A primeira grande expectativa sobre o governo Dilma Rousseff e o gabinete a ser constituído pela Presidenta é, sem dúvidas, a equipe econômica. Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento e Banco Central: quem vai compor o trio de ministros mais aguardado deste governo? A seguir, um apanhado do debate dos analistas do Portal Desenvolvimentistas sobre as possibilidades do novo gabinete.
A decisão final certamente cabe, em última instância, só à Presidenta-Eleita. Dilma já declarou que, independente de quem sejam os ministros escolhidos, ela vai controlar pessoalmente a política econômica brasileira. Além disso, a Presidenta também deu bastante ênfase ao critério técnico, que será exigido para a indicação dos ministros. Sabe-se também que Dilma tende a escolher pessoas que tenham boas relações pessoais com ela, para uma equipe mais próxima. Por outro lado, Dilma precisará conciliar com sua própria vontade a necessidade de respeitar o arranjo político dos dez partidos que se debatem por cargos no novo governo.
Luciano Coutinho, presidente do BNDES desde 2007, foi professor de Dilma na UNICAMP e tem muita afinidade com a Presidenta principalmente devido ao perfil desenvolvimentista e às várias oportunidades em que trabalharam juntos. Especialista em economia industrial, Coutinho defende que o governo conduza ativamente as políticas industriais do país. Pode ser beneficiado pela proximidade com Dilma, que tende a dar preferência a pessoas de um círculo mais próximo, mas pode faltar a iniciativa do PT para bancar o nome do economista à frente da pasta, considerando os embates partidários. “Haverá resistências a uma equipe econômica definida apenas pelo gosto de Dilma” explica o economista Gustavo Santos, “E essa é a grande fonte de imprevisibilidade: quanto a Dilma cederá às resistências contra seu perfil desenvolvimentista?” Há controvérsias sobre a pasta que Coutinho ocuparia, se a Presidência do Banco Central ou o Ministério da Fazenda. Os economistas descartam a nomeação para o Banco Central. “Não é seu perfil, e seu viés é fiscal-desenvolvimentista é pouco adequado para o BACEN. Além disso, a política é suficientemente conservadora para que Dilma e aliados não levem para o BACEN alguém que pode emitir sinais muito contraditórios”, explica.
Guido Mantega tem fortes possibilidades de continuar Ministro da Fazenda. Durante a crise econômica, principalmente em 2008, sua atuação rendeu vários elogios e, por isso, goza do respaldo forte do Presidente Lula. Após a eleição, Mantega apareceu próximo da Presidenta. Os dois foram à Ásia no mesmo avião, mas Dilma nega ter tratado sobre a permanência à frente da pasta. Já em Seoul, Guido disse confiar na meta da Presidenta de baixar juros e reduzir os gastos do governo. No entanto, Dilma tem algumas posições não tão próximas às do italiano. Em Seoul, ela considerou pouco cabível a sugestão de Mantega de substituir o dólar por uma cesta de moedas nas transações comerciais e reservas. Considerando o arranjo, Mantega pode tanto continuar na Fazenda como ser deslocado para uma outra pasta, como o Planejamento. Contrariando a corrente do continuísmo, Gustavo explica que essa pode não ser a escolha da Presidenta. Os analistas argumentaram que, se Mantega for retirado do Ministério da Fazenda, o mais provável é que ele deixe o governo.
A continuidade econômica não deve continuar no Banco Central. Nelson Barbosa, chefe da Secretaria de Poíltica Econômica, é um dos nomes que podem ser alçados à presidência do Banco. Ele também deu crédito ao objetivo anunciado pela Presidenta de reduzir a taxa de juros para 2% até o fim do mandato. Trabalhou com Dilma no planejamento econômico do PAC e do programa Minha Casa, Minha Vida. De acordo com os analistas, Dilma pode ser mais conservadora na escolha dos ministros. Eles afirmam que ela gostaria de trocar o comando da economia, mas pode ter receio das resistências do mercado e do meio político. Apesar disso, Meireles deve deixar o comando do Banco. As principais apostas para substituí-lo são Alexandre Tombini, Diretor de Normas do Banco, e Nelson Barbosa, que pode ser uma alternativa menos agressiva para o Bacen e que agrade à Dilma. Leandro Couto afirma que Nelson pode se beneficiar de um bom momento na imprensa para conseguir o cargo. “Considerando o seu papel na discussão da lei do pré-sal, não seria surpresa que conseguissem emplacá-lo,” explica o analista.
Além dos três ministérios, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, também entra na disputa dos principais nomes da gestão econômica do Brasil para 2011. Políticos de partidos que cresceram nesta eleição, como Ciro Gomes, do PSB, e Fernando Pimentel, do PT de Minas Gerais, podem ser trazidos para o Planalto. Entre os ministérios originais, além de Mantega, Paulo Bernardo também pode ser mantido.
Dois nomes considerados muito fortes para um futuro governo Dilma também podem ser usados nessa articulação: Antonio Palocci, coordenador da campanha e da transição, e Maria das Graças Foster, Secretária Nacional de Petróleo e Gás, são cotados principalmente para a Casa Civil. Apesar da possibilidade dessas nomeações, a Casa Civil pode perder prerrogativas institucionais, por exemplo, para a Secretaria Geral da Presidência e ao Ministério de Relações Institucionais.
Por fim, a política dos estados pode influenciar na escolha nacional. O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Paulo Tigre, pode chegar ao BNDES devido á proximidade que construiu com Dilma durante a campanha. São Paulo certamente enviará seus ministros. Aloísio Mercadante, do PT de São Paulo, por exemplo, é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Redação: Pedro Nogueira
Com Análises de Gustavo Santos, Leandro Couto e Ceci Juruá.


Faltam dois dias para o início da Cúpula do G20, em Seul, capital da Coréia do Sul. O presidente Lula vai levar a Presidenta-Eleita Dilma Rousseff para o encontro das lideranças das maiores economias do mundo. Dilma vai participar oficialmente do evento, a convite da Presidência Sul-Coreana do G20, apesar de só tomar posse no dia 1º de janeiro e, então, passar a substituir oficialmente o Presidente Lula nos encontros.