Brasil-EUA devem ratificar acordo de exploração do pré-sal

22 de outubro de 2013 at 1:18

Ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer afirma que a viagem da presidenta Dilma aos EUA servirá para sacramentar acordo de cooperação mútua entre Brasil-Estados Unidos, visando à exploração do pré-sal, e que teria como meta “assegurar um suprimento seguro de petróleo para o mundo ocidental”

 

 O professor Sauer, da USP, assegura que o acordo vem sendo costurado desde março de 2011, quando Obama e Dilma mantiveram encontro em  Brasília, na Confederação Nacional da Indústria. Além da pressão para explorar à toque de caixa o petróleo do pré-sal, faz parte da estratégia estadunidense avançar sobre a parte do Golfo do México que ainda está inexplorada.  O objetivo é aumentar a oferta de óleo no mercado mundial e forçar a baixa dos preços da OPEP. O pacote inclui, ainda, incrementar a exploração do gás de xisto.
O acordo entre Brasil e Estados Unidos é considerado pelo professor Sauer altamente prejudicial aos interesses do povo brasileiro:
“Nessa cadeia produtiva, de acordo com o que estão tramando,  todos vão se locupletar. O único prejudicado será o verdadeiro dono desse patrimônio, o povo brasileiro. Mais uma vez, forças encasteladas em palácios, no Congresso, corporações e a chamada grande mídia tramam para sabotar a soberania e os interesses nacionais” – afirma o professor.
O Brasil tem uma economia dependente, desde a colonização. O pré-sal poderia  nos redimir e reescrever essa história:
“Mas a presidenta Dilma escolheu hipotecar o futuro dos nossos descendentes e desonrar a tradição de luta dos nossos antepassados, que transformaram a Petrobrás na nossa mais significativa realização.” –  disse Sauer, durante  palestra promovida pela Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, no Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e que está  disponível, na íntegra, na TV Petroleira (www.tvpetroleira.tv )
Ildo Sauer considera “um crime de responsabildidade” leiloar o petróleo brasileiro sem sequer medir a quantidade de óleo contida no pré-sal, o que seria fácil quantificar, por meio de pesquisas:
“O Ministério do Planejamento e Gestão só faz a execução orçamentária. O planejamento não existe. O petróleo deveria ser retirado do pré-sal paulatinamente, a partir de um projeto de nação. Mas será entregue por qualquer bagatela, para atender a interesses eleitoreiros e fiscais imediatos e de forma submissa”.
A maior prova da submissão e da subserviência do governo brasileiro aos interesses estadunidenses – avalia o professor – será “a entrega de Libra e a proletarização da Petrobrás, em favor dos interesses do capitalismo financeiro internacional e nacional”.  Coincidentemente, o leilão de Libra será realizado dois dias antes do encontro entre Dilma e Obama, nos Estados Unidos. Estaria a presidenta prestando contas do “dever de casa”, antes do encontro que deverá sacramentar o grande negócio entre as partes?
Ildo Sauer não só apóia mas vê como única saída a realização de grandes manifestações de rua contra o criminoso leilão que se anuncia e os acordos lesivos aos brasileiros que caminham para se consolidar.

DILMA TAL E QUAL FHC

22 de outubro de 2013 at 1:07

  Franklin Douglas (*) 

Fernando Henrique Cardoso (FHC) governou o país de 1995 a 2002. Sua principal marca no plano econômico, nesse período, foi a privatização do patrimônio público. O maior destaque dessa sua política neoliberal foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a Vale.
Para garantir a qualquer custo que a privatização fosse a cabo, o governo FHC mobilizou fundos de pensão, articulou com empresas transnacionais, bancos e o grande capital. Vendeu a Vale no dia 06 de maio de 1997 por pouco mais de 3 bilhões e 300 milhões de reais, 19% de ágio em relação ao preço inicialmente colocado pelo governo para a venda. A Vale foi adquirida pelo consórcio liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), sob presidência de Benjamin Steinbruch.
O crime de lesa-pátria cometido por FHC comprovou-se em menos de dois anos: em 1999, a Vale deu um lucro de R$ 1,251 bilhão, o maior de sua história até então. De 1997 a 2010, o ferro aumentou sua valorização em quase 600%. Em 2010, a Vale fechou o ano com um lucro líquido de 30 bilhões de reais. Lucro extraído das riquezas naturais de nosso país direto para o bolso dos grandes capitalistas mundiais, aquele 1% que controla a riqueza gerada no mundo pelos 99% que vivem somente da venda de sua força de trabalho, ficando sem educação, saúde e transporte de qualidade, por exemplo.
Para garantir que o leilão fosse realizado, o tucano acionou Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CUT, UNE, petroleiros, movimentos sociais. À época, PT, PCdoB, PSB, Lula e até o PMDB de Sarney condenaram a venda: “O governo não podia fazer isso. Foi um erro histórico. O governo não podia fazer isso com o patrimônio do nosso povo”, choramingou José Sarney na Folha de São Paulo, em 07 de maio de 1997 (p. 16, Caderno Brasil).
A venda da Vale foi um golpe do tucanato neoliberal contra o país!
Pois eis que, 16 anos depois, a história se repete de forma trágica, coroando o adesismo do PT ao neoliberalismo tucano que tanto combateu. O governo Dilma privatizará nesta segunda-feira (21/10/2013) o campo petrolífero de Libra. O campo de Libra trata-se de nossa maior reserva de petróleo, estimada em 12 bilhões de barris, equivalente a 80% de todas as reservas de petróleo descobertas pela Petrobras. É o famoso petróleo da camada de pré-sal, estimado em US$ 1,5 trilhão!
Repito, cara leitora, caro leitor: um trilhão e meio de dólares. Dinheiro que daria suficientemente para suprir todas as demandas por saúde, educação, transporte e as demais bandeiras que levaram milhares de brasileiros às ruas nas Jornadas de Junho.
Para vender o nosso petróleo ao grande capital estrangeiro, Dilma acionou fundos de pensão, capital financeiro e… Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CSP Conlutas, ANEL, petroleiros e até mesmo a CUT, sempre disposta, nos tempos atuais, a aliviar com o governo petista.
Dilma não foi eleita para continuar a política de privatizações do governo tucano. Ao contrário, em sua propaganda para ganhar o voto do povo, em 2010, ela perguntava:
É justo alguém pensar em privatizar a Petrobrás e o Pré-Sal?
Respondia a candidata Dilma Roussef:
Desde já eu afirmo a minha posição. É um crime privatizar a Petrobras e o pré-sal. Falo isso porque, há poucos dias, o principal assessor do candidato Serra para a área de energia e ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo durante o governo FHC, defendeu a privatização do pré-sal. Isso seria um crime para o Brasil, pois o pré-sal é o nosso grande passaporte para o futuro! [...] Essa é a grande diferença entre nosso projeto de governo e o projeto da turma do contra: eles só pensam em vender o nosso patrimônio!” (Dilma Roussef, propaganda eleitoral em setembro de 2010).
E agora, “Presidenta” Dilma?
A venda do petróleo do pré-sal é um golpe do lulo-petismo neoliberal contra o país!
Em 1997, não se calaram contra o crime de lesa-pátria que foi a privatização da Vale nem PT, nem PCdoB, nem PSB, nem Lula, tampouco Sarney…
Contra a privatização do petróleo do pré-sal silenciam todos eles no plano nacional e seus aliados nos estados. Que têm a dizer sobre a privatização de nossas riquezas do pré-sal Luís Fernando, Roseana Sarney e seu PMDB? Washington Luís e seu PT? Flávio Dino e o seu PCdoB? O ex-tucano Roberto Rocha, no PSB?
Nada!
Dilma e seus aliados são tal e qual FHC e os seus. É como aquele famoso bordão da propaganda da vodca Orloff: eu sou você, amanhã!

(*) Franklin Douglas - jornalista, professor e doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve para o Jornal Pequeno aos domingos,  quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição de 20/10/2013, p.12)   Fonte: Ecos das Lutas

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