Diálogos Desenvolvimentistas: “Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”

Leandro Aguiar

No seu melhor estilo “dirigente de time de futebol”, o governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), perguntou aos jornalistas durante a coletiva de imprensa, realizada no dia 14 de dezembro: “quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?”. O misto de pergunta e confissão deixou atônitos os repórteres, e repercutiu por todo o país. 

Não é de hoje que o governador polemiza em torno do tema. Em um passado recente, ele afirmou que a favela da Rocinha é uma “fábrica de marginais”, devido às altas taxas de fertilidade da região, que segundo o governador se aproximam dos níveis do continente africano (na verdade, não chega a atingir a metade).

Talvez o governador do Rio não tenha, afinal, a mesma facilidade e elegância com as palavras que o seu pai, o jornalista fundador d´Pasquim Sérgio Cabral. Mas é quase consenso entre os participantes dos Diálogos Desenvolvimentistas que o governador tocou num ponto importante, e que além de truculento ele também foi corajoso, por defender tão abertamente sua posição frente o aborto. Acompanhe os principais lances da conversa:

As mulheres deveriam reagir e protestar. É uma frase machista e desumana. E uma demonstração que o aborto interessa mais aos homens que às mulheres.”   

Ceci Juruá, Economista

 acho que ele foi grosseiro e demonstrou ser machista (pela forma como falou), porém, em termos de conteúdo, acho que ele foi muito corajoso, tendo em vista como foram as eleições deste ano. Foi um dos primeiros políticos de cargo majoritário que eu vi defenderem a legalização do aborto por motivos de saúde pública.”

“Certamente o aborto além da perda da vida do bebê é altamente prejudicial à saúde da mulher e à sua própria fertilidade. É algo realmente traumático e negativo.
Planejamento familiar e métodos contraceptivos devem ser a grande política. Mas deve-se observar que há casos e casos. Não acho correto uma visão religiosa doutrinária da questão virar lei rígida”

Gustavo Santos, Economista

 Cadê a pílula e a camisinha? Depois quem vai se dar mal é a mulher, pois o seu organismo que sofre uma agressão enorme. E as feministas não enxergam isto, pois por melhor que seja o acompanhamento da mulher, sempre terá um estrago.”

Ronaldo Abreu

 Um obstáculo importante (à legalização do aborto) é a posição dogmática da Igreja Católica sobre o tema. Vale lembrar que somos um país laico, e deste modo não submetidos a nenhum poder religioso.”

A lei protege a vida. Aparentemente é o caso. Mas pensemos melhor. Quando começa a vida? Na concepção? Quando órgãos fundamentais começam a funcionar, como o coração? Ou quando o cérebro começar a exercer seu papel?”

Leonardo Quaresma

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