DILMA TAL E QUAL FHC

22 de outubro de 2013 at 1:07

  Franklin Douglas (*) 

Fernando Henrique Cardoso (FHC) governou o país de 1995 a 2002. Sua principal marca no plano econômico, nesse período, foi a privatização do patrimônio público. O maior destaque dessa sua política neoliberal foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a Vale.
Para garantir a qualquer custo que a privatização fosse a cabo, o governo FHC mobilizou fundos de pensão, articulou com empresas transnacionais, bancos e o grande capital. Vendeu a Vale no dia 06 de maio de 1997 por pouco mais de 3 bilhões e 300 milhões de reais, 19% de ágio em relação ao preço inicialmente colocado pelo governo para a venda. A Vale foi adquirida pelo consórcio liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), sob presidência de Benjamin Steinbruch.
O crime de lesa-pátria cometido por FHC comprovou-se em menos de dois anos: em 1999, a Vale deu um lucro de R$ 1,251 bilhão, o maior de sua história até então. De 1997 a 2010, o ferro aumentou sua valorização em quase 600%. Em 2010, a Vale fechou o ano com um lucro líquido de 30 bilhões de reais. Lucro extraído das riquezas naturais de nosso país direto para o bolso dos grandes capitalistas mundiais, aquele 1% que controla a riqueza gerada no mundo pelos 99% que vivem somente da venda de sua força de trabalho, ficando sem educação, saúde e transporte de qualidade, por exemplo.
Para garantir que o leilão fosse realizado, o tucano acionou Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CUT, UNE, petroleiros, movimentos sociais. À época, PT, PCdoB, PSB, Lula e até o PMDB de Sarney condenaram a venda: “O governo não podia fazer isso. Foi um erro histórico. O governo não podia fazer isso com o patrimônio do nosso povo”, choramingou José Sarney na Folha de São Paulo, em 07 de maio de 1997 (p. 16, Caderno Brasil).
A venda da Vale foi um golpe do tucanato neoliberal contra o país!
Pois eis que, 16 anos depois, a história se repete de forma trágica, coroando o adesismo do PT ao neoliberalismo tucano que tanto combateu. O governo Dilma privatizará nesta segunda-feira (21/10/2013) o campo petrolífero de Libra. O campo de Libra trata-se de nossa maior reserva de petróleo, estimada em 12 bilhões de barris, equivalente a 80% de todas as reservas de petróleo descobertas pela Petrobras. É o famoso petróleo da camada de pré-sal, estimado em US$ 1,5 trilhão!
Repito, cara leitora, caro leitor: um trilhão e meio de dólares. Dinheiro que daria suficientemente para suprir todas as demandas por saúde, educação, transporte e as demais bandeiras que levaram milhares de brasileiros às ruas nas Jornadas de Junho.
Para vender o nosso petróleo ao grande capital estrangeiro, Dilma acionou fundos de pensão, capital financeiro e… Exército, Polícia Militar e toda a força do Estado contra as mobilizações convocadas pela CSP Conlutas, ANEL, petroleiros e até mesmo a CUT, sempre disposta, nos tempos atuais, a aliviar com o governo petista.
Dilma não foi eleita para continuar a política de privatizações do governo tucano. Ao contrário, em sua propaganda para ganhar o voto do povo, em 2010, ela perguntava:
É justo alguém pensar em privatizar a Petrobrás e o Pré-Sal?
Respondia a candidata Dilma Roussef:
Desde já eu afirmo a minha posição. É um crime privatizar a Petrobras e o pré-sal. Falo isso porque, há poucos dias, o principal assessor do candidato Serra para a área de energia e ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo durante o governo FHC, defendeu a privatização do pré-sal. Isso seria um crime para o Brasil, pois o pré-sal é o nosso grande passaporte para o futuro! [...] Essa é a grande diferença entre nosso projeto de governo e o projeto da turma do contra: eles só pensam em vender o nosso patrimônio!” (Dilma Roussef, propaganda eleitoral em setembro de 2010).
E agora, “Presidenta” Dilma?
A venda do petróleo do pré-sal é um golpe do lulo-petismo neoliberal contra o país!
Em 1997, não se calaram contra o crime de lesa-pátria que foi a privatização da Vale nem PT, nem PCdoB, nem PSB, nem Lula, tampouco Sarney…
Contra a privatização do petróleo do pré-sal silenciam todos eles no plano nacional e seus aliados nos estados. Que têm a dizer sobre a privatização de nossas riquezas do pré-sal Luís Fernando, Roseana Sarney e seu PMDB? Washington Luís e seu PT? Flávio Dino e o seu PCdoB? O ex-tucano Roberto Rocha, no PSB?
Nada!
Dilma e seus aliados são tal e qual FHC e os seus. É como aquele famoso bordão da propaganda da vodca Orloff: eu sou você, amanhã!

(*) Franklin Douglas - jornalista, professor e doutorando em Políticas Públicas (UFMA), escreve para o Jornal Pequeno aos domingos,  quinzenalmente. Artigo publicado no Jornal Pequeno (edição de 20/10/2013, p.12)   Fonte: Ecos das Lutas

Tentando decifrar Dilma

10 de outubro de 2013 at 2:37

 

(Veiculado pelo Monitor Digital a partir de 9/9/13)

 

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

 

No momento atual, as decisões ou colocações de autoridades governamentais, em busca insana de satisfação do grande capital, se atropelam. Começaria lembrando que o ministro Edson Lobão acabou de decretar que o TCU não serve para nada e, portanto, sua decisão não precisa ser ouvida. De longa data, ele não ouve nenhuma reivindicação dos movimentos sociais, como bom representante da oligarquia maranhense.

A diretora Magda Chambriard, entrando na competição com o ministro, declara que a Petrobras não precisa ser beneficiada pela lei 12.351, que a impõe como operadora de todos os blocos do Pré-Sal com 30% de participação. Segundo ela, a Petrobras não tem “o problema número um das empresas de petróleo”, ou seja, a dificuldade de acesso às reservas. Esta afirmação pode ter outra interpretação, pois a dificuldade de acesso para a Petrobras significa mais chance para as multinacionais ganharem maiores participações nos blocos.

Especulo que, se Aécio ou Serra ganhassem as eleições de 2014, só para efeito de raciocínio, Lobão e Chambriard poderiam pleitear continuar nos cargos e teriam total apoio das empresas estrangeiras. Mas não devemos cometer, mais uma vez, o erro de demonizar autoridades de baixo escalão, enquanto o mandante fica com a reputação ilesa. Não existe a hipótese de Lobão e Chambriard terem feito o que fizeram sem ter a aprovação da presidente Dilma.

Então, a pergunta certa é por que a presidente Dilma quer leiloar Libra a qualquer custo? O leilão é desinteressante para a sociedade brasileira, mas há uma razão para a presidente cancelar este leilão sem nenhuma análise adicional. Ela própria, a Petrobras e o Brasil foram espionados pelos Estados Unidos, para que, dentre outras razões, empresas norte-americanas ganhassem concorrências no Brasil, o que atinge cada brasileiro. Trata-se de um desrespeito só imaginado para nações inimigas em tempo de guerra.

A cientista social Ana Esther Ceceña, do Instituto de Investigaciones Económicas do México, em trabalho para o II Fórum Social Mundial, afirma que: “após pesquisar em documentos do ‘Department of Defense’ (DoD) americano, os interesses vitais dos Estados Unidos, em torno dos quais se organiza toda a atividade deste Departamento, compreendem: (1) proteger a soberania, o território e a população dos Estados Unidos; (2) evitar a emergência de hegemones ou coalizões regionais hostis; …”.

Acredito que a ação de bisbilhotar dos norte-americanos visava também “evitar a emergência de hegemones”, no caso, de um hegemone ainda prematuro. Mas tenho a tese de que os próprios brasileiros estão desrespeitando o Brasil, porque não estão deixando claro para a governante brasileira que não gostaram das medidas protocolares tomadas. Eram necessárias medidas sérias, como suspender todos os leilões em que as empresas americanas estejam interessadas, reestatizar a Embratel, apressar o lançamento do satélite brasileiro e outras. Somos cidadãos de bem ou somos capachos subalternos? Formamos ou não formamos uma Nação? Se não agirmos com respeito a nós mesmos, não teremos condição de exigir que os Estados Unidos nos respeitem.

Isto tudo é óbvio. A presidente sabe de tudo e não fez o esperado, na minha visão. A grande pergunta é: por que? Você pode responder a esta pergunta, participando do jogo “Tentando decifrar Dilma”. Para tal, basta votar em uma das três hipóteses de reação da presidente aos acontecimentos recentes. Ou criar mais uma reação ainda não identificada.

Hipótese 1 – Para o bem estar social do brasileiro, não é tão importante entrar neste jogo de confronto. A questão da soberania é primordial, mas o mundo hoje é um barril de pólvora. Quando milhares morrem diariamente no Oriente Médio, vamos trazer para nós a discórdia e o confronto? O Brasil é um país de tradição não bélica. Não podemos tomar medidas drásticas contra os Estados Unidos, pois, afinal de contas, em que isto nos ajudaria neste momento? Vamos dar um crédito de confiança e esperar um pedido formal de desculpas. Tenho a garantia do presidente Obama de que ele cuidará pessoalmente de saber o que aconteceu e nos comunicará o resultado das averiguações. O importante é que a taxa de desemprego está baixa, a inflação está controlada, o câmbio, que andou assustando, voltou à normalidade, e os fundamentos macroeconômicos estão firmes. O PAC está caminhando. Os investimentos em infraestrutura ocorrerão com as concessões previstas. Isto criará um ambiente de negócios positivo no país. Também, as instituições democráticas estão funcionando, apesar de alguns percalços existirem.

Hipótese 2 – Este caso da espionagem dos Estados Unidos é seriíssimo e incompreensível. No entanto, sou uma governante responsável por 200 milhões de pessoas e não posso ter reações emocionais. Nossa correlação de forças, principalmente a militar, sugere reserva não amistosa. Entretanto, propostas surgidas, como o cancelamento do leilão de Libra e da compra de caças junto à empresa norte-americana, devem ser tomadas, até porque as concorrências foram contaminadas. Este ato norte-americano servirá para repensarmos toda nossa segurança e soberania nacional, e o posicionamento futuro no xadrez geopolítico mundial. É irrelevante um pedido formal de desculpas, até porque o ato é indesculpável. Enfim, repercussões no curto prazo serão só a suspensão das concorrências corrompidas. No médio prazo, devemos ter uma atuação mais soberana, buscando alianças de interesse para a nossa sociedade.

Hipótese 3 – O Brasil é um aliado estratégico dos Estados Unidos. O ocorrido não é o suficiente para arroubos nacionalistas, que irão comprometer a aliança histórica com nosso vizinho do norte. É claro que os Estados Unidos, visados como são, precisam se precaver, buscando se antecipar a ações terroristas. Vamos suplantar este momento de dificuldade, que é a coisa mais inteligente que se pode fazer. Recebi a informação do presidente Obama que houve excesso do pessoal de segurança deles e isto, em hipótese alguma, acontecerá de novo com o Brasil. Ele reconheceu que foi criado um sistema que fugiu ao controle do próprio presidente dos Estados Unidos. Ou seja, considero esta declaração como um pedido formal de desculpas. É bom lembrar que pedidos formais de desculpas são difíceis para qualquer país do mundo fazer. Não vou cancelar nenhum leilão ou compra internacional programada. Nossas empresas estão juntas em diversos empreendimentos, aliás, a contribuição das empresas deste país para nosso desenvolvimento é inegável. E precisamos continuar crescendo, sem abrir mão de qualquer contribuição, ainda mais sendo ela decisiva.

 

Blog do autor: http://www.paulometri.blogspot.com.br/

Dilma em xeque: soberania ou privatizar Libra

9 de outubro de 2013 at 21:10

No dia do 60º aniversário da Petrobras, especialistas cobram controle sobre riqueza

Ex-diretor da Petrobras e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Ildo Sauer cobrou que o Brasil precisa decidir se está do lado da regulação do ritmo da exploração do petróleo no mundo, “para manter o preço e usar essa riqueza para construir uma nova era, de mais justiça”, ou “entregar essa riqueza à exploração privada.” Sauer critica o leilão do Campo de Libra, marcado para dia 21.

Ao participar de evento comemorativo dos 60 anos da Petrobras, nesta quinta-feira, no Clube de Engenharia, no Rio, Sauer lembrou que, em 1960, 84% das reservas mundiais de petróleo estavam nas mãos de sete multinacionais do setor. “Após a criação da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), os Estados nacionais passaram ao controle das reservas”, lembrou o engenheiro, acrescentando que, “no centenário da Petrobras, não haverá petróleo, mas a empresa será ainda mais importante do que é atualmente para o Brasil”.

Guilherme Estrella, também ex-diretor da Petrobras e que chefiava a exploração de gás e petróleo quando foi anunciada a descoberta do pré-sal, também criticou o leilão de Libra.

“Petróleo é soberania e há pelo menos 10 bilhões de barris em Libra. Quando descobrimos grandes quantidades de petróleo no Iraque, o governo de lá argumentou que, mesmo o Brasil sendo uma nação amiga, o controle daquelas reservas passaria ao Estado iraquiano. Dilma deve suspender o leilão e abrir o tema para discussão com a sociedade, que não foi ouvida neste tema tão estratégico”, defendeu.

O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) defendeu que as reservas de Libra sejam “100% da Petrobras”. O deputado, porém, a exemplo de Estrella, disse que o governo petista devolveu à estatal o seu papel estratégico no desenvolvimento do país.

 

Fonte: Monitor Mercantil

Os Brasileiros exigem: “Dilma, cancele o leilão de Libra!”

8 de outubro de 2013 at 3:18

para o blog 1 (7)

 

Em 2010, enquanto candidata, a senhora afirmava:

“O pré-sal é o nosso passaporte para o futuro e entregá-lo é jogar dinheiro fora. O país precisa desse recurso.”

Então, por que, mesmo depois das denúncias de espionagem, da senhora e da Petrobrás, seu governo insiste em tirar o poço de Libra, que dobra nossas atuais reservas para 29 bilhões de barris, e que por direito natural e legal é da Petrobrás, para entregar para os espiões?

Diante de sua mudança, que ameaça está sofrendo?

Nós sabemos que:

1- O Brasil, antes de 1982, junto com o Japão, era um Campeão de Crescimento (média de 7% ao ano) que foi abatido, em pleno vôo, pela falta do Petróleo!

2- O Brasil, em 1982, quebra por não ter Petróleo e passa a ter baixo crescimento, até 2012 – média de 2,7% ao ano!

3- Em 1974, um ano após a crise do petróleo, a Petrobras acha o poço de Namorado, em mar aberto, na Bacia de Campos!

4- A Petrobrás, em 1984, produz 500 mil barris/dia, antecipando em um ano a meta de produção!

5- A Petrobrás, já nos anos 1990, era a detentora da tecnologia de perfuração em águas profundas até 2.000 metros!

6 – A Petrobrás, em 2007, descobre o Pré-Sal – extensas formações geológicas a 7.000 metros de profundidade, no litoral brasileiro – possivelmente com potencial de mais de 100 bilhões de barris. Agora o Brasil tem Petróleo!

7- A Petrobrás, em 2013, Campeã de exploração de águas profundas, já mapeou cerca de 60 bilhões de barris, que somados às nossas atuais reservas, de 14 bilhões de barris, já garantem, pelo que consumimos, autossuficiência para mais de 50 anos!

8- Até aqui a Petrobrás, com o seu trabalho, já garantiu ao povo brasileiro e às próximas gerações, uma quantidade de petróleo que assegura uma proteção às nossas necessidades financeiras externas!

9- A Petrobrás, por sua eficiência, garantirá às nossa reservas mais petróleo, um mineral que ainda será, por algumas décadas, considerado divisa líquida!

10 – No entanto, o Brasil de 2013, é o paraíso das oportunidades financeiras de curto prazo e, ainda, um campeão de desigualdade social!

Os Brasileiros perguntam: Presidenta Dilma, qual o motivo para não cancelar o leilão de Libra?

 

Retirado do blog do jornalista Rogério Lessa

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