Leandro Aguiar
A princípio, todo governo menciona a infra-estrutura como uma de suas prioridades. No Brasil é assim desde Getúlio Vargas, e a atual administração tem assinalado, sobretudo dada a eminência da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que levará essa questão a sério.
Para que a realização dos dois maiores eventos esportivos do mundo não se transforme num vexame nacional histórico, e principalmente para que o Brasil dê prosseguimento a um projeto de desenvolvimento econômico e social, o investimento em estradas, portos, energia, telecomunicações e saneamento são imperiosos. A grande interrogação é como Dilma pretende fazer isso durante seu mandato.
Roberto D´Araújo, engenheiro eletricista, acredita que os partidários da privatização ganham força no atual momento da política brasileira. Ele expressa também suas desconfianças em relação a entrada de capital privado em setores estratégicos do Estado, embora já não tenha tanta fé à alternativa: “depois da politização completa das estatais, acho que não sabemos nem privatizar e nem gerir empresas públicas.” A economista Landes também lamenta o que considera como “sinais (de que Dilma) seguirá o “modelo FHC”.”
Se a presidenta acompanhar a tendência das últimas décadas, transferirá mesmo os gastos para o setor privado. Alguns especialistas enxergam essa opção como a única viável, considerando-se que já em 2013 várias metas terão, obrigatoriamente, por exigência da FIFA, de ser cumpridas. A privatização, entretanto, é absolutamente estigmatizada, e muitos não a encaram como uma boa via, quando considerado o interesse nacional a longo prazo.
Professor adjunto da UFES e sócio da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), Rodrigo Medeiros sugere calma ao analisar a postura do novo governo. Os sinais emitidos por Dilma até agora são ambíguos, e medidas como a elevação dos compulsórios para conter a apreciação do real não devem ainda ser comemoradas, considerando-se que a Selic pode ser elevada a qualquer momento, na avaliação do professor.
O analista Leandro Couto é mais otimista em relação aos avanços que o atual governo pode alcançar, mas admite que eles serão obtidos mediante recuo “em uma ou outra área”. Afinal, como diz o analista, em referência inconsciente a cabala judaica: “nem tudo é 8 ou 80”.
Seja qual for a via tomada por Dilma no que tange à infra-estrutura, privatização ou política econômica, deve ser distinguido o certo do errado. Como lembra Rodrigo Medeiros, nas palavras de Lorde Keynes “O errado pode se tornar útil e o certo não”.