Diálogos Desenvolvimentistas nº 7: A questão das altas Tarifas do setor elétrico Brasileiro

Leandro Aguiar

Desde junho de 2009 a câmara dos deputados investiga, por meio da CPI da Aneel, os valores da tarifa de energia elétrica no Brasil e a forma como a agência reguladora atua na autorização desses valores. A comissão quer saber os motivos de o preço da energia, repassado ao consumidor, ser maior do que em países como Japão, Estados Unidos e Alemanha.

No final de novembro deste ano, os integrantes da CPI apresentaram ao então presidente da câmara, o vice-presidente eleito da república Michel Temer, o relatório final da comissão. Segundo o relatório, desde 2002, mais de sete bilhões de reais foram cobrados indevidamente na conta de luz.  

Apesar da CPI das Tarifas de Energia Elétrica ter recomendado o reembolso ao consumidor, a Aneel decidiu, no dia 14 de dezembro, que o consumidor não será ressarcido dos valores.

Entenda o porquê de o Brasil ter tarifas tão altas, e veja como é complexo o setor energético no Brasil, nos comentários dos Desenvolvimentistas:

“O sistema elétrico brasileiro é único. É um dos sistemas mais confiáveis e de mais baixo custo operacional e ambiental do mundo. Todavia, depois das privatizações, a tarifa se tornou, talvez, a mais cara do mundo e temos tido recorrentes crises energéticas. A privatização do sistema criou uma enormidade de custos desnecessários e tornou o sistema menos confiável. Para que a energia tenha tarifas razoáveis, bom planejamento ambiental e confiabilidade, é necessário voltarmos ao sistema de remuneração pelo custo e ter novamente a Eletrobrás no gerenciamento e no planejamento do sistema.”

 

O Brasil tem todas as condições para praticar uma das menores tarifas energéticas do mundo. No entanto, caminhou na direção contrária, desperdiçando nossas vantagens competitivas.”

“O Brasil tem ainda o menor custo produção de energia entre as grandes Nações e um dos menores do mundo. Entretanto, para o consumidor, a tarifa é uma das mais caras do planeta. Essa diferença obtusa foi resultado direto do “novo” modelo. O novo modelo transformou o melhor sistema elétrico de grande porte do mundo em uma máquina de ganhar dinheiro às custas do bolso do consumidor, do erário público e da competitividade da indústria brasileira.”

“O melhor a fazer é assumir que o sistema é um monopólio natural e regulá-lo como devem ser regulados os monopólios naturais, segundo a teoria econômica: regulação pelo custo.”

 

Retirado de “Propostas para o setor elétrico brasileiro”, de:

GUSTAVO SANTOS

EDUARDO KAPLAN BARBOSA

JOSÉ FRANCISCO SANCHES DA SILVA

RONALDO DA SILVA DE ABREU

 

 

Lamento que o nosso setor elétrico não tenha uma “AEPET” para defender as nossas riquezas, como está sendo feito aqui (com o pré-sal). Também não posso evitar comentar que, pelo exemplo que vou dar abaixo, o governo Lula é um amontoado de interesses conflitantes que, ora atende às carências seculares, ora aprofunda as desigualdades de renda. Tenho sérias dúvidas sobre o saldo dessa salada.

(…) E o “pré-sal” do setor elétrico? Esse nem precisa perfurar nada! A fortuna está disponível acima do nível do mar! E, pasme, ao contrário do pré-sal original… Não há debate… Nem com a recente negativa da ANEEL de devolver o custo extra ao consumidor! Custos fixos que foram inflados!

(…) Um baixa renda no Maranhão paga mais do que um NewYorker. Se comparado a um morador de Toronto ou Quebec, que também tem eletricidade a partir da água, o Maranhense paga 300% a mais.”

ROBERTO PEREIRA D´ARAUJO

 

“Precisamos de uma Eletrobrás forte e de algo equivalente aos grupos planejadores coordenados exitosamente pela estatal no passado. Bom, há a EPE no presente.”

RODRIGO MEDEIROS

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