As primeiras semanas de um governo são como as semanas que antecedem a Copa do Mundo. A maioria das pessoas fica animada, outras apreensivas; um clima de patriotismo toma conta do país, especialistas discutem sobre o desempenho esperado… E o time é convocado.
Dilma Roussef já escalou as principais posições, ou, mandando a metáfora futebolística para escanteio, começou a compor o governo. Os Ministérios foram divididos entre a base de apoio da presidenta, e agora começa uma nova rodada de nomeações: a dos cargos do 2º escalão.
São 600 colocações, todas de confiança e em áreas estratégicas. Dilma acenou que as escolhas serão norteadas pelo perfil técnico, e não pelo perfil político. Essa é a grande esperança do Desenvolvimentistas, embora saibamos que o fisiologismo dos partidos políticos dificilmente será vencido, como também já acenou o PMDB.
Dois cargos que geram ansiedade quanto as nomeações são o da presidência do BNB, o Banco do Nordeste do Brasil, e da Sudene, superintendência do desenvolvimento do nordeste. Ambos funcionam como ferramentas para o desenvolvimento da região, e, portanto, é fundamental que a presidenta Dilma observe o perfil técnico das possíveis escolhas, não nomeando alguém somente para obedecer a alianças políticas.
Especialista em desenvolvimento regional, economista e socióloga, a professora da Universidade Federal do Pernambuco, Tânia Bacelar, é um dos nomes que o Desenvolvimentistas considera mais preparados para liderar esses orgãos. Renomada na área acadêmica, e com atuações importantes à frente da secretaria de Planejamento e da Fazendo no Pernambuco e o Ministério da Integração Nacional, a professora é, como lembra o também professor universitário Rodrigo Medeiros, uma ‘’unanimidade no campo dos intelectuais’’.
O economista Atenágoras Duarte, elogia muito a gestão do Roberto Smith no BNB, mas também considera Tânia Bacelar como alguém de “inequívoca qualidade técnica” para quaisquer dos órgãos ligados ao desenvolvimento regional, e acredita que, como Dilma tem mostrado preocupação em colocar mulheres em sua equipe, há chance de a professora ser lembrada.
No entanto, tudo é também uma questão de política. Tânia é ligada ao PSB, e a relação entre esse partido e o governo ainda não estão inteiramente definidas. O PSB “quer esperar para ver no que vai dar esse governo Dilma”, teoriza Rodrigo Medeiros. Além disso, o PT tem pretensões de assumir o BNB, o que dificulta e muito o caminho para alguém mais próximo do PSB.
A importância da professora, política à parte, é reconhecida também por quadros do PT, inclusive pela própria presidenta. No governo Lula, Tânia fez parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência, o “conselhão”, nomeada pelo ex-presidente e foi secretária executiva do Ministério da Integração Nacional. Além disso, trabalhou para a campanha de Dilma, o que demonstra a afinidade da professora com as idéias da situação.
Um economista que trabalha no governo e que não quis se identificar, acredita que “O PT deve patrociná-la para trabalhar para o Nordeste, especialmente para os estados do PSB”, e que ”seria um desperdício não contar com seu conhecimento e experiência”. Na mesma linha, um analista político do grupo, aprova o nome de Tânia, e considera que, acima de questões políticas, colocá-la em algum dos cargos do 2º escalão viria “(para o) bem de um projeto de país”