o passado militante de Dilma e ações de destaque do Brasil no futuro, como a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016.

O primeiro lugar da lista é do Premier chinês Hu Jintao, seguido do presidente americano Barack Obama. Além de Dilma, outro brasileiro que está na lista é o empresário Eike Batista. A nova Presidente está na frente de personalidades importantes, cono o presidente francês Nicolas Sarkozy e a Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. No ano passado, o presidente Lula ficou em 33º lugar na mesma lista.

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