04/01/2011, do BrasilEconomico
Brasil
Entre as novas empresas, uma subsidiária do grupo Bertin e uma prestadora de serviço do grupo Votorantim
Luiz Silveira lsilveira
A lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atingiu seu maior tamanho da história, com 220 infratores, após a atualização semestral divulgada ontem pelo órgão. Foram 88 empresas incluídas e apenas 14 excluídas da lista, que engloba apenas processos administrativos do ministério por trabalho análogo à escravidão já concluídos.
Entre as empresas incluídas na lista estão envolvidas grandes companhias, como uma subsidiária do Grupo Bertin, uma construtora autuada por irregularidades em uma obra para o Grupo Votorantim e uma empresa de biodiesel controlada pelo grupo espanhol de autopeças e biocombustíveis CIE Automotive. O recorde deve-se ao aumento do número de autuações entre 2007 e 2008, já que os processos administrativos têm levado cerca de dois anos e meio, segundo o assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE, Marcelo Campos. As companhias ficarão por pelo menos dois anos na lista, mesmo que já tenham regularizado a situação ao longo do processo. Enquanto estiverem listadas, as empresas não podem obter financiamento público e fornecer para o governo federal. “Como se trata principalmente de empresas do agronegócio, a lista é importante porque o setor depende muito de financiamento estatal”, afirma Campos. No caso do Bertin, entrou na lista a Infinity Itaúnas Agrícola S.A. (Infisa), uma subsidiária da empresa de açúcar e álcool Infinity Bio-Energy, adquirida no ano passado. A Infisa é responsável pela produção de canade- açúcar que abastece uma usina do grupo em Conceição da Barra (ES), e teve 64 trabalhadores em condições análogas à escravidão resgatados. Procurada, a Infinity alegou que “não há qualquer irregularidade em relação a seus colaboradores”. Já a irregularidade ligada ao caso do Grupo Votorantim foi cometida pela construtora Lima e Cerávolo.
Em 2009, uma fiscalização do MTE identificou e libertou 95 empregados da construtora que trabalhavam nas obras da usina hidrelétrica Salto do Rio Verdinho, do Grupo Votorantim, no sul de Goiás. A Rio Verdinho alega que rescindiu imediatamente o contrato com a Lima e Cerávolo. Outro empregador que entrou na lista foi a Bioauto MT, fabricante de biodiesel que tem 50% do capital nas mãos do grupo espanhol CIE Automotive. A companhia alegou que assumiu a responsabilidade sobre as irregularidades cometidas por um empreiteiro e já regularizou sua situação.
Maiores casos
O maior resgate que entrou para a lista suja nesta atualização, no entanto, foi da Usina Fortaleza de Açúcar e Álcool, atual Usina São Paulo Energia e Etanol. Em 2008, 244 trabalhadores foram libertados na empresa de Porteirão (GO). O segundo maior caso a entrar na lista foi da Rotavi Industrial, fabricante de ligas leves que teve 174 empregados libertados em uma carvoaria emJaborandi (BA). Outras empresas de cana-deaçúcar figuram em terceiro e quarto lugares: a Agrovale – Companhia Industrial Vale do Curu, de Paracuru (CE), teve 141 empregados resgatados. Outra usina de cana figura em quarto: 126 trabalhadores empregados por Nelson Donadel, sócio da Destilaria Centro- Oeste Iguatemi, foram libertados pelos fiscais do trabalho. Procuradas, as empresas não atenderam ou não retornaram as ligações do BRASILECONÔMICO. ■