Diálogos Desenvolvimentistas: os royalty da mineração

Leandro Aguiar

Royaltie, do inglês Royal, significa “aquilo que pertence ao rei”. Hoje, é o termo usado para designar a importância paga ao detentor de um território na extração de recursos naturais, ou na exploração das potencialidades de um produto patenteado.

No caso da extração de recursos naturais, o detentor (normalmente o próprio Estado) recebe uma porcentagem pré-fixada dos lucros obtidos pela empresa responsável na extração. A idéia é que essa margem funcione como uma espécie de compensação financeira às localidades afetadas por essas atividades.

O que se têm discutido atualmente é se os royalty pagos pelas mineradoras realmente estão funcionando como uma forma de compensação, ou se os valores são apenas simbólicos, baixos demais quando comparados aos danos que a extração causa às regiões das minas. No presente, o royaltie da mineração no Brasil corresponde a 2% do da receita bruta das mineradoras, enquanto as petrolíferas pagam, por exemplo, 10% (Leia o artigo de Luiz Begazo).

A discussão, obedecendo a definição da palavra, está polarizada: de um lado, prefeitos e governadores querem o aumento de no mínimo 2% dos royalty, sob a alegação de que esse dinheiro seria usado na melhoria da qualidade de vida da população. Do outro, as mineradores dizem que uma elevação nos valores comprometeria a competitividade do minério brasileiro no exterior. O Desenvolvimentistas analisou essa questão, e, de um modo geral, todos concordam que o aumento das alíquotas é imperativo.

O analista Márcio Oliveira considera a elevação dos impostos por exportação de minério bruto e dos royalties como o mínimo a ser feito. Essas mudanças, segundo ele, devem ser realizadas já no novo Código de Mineração. Fernando Siqueira, presidente da AEPET, também enxerga o aumento como urgente.

O advogado Sergio P. Botinha explica como a Vale, maior exploradora de minério do Brasil, se vale de um malabarismo fiscal para fugir de impostos e royalty:

“a Vale do Rio Doce paga royalty e tributos sobre o valor fiscal de venda do minério (muito abaixo do preço real da venda). A Vale vende seu minério para a China através de subsidiárias localizadas em off-shores. O Governo evita o transfer-pricing (venda de produtos da empresa nacional para uma empresa do próprio grupo no exterior a preços irreais, ganhando assim vantagens tributárias, já que a venda real para o destino é efetivada pela empresa em off-shore, que paga menos tributos) com um ajuste presumido de adicionais 15% no valor declarado ao fisco. Esse ajuste de 15% é fictício.”

O economista Gustavo Santos também concorda que os 2% de royalties representa pouco, e lembra que a exportação de minério é livre de ICMS, IPI e ISS, entre outros, e, portanto, o argumento das mineradoras de que um aumento nos royalty as tornariam pouco competitivas, não é válido. Mas ele chama a atenção para um vício da política brasileira: como a Vale é o maior financiador de campanhas políticas no Brasil, tem muito respaldo no congresso… E dificilmente esse panorama será modificado.

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Mineração x petróleo. Os royalties nossos de cada dia

Luiz Begazo

Publicado no Valor Econômico de 07/01/2011:

Muito tem se falado nos últimos meses a respeito de um inevitável aumento dos royalties da mineração. Em palestra no 14º School of Mines, realizado no Rio de Janeiro, o analista sênior de mineração do Santander Research, Felipe Reis, destaca que o cenário mais provável é de alta, seguindo a tendência internacional. Na Austrália, já houve um aumento de 30%; no Chile, está em exame no congresso um reajuste de 4% para 9% dos royalties cobrados das mineradoras privadas.
Em matéria publicada no Valor, Anderson Cabido, prefeito de Congonhas, cidade histórica de Minas Gerais, reforça essa posição e afirma ser injusta a alíquota dos royalties do minério, equivalente a 2% sobre o lucro líquido das companhias mineradoras, enquanto a alíquota do royalty do petróleo é de 10% sobre o faturamento bruto das petroleiras. Cabido, que também está à frente da Associação Nacional dos Municípios Mineradores (ANMM), oferece como exemplo dessa injustiça o fato da cidade de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, ter recebido R$ 1,1 bilhão em royalties do petróleo em 2009, enquanto todos os municípios mineradores do país terem apurado juntos R$ 1,08 bilhão em royalties do minério.

Apesar de usar a alíquota de 10% do petróleo como paradigma de um inevitável aumento dos royalties do minério, Cabido não pleiteia um tratamento igualitário para ambos os produtos minerais, petróleo e minério. A proposta dos prefeitos é de um aumento de 2% a 4% da receita bruta da mineração, e não de 2% para 10%, como seria coerente, segundo seu raciocínio comparativo entre petróleo e minério.

Na outra ponta desse debate encontram-se as mineradoras, que defendem a manutenção em 2% dos royalties da mineração, sob alegação de que um aumento poderia comprometer a competitividade do minério brasileiro no exterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o problema não é isoladamente a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, ou royalty do minério, mas o total dos tributos que incidem sobre os minérios, cuja exportação, a propósito, é isenta de ICMS.

A exploração petrolífera ocorre a quilômetros da costa, já a mineral engole montanhas, assoreia rios e seca nascentes

Tamanho ativismo de ambas as partes, a favor ou contra o aumento dos royalties da mineração, parece ignorar aspectos importantes que impactam diretamente na população dos Estados e municípios produtores. Primeiramente, deve-se observar que a mineração é um setor de enorme rentabilidade.

No Brasil, as duas principais empresas de exploração de recursos naturais, petróleo e minério de ferro, são, respectivamente, a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) e a Cia. Vale S/A (Vale). No período de janeiro a setembro de 2010, o lucro líquido da Petrobras foi de R$ 24,588 bilhões, enquanto o da Vale foi de R$ 20,068 bilhões. Levando-se em consideração que a Petrobras ainda exerce quase um monopólio na produção de petróleo e gás natural e que a Vale é responsável por cerca de 40% do valor da produção mineral brasileira, conclui-se que o lucro líquido do setor de mineração é superior ao lucro líquido do setor de petróleo e gás natural.

O descompasso entre os royalties do petróleo e os do minério fica ainda mais evidente se considerarmos o fato de que a exploração petrolífera ocorre a quilômetros da costa e distante das populações que vivem no continente, enquanto a exploração mineral engole montanhas, seca nascentes, assoreia rios, destrói estradas com seus caminhões cada vez maiores e mais pesados, e requer uma infraestrutura maior nas regiões minerais.

Esse descompasso demonstra claramente que a tese a ser defendida é de um tratamento igualitário entre petróleo e minério, com a equiparação dos royalties desses bens naturais não renováveis, que são regidos pelo mesmo artigo 20 da Constituição.

Outro aspecto importante a ser observado é o fato de que com tamanha rentabilidade, dificilmente um aumento, digamos, de 2% para 10% da alíquota dos royalties do minério, comprometeria a competitividade do minério brasileiro. Afinal, para abastecer os seus carros a população paga uma das gasolinas mais caras do mundo, um dos metros quadrados mais caros do mundo na hora de comprar um imóvel, assim como na hora de adquirir um veículo ou o pão nosso de cada dia. Portanto, seria improvável que as prósperas mineradoras teriam dificuldade em arcar com um royalty do minério reajustado para um patamar semelhante ao do petróleo, que ainda assim não seria o royalty mineral mais alto entre os paises produtores.

A boa notícia para as mineradoras está no dividendo social que esse aumento dos royalties do minério proporcionará à sociedade em geral, e aos Estados e municípios mineradores em particular. Após décadas como meros expectadores do que acontece em seu subsolo, esses estados e municípios finalmente terão a oportunidade de obter algo que faça jus à sigla CFEM, ou seja, uma Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais que realmente signifique uma compensação adequada, e contribua efetivamente para uma merecida melhoria da qualidade de vida da população desses Estados e municípios.

Luiz Begazo é cineasta e presidente da Colonial Brazil Corporation. E-mail: colonialbrazil@terra.com.br

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Bíblia, crucifixo e moda. A Folha surtou

Por Altamiro Borges


A Folha pirou de vez. Num único dia, neste domingo (9), o jornal da famiglia Frias publicou duas matérias ridículas. Com chamada de capa e título escandaloso – “Bíblia e crucifixo são retirados do gabinete de Dilma no Planalto” –, noticiou que “em sua primeira semana, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede. Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas”.


O monstruoso factóide, que visa instigar preconceitos religiosos junto à parcela mais tacanha dos seus leitores, não se sustentou por alguns minutos. Graças a quatro curtas mensagens no Twitter, a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social (Secom), desmontou as três mentiras grotescas.


1- “Pessoal, só esclarecendo: a presidenta Dilma não tirou o crucifixo da parede de seu gabinete. A peça é do ex-presidente Lula e foi na mudança”.


2- “Aliás, o crucifixo, que Lula ganhou de um amigo no início do governo, é de origem portuguesa. Mais: Dilma também não tirou a bíblia do gabinete”.


3- “A bíblia está na sala contígua, em cima de uma mesa – onde, por sinal, a presidenta já a encontrou ao chegar ao Planalto”.


4- “Um último detalhe: embora goste de trabalhar com laptop, a presidenta não mudou o computador da mesa de trabalho. Continua sendo um desktop”.


Dilma ameaça a moda brasileira


Na mesma edição, Alcino Leite Neto, editor da Publifolha, garante que “look da presidente põe em xeque projeto de prêt-à-porter brasileiro de prestígio” – um alerta da mais alta relevância para a soberania nacional. Após destacar que “ter uma mulher na presidência é uma espécie de revolução”, ele dá uma recaída para os piores mexericos, para mais pura futilidade. Critica Dilma Rousseff pela “decisão que tomou de vestir na posse uma roupa feita por uma costureira particular pouco conhecida, e não um modelo criado por algum dos principais criadores ou grifes brasileiros”.


O grande patriota teoriza que “a escolha de Dilma representa um baque para as marcas nacionais de moda. Há décadas, estilistas e empresários vêm se empenhando em criar um prêt-à-porter brasileiro de prestígio, nos moldes do que ocorreu na França, na Itália e nos EUA… Não é à toa que Michelle Obama elege cautelosamente a grife americana que vai vesti-la em eventos expressivos. O mesmo faz Carla Bruni, ao selecionar seus trajes entre as famosas ‘maisons’ francesas… É certo que Dilma optou por uma roupa brasileira, feita com toda dignidade pela gaúcha Luisa Stadtlander. Agindo assim, entretanto, acabou por colocar em xeque a relevância das grifes nacionais de prêt-à-porter e de luxo”.

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Passaporte: Estadão desmoraliza a Folha

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/01/passaporte-estadao-desmoraliza-folha.html

Por Altamiro Borges

A Folha inventou mais um factóide para arranhar a alta popularidade de Lula e, de quebra, criar constrangimentos para Dilma Rousseff bem no início do seu governo. Ela deu manchetes para a “grave” concessão de passaportes diplomáticos aos filhos do ex-presidente. Todo dia ela bate bumbo com este assunto “altamente relevante”. Mas este escárceu todo é ridículo e, como tal, foi desmoralizado pelo concorrente Estadão.

Reportagem de Denise Madueño e Leandro Colon revela que a emissão destes passaportes é um fato corriqueiro há muito tempo. E não beneficia apenas os filhos de Lula, como a Folha insinua maldosamente – com objetivos políticos, de oposicionista hidrófoba. Outros ex-presidentes também tem esse direito, além de deputados e seus parentes.

Emissão de 360 passaportes

Segundo a reportagem, “pelo menos dois terços dos passaportes especiais solicitados pela Câmara dos Deputados ao Itamaraty, entre esta sexta-feira, 7, e fevereiro de 2009, foram para mulheres, maridos e filhos dos parlamentares. E cerca de 87% dos vistos internacionais para esses documentos tiveram motivação turística, segundo dados da Segunda Secretaria da Câmara, responsável por essa tarefa”.

“Quem tem esse documento recebe privilégios em aeroportos, como filas e atendimentos especiais, prioridade em bagagens e, dependendo do país, fica até dispensado da necessidade de tirar visto… O balanço da Câmara mostra que cerca de 360 passaportes diplomáticos foram emitidos nestes últimos dois anos… De acordo com os dados, pelo menos 125 passaportes foram emitidos para filhos e 110 para cônjuges”.

Guerra queimou a língua

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra – que fugiu da disputa pela reeleição ao Senado em Pernambuco, mas adora posar de jagunço -, emitiu uma nota com duras críticas ao ex-presidente na esteira do factóide da Folha. Ele devia ser mais cuidadoso com sua língua ferina. O registro da Segunda Secretaria mostra que, no dia 21 de dezembro do ano passado, o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO) mandou o ofício 250/2010 pedindo passaporte diplomático e visto para ele, a mulher e três filhos viajarem para Miami.

Parlamentares de vários outros partidos também gozam deste privilégio. “Em julho de 2010, a Segunda Secretaria providenciou passaportes diplomáticos para dois filhos de Ratinho Júnior (PSC-PR) viajarem a ‘turismo’, segundo a Câmara, para Miami”. A legislação para emissão de passaporte diplomático é vinculada ao decreto 5.978/2006 e garante este direito aos membros do Congresso e seus dependentes. O benefício pode até ser impopular, mas é legal – o que confirma a baixaria da Folha.

Tratamento diferenciado e seletivo

O curioso é que esse mesmo jornal, de propriedade da Famíglia Frias, nunca foi atrás das várias denúncias envolvendo o ex-presidente FHC. Alguns dos seus colunistas, até pelas relações íntimas que mantêm com o tucano, conheciam as denúncias, mas sempre o trataram como um “princípe da Sorbonne” acima de qualquer suspeita. No seu ranço de classe, preferem criticar o peão Lula, que tira suas férias em quartéis no litoral brasileiro, do que falar mal do aristocrático FHC, que sempre viajou para a Europa.

Como observou Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, a cobertura sobre factóide do passaporte especial – que a Folha detonou e, na dobradinha orquestrada, a TV Globo amplificou – é totalmente distorcida. Ela só engana os ingênuos, metidos a puristas. O tratamento diferenciado dados aos dois ex-presidentes só confirma a manipulação.

A mídia “jamais incomodou FHC com a história do filho ilegítimo que gerou com uma jornalista da Globo… As encrencas de outros filhos de FHC, os assumidos por ele, jamais chegaram tão rápido ao noticiário. Só em 2009, oito anos depois de o tucano deixar o poder, a mídia soltou notinhas sobre Luciana Cardoso, que recebia salários do Senado sem aparecer por lá para trabalhar”, afirma, indignado, Eduardo Guimarães.

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A marcha da insensatez da política norte-americana

Por alfredo machado

Nassif:

O assassinato à luz do dia da deputada americana do Partido Democrata, Gabrielle Giffords, provocou imediatamente uma reação compreensivelmente direcionada à republicana quase vice Sarah Palin.

Assim como ocorreu aqui, o partido sem discurso, por lá o de situação e por aqui o de oposição, a escolha do vice para a chapa foi dramática – por lá, o candidato John McCain carregou o fardo da herança maldita dos oito anos de Bush Jr. com o mesmo discurso do derrotado graças a Deus tupiniquim, “eu sei como fazer” era a resposta que o herói de guerra tinha na ponta da língua, quando perguntado sobre como pretendia resolver os sérios problemas que já envolviam o seu país, e como nenhum político mostrava-se disposto a embarcar naquela canoa furada, restou ao partido republicano procurar algum desavisado para fazer o papel de candidato a vice, e assim chegou à governadora do distante Alasca, uma ex-repórter e ex-miss que demonstrou não ter nada na cabeça desde o primeiro momento, característica que poderia combinar com o seu estado, mas jamais com o país.

Em função dos seus comentários ridículos, um autêntico febeapá yankee, os republicanos tiveram muito trabalho para ensinar à desmiolada como se comportar em rede nacional, tarefa que se mostrou inglória, mas de grande utilidade para os falcões, que viram naquela mentecapta, assim como já tinham feito com o relapso e incompetente Bushinho, a oportunidade de retomar o governo com um boneco (neste caso, uma tremenda de uma Barbie) na presidência daquele país, e através da alucinada que tudo desconhece, fazer o que quiserem e bem entenderem durante quatro ou mais anos.   

O advento do Tea Party demonstra alimentar esta estratégia inconsequente, a atuação da grande mídia não fica atrás (não é exclusividade tupiniquim), com destaque para um Ralph Murdoch a contratar $$ políticos republicanos para colunas semanais em seus jornais e, assim, levar adiante uma implacável campanha anti-governo que teve seu início no primeiro dia de trabalho de Barack Obama, onde até as falsas dúvidas prosperaram – se por aqui foi a “ficha da Dilma”, por lá foi “Obama é africano” e sei lá mais o quê, campanha sórdida. 

Após dois anos de um governo democrata aquém das expectativas, e recentemente tendo recuperado o poder no Congresso, o partido republicano demonstra permanecer no trilho imaginado, dando à aprendiz de louca grande visibilidade na mídia para deixá-la em condições para a próxima campanha presidencial.

Caso consigam desvincular SPalin e sua lista sinistra deste lamentável ataque ocorrido ontem( tarefa difícil, mas não impossível para os falcões), o mundo poderá assistir, a partir de janeiro de 2013, a um espetáculo semelhante a um circo dos horrores, com aquele robô desgovernado sentado no Salão Oval a cumprir ordens que, como já vimos recentemente, podem trazer problemas incontornáveis para a comunidade internacional.

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Novo governo do Brasil ‘mostra os dentes’ com medidas cambiais, diz ‘FT’

da BBC Brasil

O novo governo de Dilma Rousseff ‘mostrou os dentes’ em suas ameaças de agir para proteger a competitividade de sua indústria de base das flutuações cambiais com as medidas anunciadas na quinta-feira para controlar a apreciação do real, afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

Na quinta-feira, o real caiu pelo terceiro dia consecutivo diante do dólar, após o Banco Central anunciar que os bancos terão que manter maiores reservas na moeda americana, sem remuneração, se apostarem na valorização do real.

O assunto foi elevado à principal manchete do Financial Times, sob o título “Brasil parte para o controle da elevação da moeda”, e também foi tratado em outros dois textos dentro do jornal.

“As medidas, com o objetivo de interromper a valorização ainda maior do real, mostram os dentes da ameaça do novo governo da presidente Dilma Rousseff de que o Brasil agirá para proteger a competitividade de sua indústria doméstica de base de flutuações na taxa de câmbio”, diz.

O FT observa que, segundo o BC, “os controles, que deverão afetar principalmente bancos comerciais domésticos, têm como objetivo melhorar o funcionamento do mercado de câmbio e a redução das posições vendidas (compromisso de venda futura com a aposta na queda do dólar) no sistema, que em dezembro alcançaram US$ 16,8 bilhões”.

“O novo governo assumiu há menos de uma semana e não perdeu tempo em elevar sua retórica sobre o real”, afirma o jornal, que observa que a apreciação do real em 36% frente ao dólar nos últimos dois anos ajudou a reduzir a competitividade das indústrias brasileiras.

“Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou sua preocupação de que o Brasil estava sofrendo danos colaterais do que ele vem chamando de uma ‘guerra cambial’ global provocada pela manipulação das taxas de câmbio pelos governos”, diz o FT.

‘Guerra cambial’

O jornal observa que a medida anunciada pelo Banco Central segue a decisão do Chile, anunciada também nesta semana, de intervir nos mercados de câmbio para conter a valorização do peso.

Segundo o FT, investidores advertiram de que as ações tomadas pelo Brasil, primeiro país a advertir no ano passado sobre os perigos de uma “guerra cambial”, devem ser seguidas por outros países emergentes.

“Apesar de os participantes do mercado dizerem que as medidas globais para conter a apreciação das moedas estrangeiras não terem sido drásticas até agora, muitos países tomaram ações para evitar que suas economias sejam desestabilizadas por rápidas incursões de capital em busca de altos retornos”, diz o jornal.

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Diálogos Desenvolvimentistas: Deus foi brasileiro no governo Lula?

Leandro Aguiar

Em artigo à Folha de São Paulo, intitulado “Deus foi brasileiro no governo Lula”, o economista Luiz Carlos Bresser analisou os oito anos do PT no comando do país.

O ex-ministro é bastante ponderado no seu exame, e apesar da sugestão do título, reverberada por grande parte da imprensa brasileira, ele não credita apenas a sorte o sucesso do governo Lula, como pode se perceber no trecho a seguir:

“Não devemos, portanto, subestimar os méritos de Lula. Ele soube ajudar a sua sorte. Fez um bom governo. Um governo de centro-esquerda que beneficiou os pobres (reduziu seu número para a metade) e a burocracia pública, mas, ao contrário do que dizia o consenso hegemônico, não trouxe inflação nem prejudicou o crescimento. Um governo que não temeu desagradar os ricos. Que foi fiscalmente responsável, exceto no último ano. Que reagiu bem diante da crise financeira global de 2008 não obstante o atraso do Banco Central em baixar os juros.”

Sensato, Bresser não foi só elogios ao governo. Tratou também de relativizar alguns pontos do discurso de Lula. Ele não acredita que o PT tenha recebido uma “herança maldita” de FHC, e, em mesma medida, não concorda que Lula deixou uma “herança bendita” para Dilma. Ele chama atenção, por exemplo, para a questão do câmbio sobrevalorizado, tema deixado sem solução pelo ex-presidente.   

O Desenvolvimentistas fez sua leitura do artigo, as opiniões foram bastante diversas.

A economista Landes concorda com Bresser em alguma medida, mas acredita ser cedo ainda para avaliar corretamente a “era Lula”, já que, nas palavras dela, a “história é dinâmica e faz-se necessário deixar as coisas acontecerem”. O funcionário aposentado do BNDES, Márcio Tavares, é mais incisivo na crítica, e apesar de ter achado o artigo razoável, questiona duramente o título “Deus foi brasileiro no governo Lula”, por acreditar que ele diminui a importância das decisões de Lula, transferindo para “o auxílio divino, e não a competência” os méritos do bom governo, na paráfrase do Márcio. 

Rodrigo Medeiros,  professor adjunto da UFES e sócio da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), espera que Dilma seja mais arrojada no manejo da política econômica, embora ele não esteja muito esperançoso, devido a atual valorização do real e da expectativa de que o Banco Central eleve a taxa básica de juros.  Landes é de mesma opinião, e afirmou que a escolha da nova equipe econômica não o agradou. Ou seja, ambos concordam com Bresser, no que concerne a questão do câmbio sobrevalorizado.

Já a economista Ceci Juruá afirma com convicção que sentirá saudades do governo Lula. Ainda, rebate a crítica de Marcio Tavares ao título:

“política é o campo das relações humanas e das alianças por afinidades múltiplas e não exclusivamente racionais.  Competência também é uma qualidade que não se adquire apenas na escola ou na universidade.  A crença em Deus, na sorte ou no destino, por exemplo, multiplica competências em dimensão incalculável.”

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Battisti disparou contra o médico Diego Fava e tentou matar o juiz Luigi De Liguor. Miracolo, atribuem à sobrevivência

Da Carta Capital

Wálter Maierovitch 6 de janeiro de 2011 às 18:25h

–1. As revistas semanais italianas chegarão às bancas na próxima sexta-feira e com o “Caso Battisti” tratado como matéria central.

O leitores irão encontrar relatos, testemunhos, transcrições de peças processuais,  além de comentários sobre a decisão do presidente Lula de não conceder a extradição. Isto por entender que Battisti não ficaria seguro na Itália e teria a integridade física sob risco.

Matérias jornalísticas mostrarão que nenhum dos que estiveram presos em cárceres italianos, por participações em fatos eversivos consumados nos anos 70, correram riscos, sofreram atentados ou  perseguições.

Dois exemplos:

(1) Sérgio Segio, líder da organização Prima Línea ( matou mais do que todas as outras organizações terroristas, incluídas  as Brigadas Vermelhas), é cineasta premiado e escritor de sucesso, depois de cumprir 8 anos em regime fechado.

Sérgio Segi matou, em janeiro de 1979, o  juiz Emilio Alessandrini. Isto logo depois do juiz ter deixado o seu pequeno filho de 5 anos no colégio.

Alessandrini era juiz de instrução nos casos de terrorismo e não tinha escolta à sua disposição.

(2) Giuseppe Memmeo, que formava dupla com Battisti para assassinar e disparar contra as pernas de operários de fábricas ligados ao Partico Comunista Italiano (–PCI, eurocomunista e contra a linha marxista de Moscou–), está em liberdade condicional há mais de dez anos e presta servições comunitários. Memmeo trabalha em programas de assistência a usuários de drogas proibidas.

E a pergunta que não cala na Itália: quem mentiu a Lula sobre perseguições e atentados?

Mais ainda, Lula não sabia que apenas dois condenados estão em regime fechado e  isto porque recentemente extraditados.

Numa decisão humanitária decorrente de acordo formal entre os presidentes Giorgio Napolino (Itália) e Nicolas Sarkozy (França), a terrorista Marina Petrella (com câncer terminal e 37 kg de peso em face da doença), deixou de ser extraditada.

Petrella, ao contrário de Battisti, nunca renegou sua escolha. E nunca pediu desculpa às famílias das vítimas que o seu grupo assassinou.

Por outro lado, o médico Diego Fava sobreviveu por sorte. Battisti colocou o cano de uma pistola contra a sua cabeça. Acionou o gatilho algumas vezes e a arma falhou. Distante, Roberto Silvi, que dava cobertura a Battisti, realizou três disparos contra o corpo do médico Fava, que, gravemente ferido, conseguiu sobreviver.

Fava, sem qualquer hesitação, reconheceu Battisti como a pessoa que encostou a arma na sua cabeça e acionou o gatilho algumas vezes.

O juiz Luigi De Liguori, como conta à revista Panorama que estará nas bancas na sexta-feira, saiu ileso do atentado comandado por Battisti, com pistolas automáticas e metralhadoras russas kalashnikov.

Battisti e Arrigo Cavallina armaram e colocaram em prática um plano para assassinar De Ligouri, juiz encarregado, em Milão, de apreciar acusações contra terroristas.

Em Milão, Battisti ficou à espera do juiz na parte térrea da residência onde o magistrado vivia com a mulher e dois filhos, à via Padova. Um dos membros do grupo, Maurizio Follini, apelidado “Corto Maltese”, foi parado na estrada Torino-Milão e se atrasou em chegar à via Padova.

Por pensar que a polícia havia descoberto o plano e prendido Follini, o grupo de execução dos chamados “inimigos do proletariados”, com Battisti à frente, fugiu com a chegada do juiz De Ligouri, sob escolta de três homens.

Para De Ligouri,  72 anos,  aposentado e residente na pequena cidade de Salento (província de Lecce): – “Mi sento um miracolato, uno che è sopravissuto per caso” (sinto-me um agraciado por milagre, uma pessoa que sobreviveu por acaso).

–2. PANO RÁPIDO. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu, em longa entrevista à londrina BBC, o acerto da decisão de Lula.

Cardozo é do grupo petista liderado por Tarso Genro.

O ministro Cardozo, como o general Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, bate-cabeça com a presidente Dilma Roussef.

A presidente Dilma é favorável à extradição.

Cardozo, não quer a extradição de Battisti e defende o acerto da decisão de Lula.

Para o ministro Cardozo, Dilma erra.

Viva o Brasil.

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Wikileaks: Tony Palocci queria a ALCA

Bem que o Bessinha podia trocar as cores das pantufas

Retirado do Conversa Afiada, de PHA

 

Saiu na Folha (*), pág. A7:

“Críticos minaram diplomacia comercial do Brasil com os EUA.”

“Estratégia do Itamaraty foi atacada em contatos com americanos … ”

“Defensores da ALCA acenaram aos EUA com a chance de reativar as negociações em 2005, quando o então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aproveitou um encontro de Lula com o Secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, para debater a idéia.”

“Segundo os americanos, (Tony – PHA) Palocci ‘se ofereceu (sic) para liderar (sic) um esforço para dar novo impulso às negociações’ e levar (sic) o Itamaraty a ‘uma postura mais proativa (sic)’. Lula ‘desconversou’, indicando que não tinha interesse.”

Quer dizer, então, que, depois do Nelson Johnbim, temos agora o ministro Tony Palocci.

Dois que espinafram a política externa brasileira para autoridades americanas.

Papelão, hein ?

Como o Celso Amorim deve ter sofrido, nas mãos do Tony e do Johnbim.

A ALCA, como se sabe, foi uma tentativa americana de unir as Américas, sob a liderança americana.

Era a criação de um Commonwealth do Império Americano.

A tentativa começou com Bush, o pai, tomou outro formato com Clinton, e Bush, o filho, tentou ressuscitá-la.

O principal objetivo sempre foi botar o Brasil – o maior país da América Latina – debaixo do guarda-chuva americano.

Outro grande da America Latina, o México, já estava devidamente abrigado sob o guarda-chuva do Nafta.

E deu no que deu.

O PiG (**) e a elite branca se excitaram com a idéia de aderir à ALCA e oficializar a volta à condição de colônia com que sempre sonharam.

Lula resistiu.

Celso Amorim comeu o pão que o diabo amassou nos editoriais coloniais do Estadão.

O que não se sabia é que Tony trabalhava nos bastidores.

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Números escondem uma realidade ainda pior, diz Protec

Chico Santos e Heloisa Magalhães| Do Rio, para o Valor

O presidente da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, é mais radical do que David Kupfer ao criticar o comportamento da indústria brasileira no quesito inovação. Para ele, o resultado da Pintec esconde uma realidade ainda pior.

“A Pintec confunde inovação com modernização.” Para Nicolsky, o crescimento da taxa de inovação expresso na pesquisa do IBGE decorre da compra de máquinas mais modernas pelas empresas. “Elas não inovam. Compram um equipamento mais moderno com inovação incorporada”, disse.

Nicolsky acha que no Brasil os estudantes querem ser inventores ao estilo professor Pardal, o famoso personagem de Walt Disney, sempre debruçado sobre uma revolucionária descoberta científica. “Os estudantes querem fazer ciência e só vão para as empresas como prêmio de consolação”, afirmou.

Roberto Nicolsky, presidente da Protec: “Os estudantes só vão para as empresas como um prêmio de consolação”

Para ele, que durante muito tempo trabalhou em empresas, o próprio sistema de incentivos, começando pelas subvenções da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é mais voltado para a academia. A maior prova, segundo Nicolsky, foi que quando o edital de subvenções de 2010 introduziu exigências que bloqueavam o acesso a empresas de origem acadêmica, houve forte redução no número de interessados.

O presidente da Protec considera que inovação é algo bem mais simples do que a busca por inventos mirabolantes. “É melhorar de alguma forma o seu produto ou o seu processo para tornar o produto melhor e mais barato”, resume. Tanto Nicolsky como Kupfer consideram que está faltando no sistema de incentivos brasileiros mais estímulo para que as empresas assumam o risco, que é alto, de pesquisar. A concessão de financiamentos, mesmo baratos, por exemplo, seria um caminho pouco produtivo, a não ser que acompanhada de mecanismos de compartilhamento da possibilidade grande de fracasso inerente a toda pesquisa.

O economista Antonio Barros de Castro, também professor da UFRJ, ex-presidente do BNDES, reconhece que entre os estudiosos da temática da indústria no Brasil “ninguém se entusiasmou” com o resultado da Pintec. Segundo ele, o mais impressionante é que na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada em maio deste ano, “ficou evidente que o Brasil vem acumulando forças para um possível desejado ingresso na economia do conhecimento”.

Entre os sinais desses esforços, ele enumerou o aumento da verba do MCT “de US$ 600 milhões para US$ 2 bilhões em uma década” e a multiplicação de órgãos, tanto na esfera federal como na estadual e na municipal, voltados para o incentivo à busca da inovação. “Sessenta por cento dos gastos com inovação na América Latina vêm do Brasil”, resume Castro, que acrescenta: “Os resultados, porém, são bastante modestos”. Ele acha que o furacão China inibe o apetite inovador do empresário e sugere, como vem fazendo há muito tempo, que o Brasil busque adensar as cadeias produtivas em áreas nas quais pode ser líder, como o petróleo em águas profundas e o etanol.

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