Falsa surpresa, outra verdadeira e a revelação

Mino Carta

http://www.cartacapital.com.br/politica/falsa-surpresa-outra-verdadeira-e-a-revelacao

Registro neste derradeiro mês de 2010 uma falsa surpresa, outra verdadeira e uma revelação. A surpresa que não houve vem do WikiLeaks e é de amplo raio. O WikiLeaks­ demonstra apenas no plano mundial o baixo QI da diplomacia americana e, em perfeita afinação em relação ao Brasil, que os representantes de Tio Sam aqui sediados baseiam seus despachos na leitura de Veja, Estadão, Folha e Globo. Seria esta razão de espanto? De maneira alguma, está claro. E seria verificar que Washington, como informa o ­WikiLeaks, faz lobby contra a lei do pré-sal a favor das irmãs do petróleo?

O petróleo é deles? – Telegramas confidenciais remetidos pelos diplomatas americanos para o Departamento de Estado mostram profunda contrariedade diante das mudanças introduzidas pelo governo Lula nos sistemas de exploração do nosso petróleo. E surge em cena uma certa Patricia Pedral, diretora da Chevron no Brasil. Ela acusa o governo de fazer uso “político” do modelo, mas não perde as esperanças. “As regras sempre podem mudar depois”, teria afirmado, o que também implica confiança no poder de persuasão das irmãs petroleiras e do próprio Tio Sam. Os métodos deste poder são bastante conhecidos, passam pela chantagem e pelo tilintar dos dólares.
Surpresa? Nem pensar. Segundo dona Patricia, em novembro do ano passado ela teria recebido de José Serra a garantia de que, eleito, mudaria as regras. Não sei até que ponto dona Patricia é confiável. Pergunto, de todo modo: se a promessa de Serra existiu, cabe espanto? Obviamente, não. Eleito em lugar de Dilma Rousseff, ele faria a vontade da sua turma e da mídia nativa. O tucanato é assim mesmo. É do conhecimento até do mundo mineral que Fernando Henrique sonhou em privatizar a Petrobras até onde fosse possível. Difícil é imaginar que Serra presidente deixaria por menos. Vejam só do que nos livramos.

O escândalo é outro – Surpresa autêntica é proporcionada por um livro publicado, O Escândalo Daniel Dantas. Poderia ser da autoria dos advogados do banqueiro orelhudo, e não nos deixaria de queixo caído. Dá-se que quem escreve, e não há defensor de Dantas habilitado a realizar trabalho melhor, é um jornalista, Raymundo Rodrigues Pereira, de hábito empenhado em nobres causas, a me merecer desde sempre amizade como indivíduo e respeito como profissional.

Raymundo me presenteou recentemente com seu livro e com uma coletânea de ensaios sobre a obra de um criador de cinema que ambos admiramos, John Ford. Eu já estava informado a respeito do conteúdo de O Escândalo Daniel Dantas e cuidei de não lê-lo para evitar que ventos malignos soprassem entre o fígado e a alma. Disse apenas ao velho amigo e companheiro de algumas aventuras: “Concordamos quanto a Ford, discordamos quanto a Dantas”. No livro ele aponta Carta­Capital como uma publicação que perseguiu Dantas injustamente e eu fingi ignorar.

Na Folha de S.Paulo, de 10 de dezembro, entrevistado por Frederico Vasconcelos, ele volta à carga. Diz que por trás das reportagens publicadas contra o banqueiro do Opportunity – e no caso de CartaCapital, segundo ele teriam sido cem, número talvez exagerado, mas pouco importa – “estavam os fundos de pensão, a canadense TIW, a Telecom Italia e Luiz Roberto Demarco (ex-sócio de Dantas)”, conforme relata Vasconcelos. Ou, por outra: CartaCapital prestou-se a um jogo sujo, não se esclarece a que preço. Vale soletrar o contrário: o orelhudo, que assim chamamos por sua comprovadíssima obsessão no uso desbragado do grampo, tentou amansar CartaCapital por meio de polpudo contrato de publicidade, obviamente ineficaz. Que fazer, a gente não está à venda.

Não me permito ilações sobre as razões de Raymundo e até que ponto ele se dispôs a servir aos interesses de amigos chegados ao orelhudo. Diante da grave ofensa, cometida contra esta revista e vários honrados jornalistas, declaro meu suspanto, misto de susto e espanto, como diria o próprio Raymundo, desta vez entregue a um gênero de jornalismo que sequer posso classificar como de péssima qualidade. Não há dúvidas de que ele conversou longamente com seu herói e apaniguados. Não procurou, contudo, os vilões, os profissionais que ofende, a começar por Rubens Glasberg, dono de um arquivo completo a respeito de Dantas e suas façanhas.

Não há uma única, escassa reportagem de CartaCapital que não tenha sido baseada em documentos irrefutáveis para provar as inúmeras mazelas dantescas e as condenações que colecionou, em Cayman, em Nova York, em Londres, por uma corte internacional. E é muito estranho que jornalistas, mercenários segundo Raymundo, processados pelo orelhudo, cinco vezes Glasberg, duas vezes o acima assinado, incontáveis Paulo Henrique Amorim, tenham saído vencedores destes embates judiciários.

Papai Noel a risco – E agora a revelação, que devemos agradecer à revista Veja: Papai Noel existe. Trata-se de um milagre. Metido naquelas fartas roupas de lã, botas e capuz, arrastado para o trópico a bordo de um trenó puxado por renas à espera da neve impossível, ele resiste impávido ao nosso verão. Na minha infância, celebrava-se Jesus Menino, que, como todos, veio ao mundo nu. Em um Natal desses, Papai Noel bate literalmente as botas. Coisas de um país onde há quem gostaria de privatizar a Petrobras e acha DD um capitalista exemplar.

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A estratégia da AL para lidar com a Ásia

do Valor Econômico

A América Latina foi a terceira região, logo após a Europa do Leste e a Europa Ocidental, a embarcar em acordos preferenciais de comércio, ainda nos anos 50. Mais de meio século e muitas promessas e discursos depois, os países da região ainda ensaiam projetos de integração econômica. Enquanto isso, os países da Ásia reforçaram a complementaridade entre suas economias, ganharam competitividade, e são, hoje, vistos pelos países latino-americanos como ameaça aos produtores locais. Sobra na Ásia o que falta na América Latina: clareza sobre os motivos para acordos preferenciais de comércio. É o que aponta o economista Renato Baumann, especialista em temas latino-americanos.

Até recentemente representante da Cepal para o Brasil, Baumann, hoje no Banco Mundial, publica em breve, seu estudo “Regional Trade and Growth in Asia and Latin America: the Importance of Productive Complementarity” (Comércio Regional e Crescimento na Ásia e na América Latina: a Importância da Complementariedade Produtiva) , onde explicita as diferenças nos processos de integração comercial das duas regiões, e indica o que teria de mudar nas estratégias latino-americanas para se beneficiarem das lições do êxito asiático.

Uma das lições, aliás, é olhar com cuidado esse “êxito”, que não está isento de críticas. Assim como no México com suas maquiladoras, a Ásia, que se tornou uma máquina exportadora, enfrenta problemas de concentração da atividade industrial voltada à exportação em poucas sub-regiões, e dúvidas sobre o real efeito de distribuição de riqueza nos países onde é inquestionável o crescimento econômico trazido pela integração das indústrias dos diversos países.

Um dos problemas do processo de integração comercial na América Latina, diz Baumann, é o fato de que ele é impulsionado principalmente por motivações políticas, visto como sinônimo de integração regional e dependente da assinatura de tratados formais. Baumann lembra que há evidências de que fatores como infraestrutura apropriada e conveniente clima de negócios são mais importantes para fomentar laços comerciais que a assinatura de acordos formais.

Não é possível simplesmente imitar o modelo asiático

Um fator importante para o êxito asiático, segundo Baumann, é a grande proporção de bens intermediários e de capital (máquinas e equipamentos) no comércio entre os países da região. Boa parte das receitas obtidas com a exportação, de bens finais ou intermediários, é usada para a importação de mercadorias da própria região, onde países como a China, o Japão, a Índia e a Coreia servem de “eixo” para um conjunto de outros países asiáticos, alguns dos quais rapidamente adquiriram capacidade industrial e tecnológica para atuar como fornecedores nas fragmentadas cadeias de produção regionais.

Na América Latina não é tão notável esse “multiplicador regional”, em que os ganhos de alguns países com exportação servem para impulsionar compras em outros da mesma região. Atualmente, os países latino-americanos enfrentam ainda outro obstáculo à integração comercial, acredita Baumann: defendidos por interesses políticos, governamentais, os acordos de integração não têm, como no passado, um objetivo muito claro, do ponto de vista dos agentes econômicos envolvidos.

Nos anos 50 e 60, lembra o economista, a integração regional era vista como uma estratégia para facilitar a industrialização e reagir à deterioração dos termos de troca dos países menos desenvolvidos. Nos anos 80, a abertura foi considerada uma forma de estimular o comércio e a ocupação de capacidade industrial; nos anos 90, uma maneira de estimular competitividade e combater pressões inflacionárias. Com o atual cenário de livre movimentação de capitais e oscilações nas cotações das moedas, a falta de resultados das últimas décadas só reduz a disposição dos agentes econômicos em fazer concessões para ampliar a integração comercial.

Para o economista, a simples imitação do modelo asiático não se aplica à América Latina, dadas as diferenças entre as duas regiões – os asiáticos mais dotados de mão de obra barata; os latino-americanos ricos em recursos naturais, por exemplo. Estratégias para estimular a competitividade latino-americana devem ser baseadas menos na produção de bens intensivos em trabalho e mais em recursos naturais e progresso tecnológico.

É a Ásia, integrada, e não somente a China, o grande competidor internacional, mostra o trabalho de Baumann. A integração econômica, como aponta o exemplo asiático, é também desejável para a América Latina, como maneira de aumentar a competitividade da região. Mas vencer ceticismo e resistências exigirá mudanças, como deixar de ver os acordos bilaterais como mera oportunidade de acesso ao mercado dos parceiros, e mirar a associação para alcançar terceiros mercados e enfrentar competidores de fora da região.

Serão necessárias também medidas de apoio aos países mais atrasados e, sobretudo, enfatizar o aspecto econômico-comercial dos acordos, em vez de ceder à tentação de diluí-los em vagos, ainda que meritórios, propósitos políticos e culturais.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras

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Frases memoráveis da grande imprensa sobre o governo Lula

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.”  (Paulo Henrique Amorim)

Retirado de http://frasesdadilma.wordpress.com/partido-da-imprensa-golpista/frases-nesses-8-anos/

 

Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. [... Ela] foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim.” (Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo)

Comentário: Embora a mídia jogasse a responsabilidade pela a tragédia no Governo Lula, o acidente foi causado por falha humana.

 

A adversária com que sonham todos os candidatos do mundo“. (Augusto Nunes, título de post no site da “Veja” 7/2/2010)

Comentário: Dilma virou o pesadelo do Serra.

 

“Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil.” (Boris Casoy, “Folha de S. Paulo”, 28 de março de 2006)

Comentário: Parte da grande imprensa tentou usar o escândalo do mensalão para golpear o Governo Lula

 

Duzentas pessoas estão mortas. Elas devem ser somadas às 154 vidas segadas no Boeing da Gol que colidiu com o jato Legacy. Balanço terrível do caos da aviação: 354 vítimas da incompetência, da corrupção, da omissão e do desgoverno.” ”O presidente é o responsável” (Carlos Alberto Di Franco)

Comentário: Carlos Alberto Di Franco testando uma hipótese? No fim das contas, se provou que o desligamento do transponder pelos pilotos no jato Legacy ocasionou o acidente.

 

“A provável reeleição de Lula é sinal de que, para boa parte dos brasileiros, a ética e a honestidade definitivamente deixaram de ser valores em si mesmas, para tornarem-se qualidades subjetivas.” (Cora Rónai, em 28 de setembro de 2006)

Comentário: A frase demonstra como alguns veículos da mídia não suportam o jogo democrático, muito menos respeitar o voto soberano e o povo brasileiro.

 

“O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada.” (Folha de S. Paulo sobre a ficha falsa do DOPS sobre Dilma Rousseff)

Comentário: Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Bicho Papão e ET de Varginha. A autenticidade desses personagens não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada.

 

“Serra foi atingido, sim, por uma bobina de papel crepe (o tal ‘artefato’) que, arremessado com força, pode provocar danos graves na pessoa atingida.” (Merval Pereira, em 24 de outubro de 2010)

Comentário: O fato é que José Serra foi atingido somente uma vez e por uma bolinha de papel, contrariando a versão do candidato, e de parte da imprensa.

 

“Gripe [suína] pode afetar até 67 milhões no Brasil em até oito semanas. [...] De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados.”Helio Schwartzmann, em matéria na “Folha de S. Paulo” 19/7/2009)

Comentário: Documentário estrangeiro (legendado) mostra o quão golpista foi essa ”Operação Pandemia”

 

Vocês viram essa? Lula, ao deixar a Presidência, quer escrever de vez em quando. Sim, vocês leram direito: escrever” (Ricardo Setti, Veja, 28 de outubro de 2010)

Comentário: Silvio Santos (empresário), Bill Gates (empresário – Microsoft), Michael Dell (empresário – Dell) e Steve Jobs (empresário – Apple) não cursaram ensino superior. Por que será que falam tanto do Lula

 

“A chamada política nacional dos direitos humanos do governo Lula põe fim à liberdade de expressão e opinião dos meios de comunicação e de pesquisa científica. Ainda dá um chute no balde de nossa galinha dos ovos de ouro, o agronegócio. Comparadas com isso aí, as reformas de base de João Goulart que levaram os militares ao poder em 64 é café pequeno, mas hoje o presidente assina sem ler, a oposição também não lê e os militares, bem, alguém sabe por onde anda os militares?” (José Nêumanne Pinto, SBT)

Comentário: Por um momento pensei que Nêumanne estivesse convocando um golpe militar.

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Conferencia da ONU de Cancún sobre mudanças climáticas : farsa ou sucesso ? Duas visões contrastantes

 
 A farsa de Cancún
 

Luiz Pinguelli Rosa, para O Globo

 
Voltei da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Cancún, convencido de que seus resultados foram medíocres. Na conferência permaneceu o impasse entre os países desenvolvidos, que queriam o fim do Protocolo de Kyoto, já que muitos não o estão cumprindo, e o conjunto dos países em desenvolvimento, destacando-se China e Índia pelo crescimento do consumo de combustíveis, embora muito baixo per capita. Para o meu espanto, de um dia para o outro a conferência apareceu como um evento exitoso, de acordo com declarações publicadas na mídia internacional e nacional. Resolvi então verificar se algo importante tinha escapado do meu conhecimento, mas ao ler as resoluções finais mantive a mesma opinião: nada há a comemorar. O verniz aplicado para dar à conferência a aparência de sucesso na 25ª hora deve-se ao fato de ter sido bloqueada a definição do 2º período de compromisso do Protocolo de Kyoto. Isso era tudo o que queriam os países mais ricos incluídos no Anexo I da Convenção de Mudanças Climáticas, de acordo com o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada, estabelecido na Rio 92. Na reunião de Cancún, o Brasil e o Reino Unido foram incumbidos de fazer consultas aos representantes dos países sobre o novo período de compromisso do Protocolo de Kyoto. Ouvi por duas vezes da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que conduziu as consultas pessoalmente com apoio do Itamarati, uma avaliação com certo otimismo, embora alertando que o Japão ameaçava sair do Protocolo seguindo o mau exemplo dos Estados Unidos, que jamais o ratificou. O Canadá caminhava no mesmo sentido. Em entrevista, no fim do evento, a própria ministra deu uma nota medíocre à Conferência: 7,5. 

Na reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, poucas semanas antes de Cancún, o presidente Lula declarou que no encontro com chefes de Estado do mundo inteiro na Conferência do Clima de 2010, em Copenhague, os países ricos queriam tão somente acabar com o compromisso de Kyoto. A intervenção de Lula anunciando as metas voluntárias do Brasil e cobrando ações dos países desenvolvidos contribuiu para abortar o enterro de Kyoto em Copenhague. 

No México foram aprovadas medidas pontuais como um Fundo Verde, o financiamento pelos países desenvolvidos para mitigação e adaptação e compensações pela redução de desmatamento. Embora se reitere o limite de 2º C no aumento da temperatura global até o fim do século, não se estabeleceu como isso pode ser obtido, pois nenhuma meta foi definida. Ficou para ser deliberado na conferência da África do Sul, em 2011. 

O fracasso de Cancún transformado em êxito parece um fenômeno psicossocial em que todos se convencem de que algo ocorreu sem que isso retrate a realidade dos fatos. Me fez lembrar uma peça de Eugene Ionesco, na qual um rinoceronte aparece em uma cidadezinha e, sem lógica alguma, todos vão adquirindo as feições de rinoceronte. Foi assim que muitos voltaram do México, como os rinocerontes de Ionesco, repetindo que a conferência foi um êxito. 

LUIZ PINGUELLI ROSA é diretor da Coppe/UFRJ e secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. 

COP 16 vira um sucesso e aprova fundo bilionário 
 
Domingos Fernandes, para o Blog do Zé Dirceu 

Surpreendendo as grandes estrelas da política mundial, que deliberadamente se ausentaram de Cancún, a Conferência da ONU recém terminada no último dia 10 do corrente mês de dezembro, foi um sucesso político e até financeiro.
 
Diferente de Copenhague-Dinamarca na COP-15, realizada há exatos dozes meses, ou um ano, onde o esforço de muitos, sobretudo do presidente Lula, o resultado dessa vez foi um sucesso absoluto. Naquele então as mesmas estrelas agora ausentes, com Obama a frente fizeram muito jogo de cena, mas com a falta de parcimônia dos USA e China, o documento final e nada diziam quase a mesma coisa: promessas.
 
Patrícia Espinosa, presidente da COP 16 e Ministra das Relações Exteriores do México, com habilidade ímpar conseguiu o que todos duvidavam. Nas palavras oficiais do Greenpeace “… pela primeira vez em anos, os governos colocaram de lado grandes diferenças e se comprometeram a alcançar um acordo climático…” O movimento ambientalista, que fez a palavra ONG se tornar conhecida na linguagem política, quando elogia, é porque algo de concreto acontece.
 
Com o único óbice da Bolívia foi assinado o documento (194 países) que reconhece a necessidade de cortar as emissões para limitar a elevação da temperatura a 2º C. Prevê também o documento ser feita uma revisão desse objetivo para o limite de 1.5º C. A análise deve começar em 2013 e ser concluída no máximo em 2015.
 
Decidiu-se também, e isso é pragmaticamente o mais importante, formar um Fundo Verde, administrado pela ONU, cujo tesoureiro interino será o Banco Mundial pelo menos por três anos. Inicialmente esse Fundo Verde, será formado por 30 bilhões de dólares até 2012. Os países industrializados terão de mobilizar a seguir 100 bilhões de dólares por ano, a partir de 2012 até 2020 para atender as necessidades dos países em desenvolvimento.
 
A prioridade do uso do fundo vai em direção aos países mais vulneráveis, como as nações-ilhas e países da África. Por último o documento estabelece o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) que visa compensar os países emergentes que preservam suas florestas, como Brasil, Indonésia e Congo que juntos detém quase 80% das florestas tropicais do planeta. Há que lembrar sobre as florestas que 2011 é oficialmente pela ONU o Ano Internacional das Florestas, e nosso país poderá sediar diversos eventos já que a Amazônia legal (quase 70% é brasileira) é a estrela mundial desse assunto.
 
As Centrais Sindicais da America Latina, cada vez mais presentes nos eventos internacionais ligados a variável ambiental, dessa vez muito prestigiadas conseguiram incluir no documento final da COP 16 (ainda sendo finalizado) a expressão “transição justa” e “trabalho decente” e de boa qualidade, campanhas da CSI – Confederação Sindical Internacional e da OIT – Organização Internacional do Trabalho.
 
A COP 17, a realizar-se na África do Sul em dezembro de 2011 acontecerá na esteira das decisões de Cancún e preparando a ECO-2012 a realizar-se no Brasil, na Cidade do Rio de Janeiro em junho de 2012.
 
Domingos Fernandes, economista e consultor ambiental da União Geral dos Trabalhadores – UGT, é presidente do IBED – Instituto Brasileiro de Eco-Desenvolvimento e foi outrora fundador nacional do PDT e mais recentemente do Partido Verde

 

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A equipe de Dilma, finalmente montada

Por Alexandre Porto, no blog do Alê

Enfim, a equipe que Dilma levará para seu governo já está formada, a novela acabou. Como era de se esperar está sendo alvo de críticas da imprensa e até na própria base aliada. Por sinal hoje li no editorial da Folha de S. Paulo que o ministério atende ao fisiologismo dos e ao mesmo tempo desagrada os partidos. Afirmações que carregam certo ar de contradição. Se as escolhas desagradaram alguns partidos, significa que Dilma soube resistir pelo menos em parte aos interesses meramente partidários.

Eu mesmo tenho algumas críticas. Considero politicamente desequilibrado, com peso demasiado ao PT e pouco atendimento aos pleitos do PSB, partido que desde 1989 se coloca ao lado do PT no plano nacional. Gostaria de ver Ciro Gomes no primeiro escalão, numa pasta de peso. Acredito que se Dilma dessa mais poder ao chamado Bloquinho (formado informalmente desde 2007 por PSB, PCdoB, PDT e PR), poderia contrapor a influência do PMDB no governo. No varejo lamento algumas indicações justamente do PMDB, que escolheu nomes de pouca expressão política, além de outros incluídos apenas para satisfazer a partilha entre tendências internas do PT. Comemorei especialmente a escolha de Maria Lúcia Falcon para o ministério do Desenvolvimento Agrário, mas acabou sendo trocada por um deputado da Democracia Socialista (DS)

O ministério está longe de ser unanimidade e é bom que não seja. Nomes aqui ou ali desagradaram diferentes setores da sociedade, inclusive na relação regional. Amigos cariocas reclamam de Moreira Franco, nordestinos de Pedro Novais, nortistas de Alfredo Nascimento. Todos temos nossas preferências pessoais, mas devemos entender o ministério como um todo, levando em conta os compromissos políticos-eleitorais assumidos em campanha.

Mas algumas críticas são injustas.

Ministério indicado por Lula? Ora, eu prefiro questionar se o ministério de Lula não era uma indicação de Dilma, já que ela era a verdadeira gerente do trabalho dos ministros. É um governo de continuidade e ninguém melhor que Dilma para avaliar quem está comprometido com a sua agenda administrativa. E esse talvez seja a maior qualidade dessa equipe, principalmente nos postos chaves, do chamado Núcleo Duro e das áreas econômica e social, nos quais ela teve total autonomia de escolha. Trata-se de uma equipe afinada, com experiência administrativa e respaldo nos setores da sociedade.

Muitos petistas não gostam de Antônio Palocci, principalmente por sua passagem supostamente ‘neoliberal’ na pasta da Fazenda.

Eu discordo, mas ainda devemos considerar que ele não terá controle da economia. A Casa Civil com Dilma assume tarefas que se encaixam perfeitamente ao perfil de Palocci. Por outro lado, os nomes escolhidos para equipe econômica mostram uma unidade não vista com Lula. Na área Social, Alexandre Padilha na Saúde, Fernando Haddad na Educação e Tereza Campelo no Desenvolvimento Social, garantem a continuidade e os avanços que já estão na agenda.

Alguns jornais, por exemplo, lamentam a ausência das ‘estrelas’ que Lula se viu tentado a escolher em 2003. Mas lá, o presidente precisava dar sinais ao mercado de que comandaria o país com responsabilidade. Hoje, oito anos depois, essa garantia é desnecessária. O que Dilma precisa é ter ministros politicamente apoiados, que montem equipes tecnicamente competentes e comprometidas com a gestão progressista. Pra mim importa menos se o ministro de Minas e Energia é Edson Lobão e mais se nas estatais e autarquias serão mantidos os técnicos que estão lá desde que Dilma comandou a pasta. Podemos não gostar da figura política, mas não podemos negar que Lobão tem experiência administrativa e no caso dele, garante apoio que Dilma precisa.

Tenho especiais expectativas com Aloízio Mercadante na Ciência e Tecnologia, Tereza Campello no MDS, Fernando Pimentel na Indústria e Comércio, Paulo Bernardo nas Comunicações e Izabella Teixeira no Meio Ambiente. São áreas que recebem ministros com perfis diferentes dos que estavam no final do mandato de Lula. Sinceramente aprovo todas essas escolhas entendendo que darão um novo gás a pastas que já avançaram muito.

Ao contrário do que se tenta vender, Dilma montou, com algumas exceções, um ministério com a sua cara, com seus amigos, seus companheiros de governo e uma agenda pronta para avançar. Não é o ministério nem dos meus sonhos, nem da oposição e muito menos da imprensa. Ainda bem, nós não fomos eleitos.

(clique na tabela para conferir a relação de ministros)

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O debate sobre a refundação do PSDB

Maria Inês Nassif

Do Valor Econômico (23/12/2010):

 Numa democracia, as crises políticas normalmente trazem o germe da renovação, sob pena de colocar em risco a própria democracia. A crise dos partidos oposicionistas, intensificada por mais uma eleição perdida, certamente resultará em uma rearrumação do quadro partidário ou “refundação” interna, conforme pregam setores do PSDB – até porque não existe democracia sem oposição.

Os partidários da “refundação” do PSDB, no debate que tentam travar internamente via imprensa, dão um diagnóstico preliminar das sucessivas derrotas. As críticas vão desde a guinada do PSDB à direita, num momento em que parte do eleitorado da classe média estava desesperançado do PT, mas uma massa maior ascendia à nova classe média graças ao governo petista, até a desvinculação histórica do partido com o movimento sindical e os movimentos sociais. Nesse debate, pode se depreender também uma crítica à hegemonia paulista do partido – mas, mais do que isso, uma crítica ao grupo hegemônico do PSDB paulista até as eleições deste ano.

Como o PSDB é um partido de quadros, no entanto, tende a individualizar culpas e transferir hegemonias não para grupos ideológicos internos, mas para líderes que, na opinião da maioria, possam substituir os anteriores com mais eficiência. Embora esteja claro o diagnóstico da pouca organicidade do partido, a falta de familiaridade com mecanismos internos de debate ideológico tende a valorizar mais as culpas individuais do que coletivas – embora a centralização de decisões nas mãos de determinados líderes, em especial paulistas, tenha sido efetivamente um dos problemas que levaram o partido a essa crise.

Crises políticas trazem o germe da renovação

A outra dificuldade de mudar uma estrutura inorgânica são os problemas de trânsito do debate na própria máquina partidária. O PSDB, ao que parece, tenta a “refundação” por linhas tortas, ao manter a discussão de fora para dentro. Nos últimos 20 anos, o partido tem terceirizado a ofensiva política para a mídia tradicional, que desempenhou um papel importante não só de ação oposicionista, mas até de estruturação ideológica. A guinada do PSDB para a direita foi uma opção de suas lideranças internas que tinham nas mãos as regras do jogo, mas foi também uma estratégia de tentativa de sensibilização da opinião pública via mídia tradicional, ou seja, “terceirizada” a outro intelectual orgânico. A mídia supriu as deficiências de organicidade do partido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso e nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva. É certo que essa tática terá fôlego mais curto no governo Dilma Rousseff, pelos desgastes acumulados ao longo das últimas duas décadas e pela concorrência com novas mídias, que cumpriram também um papel político nessas eleições.

Internalizar o debate e tirá-lo do jogo de mediação entre os dois aparelhos privados de ideologia – partido e mídia – é um dos passos obrigatórios para a refundação do PSDB. A sedimentação de uma massa orgânica tem que acontecer internamente. A mídia pode reportar esse debate, trazer elementos para ele, mas é incapaz, pela sua própria natureza, de suprir deficiências organizacionais da legenda, nem substituir as relações de um partido com os setores sociais que ele representa. Embora essas duas militâncias sejam complementares em períodos eleitorais ou nos momentos de grande ofensiva oposicionista, elas não se misturam quando a questão é a formulação de consensos internos e consolidação de unidade partidária.

A outra razão para o PSDB voltar-se para si mesmo, sem terceirizar ação política, é que o resultado da eleição exigirá muita elaboração intelectual e orgânica interna para superar as contradições que trazem os resultados eleitorais. O PSDB elegeu um grande número de governadores – pela natureza do federalismo brasileiro, pouco propensos à ação oposicionista – e uma bancada reduzida na Câmara e no Senado. A ação parlamentar da oposição, nos governos Lula, foi alimentada pela mídia, mas esteve fundada nos poderes que a bancada oposicionista tinha para criar fatos dentro do parlamento. Com número reduzido de parlamentares, a oposição tem também um espaço reduzido para produzir fatos políticos.

O PSDB tem que sair da ofensiva tática, que marca o partido desde 2003, para a formulação de estratégias de sobrevivência como partido. A ofensiva udenista pura e simples não resolverá isso. Até agora, ela tem substituído as discussões de conteúdo e suprido as indefinições ideológicas do partido. Depois da terceira derrota, a agremiação terá que resolver claramente o que é, quem representa e qual a sua proposta para o país. Apenas assim conseguirá se constituir uma alternativa de poder de fato.

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Emocionado, Lula participa de seu último natal com catadores como presidente

Encontro foi realizado em São Paulo e contou com a presença de Dilma

José Henrique Lopes, do R7
 
Respeitando uma tradição que já leva oito anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (23), a exemplo do que fez desde que chegou ao Palácio do Planalto, da festa de Natal dos catadores de papel e material reciclável. O evento, realizado em São Paulo, contou este ano também com a presença da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Emocionado desde o início do evento, Lula ouviu agradecimentos dos catadores e de representantes da população de rua, que celebraram a melhora de suas condições de vida nos últimos oito anos.

A coordenadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Maria Lucia Santos, lembrou que o presidente olhou com “sensibilidade” para grupos que até então eram ignorados e pareciam ser “invisíveis”.

- O coração da população de rua está repleto de gratidão ao senhor.

Matilde Ramos, uma catadora que vive em Ourinhos, cidade do interior paulista, discursou em seguida e lembrou que, graças a uma lei em vigor desde 2006, hoje as prefeituras municipais podem fechar contratos com cooperativas de catadores.

- Há 20 anos, vivíamos no lixo, mas hoje, graças ao convênio com a prefeitura e ao senhor, estou sendo paga pelo meu serviço.

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Diálogos Desenvolvimentistas: “Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”

Leandro Aguiar

No seu melhor estilo “dirigente de time de futebol”, o governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), perguntou aos jornalistas durante a coletiva de imprensa, realizada no dia 14 de dezembro: “quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”. O misto de pergunta e confissão deixou atônitos os repórteres, e repercutiu por todo o país. 

Não é de hoje que o governador polemiza em torno do tema. Em um passado recente, ele afirmou que a favela da Rocinha é uma “fábrica de marginais”, devido às altas taxas de fertilidade da região, que segundo o governador se aproximam dos níveis do continente africano (na verdade, não chega a atingir a metade).

Talvez o governador do Rio não tenha, afinal, a mesma facilidade e elegância com as palavras que o seu pai, o jornalista fundador d´Pasquim Sérgio Cabral. Mas é quase consenso entre os participantes dos Diálogos Desenvolvimentistas que o governador tocou num ponto importante, e que além de truculento ele também foi corajoso, por defender tão abertamente sua posição frente o aborto. Acompanhe os principais lances da conversa:

As mulheres deveriam reagir e protestar. É uma frase machista e desumana. E uma demonstração que o aborto interessa mais aos homens que às mulheres.”   

Ceci Juruá, Economista

 acho que ele foi grosseiro e demonstrou ser machista (pela forma como falou), porém, em termos de conteúdo, acho que ele foi muito corajoso, tendo em vista como foram as eleições deste ano. Foi um dos primeiros políticos de cargo majoritário que eu vi defenderem a legalização do aborto por motivos de saúde pública.”

“Certamente o aborto além da perda da vida do bebê é altamente prejudicial à saúde da mulher e à sua própria fertilidade. É algo realmente traumático e negativo.
Planejamento familiar e métodos contraceptivos devem ser a grande política. Mas deve-se observar que há casos e casos. Não acho correto uma visão religiosa doutrinária da questão virar lei rígida”

Gustavo Santos, Economista

 Cadê a pílula e a camisinha? Depois quem vai se dar mal é a mulher, pois o seu organismo que sofre uma agressão enorme. E as feministas não enxergam isto, pois por melhor que seja o acompanhamento da mulher, sempre terá um estrago.”

Ronaldo Abreu

 Um obstáculo importante (à legalização do aborto) é a posição dogmática da Igreja Católica sobre o tema. Vale lembrar que somos um país laico, e deste modo não submetidos a nenhum poder religioso.”

A lei protege a vida. Aparentemente é o caso. Mas pensemos melhor. Quando começa a vida? Na concepção? Quando órgãos fundamentais começam a funcionar, como o coração? Ou quando o cérebro começar a exercer seu papel?”

Leonardo Quaresma

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Diálogos desenvolvimentistas: O marco regulatório do petróleo no governo Dilma

Leandro Aguiar

O presidente Lula enviou ao congresso, em setembro de 2009, quatro projetos de lei referentes à exploração do pré sal. Em síntese, eles prevêem a instituição do novo marco regulatório do petróleo, substituindo as leis de concessão da era FHC. Depois de mais de um ano de discussões, os projetos foram finalmente aprovados.

Os dois primeiros itens do novo marco regulatório foram logo apreciados e aprovados pelo congresso. Eles dizem respeito à proposta de capitalização da Petrobrás (que foi realizada com sucesso em junho desse ano) e a criação de uma estatal que represente a União nos consórcios que vão gerir a exploração de petróleo e gás no pré sal.

Já o 3º e 4º itens da agenda só foram aprovados no início de dezembro. São eles que garantem o regime de partilha, entre os estados da federação, nas futuras rodadas de licitação promovidas pela ANP. Ainda, eles prevêem a participação mínima da Petrobras de 30% nos novos consórcios, além de estabelecer a criação do Fundo Social do pré sal, poupança pública que será destinada a desenvolver políticas sociais.

No entanto, alguns poucos –mas fundamentais- detalhes ainda estão sob discussão, e devem ser decididos já no final deste mês. Foram esses pontos que instigaram o Diálogo dos Desenvolvimentistas. Acompanhe as principais aspas:

“Faltou dizer: o projeto de lei 5938, que muda a concessão para partilha, trouxe avanços em relação à lei FHC, ainda vigente, que dava 100% do petróleo a quem produzisse. Ocorre que, pelas pressões do IBP sobre o congresso, os relatores na Câmara e no Senado introduziram emendas que devolvem, em petróleo, os royalties para o consorcio produtor. Com isto, o nosso contrato de partilha se torna o pior do mundo. A emenda Simon foi feita para impedir isto. Pois é justamente ela que está sendo cogitada para o veto do Governo. Ou seja, o Governo Lula é induzido a vetar uma emenda nacionalista em favor de uma emenda entreguista.”

“O Henrique Alves deu três versões para a sua incrível emenda: foi pedido do Governo; foi pedido da Petrobrás e foi até da Aepet. Três versões só podem ser três mentiras. A que diz que foi a Aepet é gritante. Fico com a (versão) do wikileaks.”

“Lula/Dilma melhorou muito as coisas. O que reduziu a melhora das propostas foi a emenda entreguista do Henrique Alves/Romero Jucá. Mesmo assim ainda ficou de longe, muito melhor que a lei FHC”

“Mas é a emenda Simon, a salvadora da Pátria, que é demonizada. A emenda do IBP intermediada por Henrique Alves e Romero Jucá, que entrega o País, nem sequer é mencionada. Se Lula vetar Simon estará dando vida à emenda entreguista. e o País perderá mais de US$ 30 bilhões por ano, a partir de 2020, quando o pré-sal deslanchar.”

(Fernando Siqueira, Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Aepet)

“Acho fundamental não confundir a posição que interessa ao Estado e ao povo brasileiro com a posição que interessa à Petrobras. São coisas muito distintas.”

“A emenda do H E Alves é contabilmente lógica, mas é absurda, porque ela implica, na prática, a extinção do royalty, porque algo que você recebe e depois tem que devolver é algo que não existe.”

(Fonte oculta, não quis ser identificada)

“A importância que o pré-sal tem para as petrolíferas americanas e os Estados Unidos foi desnudada (pelos arquivos vazados pela WikiLeaks). Inclusive, é mostrado como eles atuaram no nosso Congresso para que o contrato de partilha proposto pelo governo Lula não fosse aprovado, o que faria com que a lei das concessões da era FHC permanecesse em vigor. Por isso, a conclusão rápida que se pode tirar é que o contrato de partilha deve ser melhor para a sociedade brasileira que as concessões.”

(Paulo Metri, conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros)

“O governo Lula é um amontoado de interesses conflitantes que, ora atende às carências seculares, ora aprofunda as desigualdades de renda. Tenho sérias dúvidas sobre o saldo dessa salada.”

“E o “pré-sal” do setor elétrico? Esse nem precisa perfurar nada! A fortuna está disponível acima do nível do mar! E, pasme, ao contrário do pré-sal original… Não há debate… Nem com a recente negativa da ANEEL de devolver o custo extra ao consumidor!Custos fixos que foram inflados! Inacreditável!”

(Roberto Pereira, engenheiro eletricista)

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WikiLeaks: Serra ia entregar pré-sal à exploração norte-americana

13/12/2010 13:41, Por Redação, com colaboradores – de São Paulo

As petroleiras norte-americanas contavam com o apoio do candidato derrotado à Presidência da República José Serra para não se submeter às novas regras definidas no marco de exploração de petróleo na camada pré-sal que o governo aprovou no Congresso. A Chevron chegou a ouvir do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), quando estava à frente da presidente eleita, Dilma Rousseff, a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse. A revelação está em um telegrama diplomático dos EUA, datado de dezembro de 2009, e vazado pelo site WikiLeaks.

“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro. O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.

A executiva da Chevron relatou a conversa com Serra ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio. O cônsul Dennis Hearne repassou as informações no despacho “A indústria do petróleo conseguirá derrubar a lei do pré-sal?”.

O governo alterou o modelo de exploração –que desde 1997 era baseado em concessões–, obrigando a partilha da produção das novas reservas. A Petrobras tem de ser parceira em todos os consórcios de exploração e é operadora exclusiva dos campos. A regra foi aprovada na Câmara este mês.

O diário conservador paulistano Folha de S. Paulo teve acesso e divulgou os seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks. Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora chefe” também é relatado com preocupação.

O consultado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional. Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque “o PMDB precisa de uma companhia”.

Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA, na época da descoberta do pré-sal, causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.

Fonte: http://correiodobrasil.com.br/wikileaks-serra-ia-entregar-pre-sal-a-exploracao-norte-americana/196092

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